O poeta português Fernando Pessoa (Reprodução)

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Fernando Pessoa, morto há 90 anos, ganha episódio especial do 451 MHz

Em formato narrativo, podcast investiga a vida e o legado do grande poeta português com entrevistas de especialistas e poetas, além da leitura de poemas

26nov2025 • Atualizado em: 27nov2025

Em 30 de novembro de 1935, aos 47 anos, morria Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935), um dos maiores poetas do século 20. Apesar de conhecido, ainda em vida, na cena literária de Lisboa, Pessoa não chegou a ver o interesse mundial que cercaria a sua obra, publicada quase toda postumamente.

Marcando os noventa anos da morte de Pessoa, o 451 MHz preparou um episódio especial, em formato narrativo, que investiga a vida e o legado do poeta português, conhecido por versos antológicos e múltiplos heterônimos. São 136, de acordo com Jerónimo Pizarro, especialista entrevistado no podcast. 

O programa, que vai ao ar nesta sexta-feira, 28 de novembro, também ouviu a professora de Letras Ida Alves e os poetas Eucanaã Ferraz e Leonardo Gandolfi. Conta ainda com participações do escritor Eduardo Giannetti e da atriz portuguesa Maria de Medeiros, que lê trechos de poemas ao longo do episódio.

30 mil papéis

O mito de Fernando Pessoa começa quando, após a morte do poeta, são descobertos em seu apartamento mais de 30 mil papéis, escritos em três idiomas e atribuídos a uma centena de autores. Eram os famosos heterônimos de Pessoa, como Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis, tão autônomos que tinham até biografias fictícias — uma das excentricidades do poeta. 

O pesquisador colombiano Jerónimo Pizarro, especialista nesse arquivo, conta no episódio que grande parte do material continua inédito. A magnitude da obra também é relembrada no episódio, que resgata a prosa do Livro do desassossego e discute como esses escritos se tornaram objeto de inúmeros estudos, inspiração para outros artistas e continuam formando gerações de leitores. 

Para quem conhece Pessoa como autor da célebre frase “Minha pátria é a língua portuguesa”, pode ser surpreendente descobrir que muitos dos seus manuscritos eram em inglês. Ida Alves, professora de literatura portuguesa da UFF e especialista na obra de Pessoa, explica esse fenômeno, iluminando aspectos da biografia do poeta, sua participação no movimento modernista português e relacionando a trajetória do escritor com a história social e política de Portugal.

Leitores de Pessoa, os poetas e professores Eucanaã Ferraz e Leonardo Gandolfi falam sobre como tiveram contato com a obra do português e como esta dialoga com as suas próprias criações. Eucanaã Ferraz lembra que os versos pessoanos se tornaram amplamente conhecidos pelos brasileiros através da voz da cantora Maria Bethânia. Leonardo Gandolfi conta a saborosa história da chegada dos primeiros livros de Pessoa ao Brasil, caindo nas mãos de intelectuais como Mário de Andrade e Murilo Mendes.

A perenidade da obra de Pessoa e a relação do poeta com a posteridade são comentadas pelo economista e escritor Eduardo Giannetti, que lançou neste ano Imortalidades (Companhia das Letras), um ensaio sobre os caminhos que os seres humanos encontram para lidar com o fim da vida. Ao longo do episódio especial, os versos de Pessoa são lidos por Maria de Medeiros, que interpreta o poeta em PESSOA – Since I’ve been me, do diretor americano de teatro Robert Wilson, morto em julho deste ano. 

Especial

O episódio em formato narrativo do 451 MHz dedicado a Fernando Pessoa se soma a outros episódios especiais sobre a vida e a obra de grandes escritores publicados pela revista dos livros, entre eles Mário de Andrade, Camões, Elizabeth Bishop e Lygia Fagundes Telles

O episódio sobre o poeta português tem apresentação de Paulo Werneck, diretor de redação da Quatro Cinco Um, roteiro e entrevistas de Ana Pinho e produção de Beatriz Souza, Clarissa Stycer e Mariana Franco. Também participou na preparação a editora executiva Beatriz Muylaert. O som e a mixagem são de Claudia Holanda e Ana Sucha.

A Quatro Cinco Um publica o episódio especial com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e o da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais.