Listão da Semana,
O que Marilena Chaui pensa do Brasil
Relançado mais de vinte anos após a primeira edição, ensaio da filósofa e professora analisa os traços autoritários da sociedade brasileira
16mar2026 • Atualizado em: 18mar2026A filósofa Marilena Chaui nunca fugiu de uma polêmica e está sempre pronta para defender seus valores, seja na teoria filosófica, seja na ação política. Perto de completar 85 anos, o seu ensaio Brasil: mito fundador e sociedade autoritária volta às livrarias mais de duas décadas depois de sua primeira edição, pela Fundação Perseu Abramo — e continua atualíssimo.
Também na seleção de lançamentos: Malária: um romance, de Carmen Stephan; Um dia todos dirão terem sido contra, de Omar El Akkad, reunião de ensaios vencedora do National Book Award; os novos romances das premiadas Paulliny Tort e Maria Fernanda Maglio; um livro até agora inédito em português de W.E.B Du Bois; uma nova coletânea de poesias de Paulo Henriques Britto; e mais novidades quentinhas.
Veja os lançamentos de semanas anteriores.

Brasil: mito fundador e sociedade autoritária. Marilena Chaui.
Autêntica // 128 pp // R$ 42,90
Vencedora de importantes prêmios literários, como Jabuti, APCA e Biblioteca Nacional, a filósofa e professora examina as imagens e narrativas que moldaram a ideia de Brasil desde a colonização, argumentando que o país se sustenta sobre um mito fundador que encobre desigualdades, violência e autoritarismo ao difundir a visão de uma nação harmoniosa e sem conflitos.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 25% de desconto no site do Grupo Autêntica. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Mais Lidas
Malária: um romance. Carmen Stephan.
Trad. Claudia Abeling // Tinta-da-China Brasil // 168 pp // R$ 79,90
Inspirado por uma experiência pessoal da jornalista e escritora germânica durante uma temporada na Amazônia brasileira, o romance, que foi premiado na Alemanha, é conduzido pela própria fêmea do mosquito Anopheles, agente transmissor da malária. O animal descreve com ironia o adoecimento do corpo da protagonista e relembra como a doença foi identificada e estudada pela ciência.
Em resenha para a revista dos livros, a escritora Ana Paula Pacheco escreve que “Apesar dos esforços — que lembram, de longe, aquele de seu gigantesco primo tcheco, o inseto kafkiano, lutando para desvirar-se na cama, vencer o peso do casco e finalmente pôr as perninhas no chão —, não há saídas nem para o mosquito, nem para Carmen, nem para a estreiteza de visão de uma humanidade incapaz de enxergar a rede entre natureza e ‘civilização’ (esta entendida como outro nome para a barbárie contemporânea). Fosse um livro materialista, essa rede atenderia pelo nome de capitalismo.”
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 40% de desconto no site da Tinta-da-China Brasil. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Um dia todos dirão terem sido contra. Omar El Akkad.
Trad. Rodrigo Neves // WMF Martins Fontes // 208 pp // R$ 59,90
Vencedor da categoria de não ficção do National Book Award em 2025, seu título deriva de uma postagem viral que o autor, um jornalista egípcio que vive nos EUA, publicou em 2023, três semanas após o início dos bombardeios a Gaza. Em dez ensaios, ele entrelaça sua história pessoal de exílio com reflexões sobre temas como colonialismo, violência, posições de direita e de esquerda das potências ocidentais, entre outros.
“Comecei a fazer anotações sobre Gaza em outubro de 2023, porque suspeitava de que muitas das coisas grotescas que estava testemunhando desapareceriam num buraco da memória”, disse Omar El Akkad em entrevista a Suzana Velasco para a Quatro Cinco Um.

Os imortais. Paulliny Tort.
Fósforo // 232 pp // R$ 84,90
A autora da elogiada coletânea de contos Erva brava (Fósforo, 2021), premiado pela APCA, ambienta seu novo romance na pré-história e narra a trajetória de um clã de neandertais que adota uma criança sapiens.
“Tort não se furta a fantasiar, num gesto de puro gozo literário, embora claramente tenha feito pesquisa sobre o período em questão. O que há de mais belo no romance, porém, é o movimento em direção aos nossos ancestrais. Há anacronismos: muitos personagens pensam de forma semelhante a nós. Um crítico positivista talvez se melindre com essa imprecisão, chamando-a erro ou logro. Prefiro celebrar a força da ficção, essa invenção humana que permite ver o que ficou perdido, o irrecuperável”, escreve a crítica literária Ligia Gonçalves Diniz em resenha para a revista dos livros.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 20% de desconto no site da Fósforo. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Lá é o tempo. Maria Fernanda Maglio.
Todavia // 160 pp // R$ 72,90
A autora de Enfim, imperatriz (Patuá, 2018), ganhador do Jabuti, e 179. Resistência (Patuá, 2020), ganhador do Prêmio Biblioteca Nacional, usa fabulação usa fabulação e vivências para falar do que é humano no sentido mais cru, partindo da história de um adolescente que comete homicídio e um escritor em crise criativa que busca entender as motivações do crime.
“Sou defensora desde 2007 — minha literatura está muito impregnada dessa vivência, como a parte [do romance] em que o André vai para a Fundação Casa, que visitei muito. Quando entrei na defensoria, eu fazia a defesa de adolescentes em conflito com a lei. Sempre quis trabalhar na área criminal, talvez por meu interesse pelo que é humano no sentido mais cru e bruto, da violência, do que o ser humano é capaz de fazer. Aparece na minha literatura sem que eu tenha intenção — quando vejo, já está escrito, a história vai por esse caminho”, disse Maria Fernanda Maglio em entrevista para a Quatro Cinco Um.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 20% de desconto no site da Todavia. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Reconstrução negra: ensaio para uma história do papel desempenhado pelo povo negro na tentativa de reconstruir a democracia na América, 1860-1880. W.E.B. Du Bois.
Trad. Murillo van der Laan // Apres. Angela Davis, Ruth Wilson Gilmore e C.L.R. James // Pref. Sávio Cavalcante e Matheus Gato // Boitempo e Editora Unicamp // 864 pp // R$ 160
O sociólogo, considerado o pai do pan-africanismo, destaca a importância dos afro-americanos na redefinição da vida política e social dos EUA depois da Guerra de Secessão. O livro, só agora traduzido para o português, confrontou as interpretações historiográficas vigentes na época de sua publicação, em 1935, ao apontar os ex-escravizados como agentes capazes de transformação.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 20% de desconto no site da Boitempo. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Embora: poemas. Paulo Henriques Britto.
Companhia das Letras // 88 pp // R$ 69,90
O tradutor, poeta e escritor premiado, eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), lança sua nona coletânea de poesia, com versos marcados por seu humor irônico característico.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 25% de desconto no site da Companhia das Letras. Conheça o Clube de Benefícios 451.
Vapt-vupt
+ novidades quentinhas
O mundo fora da pedra. Rita Carelli.
Zahar // 296 pp // R$ 79,90
Autora do premiado Terrapreta (Editora 34), a escritora, filha de indigenistas, entrelaça memória e apuração jornalística ao recontar o assassinato de um missionário jesuíta envolvido com a comunidade enawenê-nawê, no Mato Grosso.
Antes e depois. Alba de Céspedes.
Trad. Francesca Cricelli // Pref. Nadia Terranova // Bazar do Tempo // 136 pp // R$ 74
Acompanha a história de Irene, mulher que constrói uma vida independente na Itália do pós-guerra. Da autora de Caderno proibido (Companhia das Letras, 2022), uma das influências de Elena Ferrante.
Três. Ann Quin.
Trad. Gisele Eberspächer // DBA // 216 pp // R$ 82,90
Voz da classe operária britânica redescoberta recentemente, a escritora acompanha a busca dos vestígios de uma jovem desaparecida no mar pelo casal que a hospedava como uma espécie de dama de companhia.
No ano de 2040: poemas em russo. Valério Pereliéchin.
Org. e posf. Bruno B. Gomide // Trad. e apres. Letícia Mei // Edições Jabuticaba // 168 pp // R$ 60
A antologia reúne pela primeira vez em português a poesia do poeta e jornalista russo (1913-1992) que, exilado de seu país, viveu na China antes de se fixar no Brasil, onde se naturalizou em 1958 e permaneceu até sua morte.
Marx a contrapelo. Vários autores.
Trad. Renata Guerra, Felipe Catani, Pedro Resende, Amaro Fleck, Bruno Serrano, Daniel Pucciarelli e Luiz De Caux // Elefante // 436 pp // R$ 99
Aborda aspectos das teorias sobre Marx, como significado e extensão da dialética, conceito de valor e sua crítica ou especificidade histórica do trabalho numa releitura da teoria marxista por autores como Theodor Adorno.
Atrás fica a terra. Arianna de Sousa-Garcia.
Pref. María Elena Moran // Trad. Wesley Santos Rocha // Pinard // 136 pp // R$ 74,90
Neste romance da escritora venezuelana, a narradora conta para o filho sua trajetória de deslocamento forçado e reconstrução da vida em uma terra estrangeira.
Colaboraram neste Listão: Ana Beatriz Garcia e Jaqueline Silva
Porque você leu Listão da Semana
Lena Dunham e as dores da fama
Criadora da série Girls e conhecida por sua tendência ao sincericídio, Lena Dunham conta tudo e mais um pouco de sua ascensão na indústria de
AGOSTO, 2026

