Listão da Semana,

A força de Gisèle Pelicot

A autobiografia da francesa que denunciou e levou à condenação o marido e dezenas de abusadores chega às livrarias esta semana

24fev2026

Durante anos, ela foi sedada e violada pelo marido e por outros homens. Enfrentando o trauma, Gisèle Pelicot teve a coragem de denunciar o crime e contar sua história em Um hino à vida: a vergonha precisa mudar de lado, que chega esta semana às livrarias e pode ajudar muitas outras vítimas da violência sexual.

Também na seleção de lançamentos: O astrágalo, de Albertine Sarrazin; Os amantes sem dinheiro e outros poemas, de Eugénio de Andrade; um ensaio sobre a racialidade brasileira, de Bárbara Carine; uma edição atualizada do livro de Christopher Sandford sobre os Rolling Stones; e mais novidades quentinhas.

Veja os lançamentos de semanas anteriores.


Um hino à vida: a vergonha precisa mudar de lado. Gisèle Pelicot.
Trad. Julia da Rosa Simões // Companhia das Letras // 208 pp // R$ 69,90

A francesa que fez questão de denunciar publicamente os incontáveis abusos sexuais que sofreu nas mãos do ex-marido e de dezenas de homens desconhecidos conta a história de resistência e coragem que a transformou num símbolo mundial.

Em resenha para a revista dos livros, a jornalista Cristina Fibe escreve que “Não há aviso de gatilho que prepare para a leitura de Um hino à vida. O ponto sensível das memórias de Gisèle Pelicot, escritas em parceria com a jornalista Judith Perrignon, não é a descrição da violência em si: o que torna o livro difícil é a banalidade da vida daquele casal, é a possibilidade palpável de as atrocidades cometidas contra a francesa pelo próprio marido estarem acontecendo comigo, com você, com sua vizinha ou sua mãe.”

Leia a resenha na íntegra

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O astrágalo. Albertine Sarrazin.
Trad. Mônica Kalil // Pref. Patti Smith // Editora 34 // 208 pp // R$ 79

Chamada de “Genet de saias”, a autora passou a adolescência em reformatórios e a juventude entre detenções, roubos e prostituição nas ruas de Paris. Neste romance com fortes componentes autobiográficos, ela conta a história de Anne, uma jovem detenta que, ao fugir da prisão, quebra o osso do calcanhar que dá nome ao livro e conhece o também delinquente Julien, seu grande amor. Publicado em 1965, retrata a vida, a boemia e a precariedade da capital francesa na década de 60. O livro conquistou fãs como Simone de Beauvoir, que recomendou a publicação do livro, e Patti Smith.

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Os amantes sem dinheiro e outros poemas. Eugénio de Andrade.
Org. e Pref. Eucanaã Ferraz // Companhia das Letras // 320 pp // R$ 89,90

Apresenta aos leitores brasileiros a obra de alta carga erótica do poeta português (1923-2005), vencedor do prêmio Camões e figura fundamental da poesia lusófona do século 20.

“Atravessando a ditadura mais longa da Europa e uma das revoluções mais bonitas do século 20, e escrevendo num momento em que a homossexualidade era conceituada pelos poderes instituídos como crime e doença (status que só mudou oficialmente, em Portugal, na década de 80), Eugénio de Andrade nos deu uma poesia que não se esconde da tristeza, do medo e da ruína, mas que os incorpora na exploração vigorosa da sutileza, do afeto e da luminosidade”, escreve Marcos Visnardi em resenha para a Quatro Cinco Um.

Leia a resenha na íntegra

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Raça social: uma leitura sobre a racialidade brasileira. Bárbara Carine.
Pref. Helio Santos // Planeta // 192 pp // R$ 59,90

A ganhadora do Jabuti por Como ser um educador antirracista (Planeta, 2023) dá a sua contribuição para o debate sobre identidade racial no país a partir do conhecimento e da experiência acumulados pelo movimento negro. No livro, ela defende que a raça é uma categoria sociopolítica, não biológica, e se opõe ao entendimento da identidade parda como separada da negra.


The Rolling Stones: sessenta anos. Christopher Sandford.
Trad. Catharina Pinheiro // Record // 560 pp // R$ 109,90

Edição atualizada do livro que traça a evolução da banda desde a sua improvável formação, nos anos 60, até o presente, recapitulando conflitos, excessos e dramas pessoais que marcaram o processo.

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+ novidades quentinhas

As vozes da noite. Natalia Ginzburg.
Trad. Iara Machado Pinheiro // Pref. Italo Calvino // Companhia das Letras // 160 pp // R$ 79,90

Publicado cinco anos antes de Léxico familiar (Companhia das Letras, 2018) e considerado a obra-prima da autora, narra os dramas de uma família sob o pano de fundo da Itália moderna, da ascensão do fascismo aos traumas do pós-guerra.

Girlhood: no corpo de uma mulher. Melissa Febos.
Trad. Marina Della Valle // HarperCollins // 272 pp // R$ 69,90

A norte-americana revisita a sua trajetória desde a puberdade, quando passou a ser vista como uma mulher adulta, e reflete sobre os mecanismos que criou para lidar com uma experiência marcada pela violência.

Amir Haddad: a utopia representada. Thiago Sogayar Bechara.
Pref. Fernanda Montenegro // Edições Sesc // 440 pp // R$ 120

História do diretor, ator e pedagogo, um dos fundadores do Teatro Oficina. Fotos inéditas e depoimentos de seus pupilos (como Renata Sorrah e Pedro Cardoso).

São Paulo em códigos. Mei Hua Soares e Nivaldo Godoy Jr.
Garoupa // 88 pp // R$ 180

Busca, através de textos e experimentos com inteligência artificial, “decodificar” a cidade de São Paulo, abordando os impactos das tecnologias digitais sobre a sua organização social e a sua paisagem.

Colaborarou neste Listão: Jaqueline Silva

Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, editora da Quatro Cinco Um, é autora de Tantra e a arte de cortar cebolas (Editora 34).

Ana Beatriz Garcia