O diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada e autor Marcelo Viana (Nilton Fukuda/Divulgação)

Trechos,

A matemática ao redor

De Taylor Swift à inteligência artificial, livro de Marcelo Viana reúne crônicas sobre conceitos matemáticos como ferramentas de compreensão do mundo

10out2026 • Atualizado em: 09out2026

Depois de Histórias da matemática: da contagem nos dedos à inteligência artificial (2024) e A descoberta dos números: uma aventura matemática (2025), o diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) Marcelo Viana publica Matemática para seres humanos (e alguns robôs), seu terceiro livro pela editora Tinta-da-China Brasil.

O volume reúne textos publicados em sua coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo, combinando a ciência dos números com áreas diversas, de política e tecnologia às situações cotidianas. Temas como distorções estatísticas, popularidade de divas pop e o funcionamento de códigos de barras e dos QR codes motivam a explicação de conceitos matemáticos para além do vocabulário técnico, apresentando-a como ferramenta de compreensão do mundo, sem limitá-la ao campo das “exatas”.

Além disso, o autor destaca o trabalho de mulheres pioneiras no campo da matemática, tanto no Brasil quanto no restante do mundo, e propõe desafios lógicos ao final do livro para que os leitores testem suas habilidades.

Trecho de Matemática para seres humanos (e alguns robôs), de Marcelo Viana

O leitor comprou ingresso para o show da Madonna e estava empolgado. Mas no dia acorda doente e, para piorar, está chovendo muito. Não vai conseguir aproveitar o show e ainda pode piorar a sua saúde. Mas já gastou o dinheiro do ingresso, que não pode ser vendido nem transferido para outra pessoa. O que fazer?

Confrontados com situações como essa, em que houve um gasto prévio (de tempo, dinheiro, esforço etc.), a maior parte de nós opta por não ‘desperdiçar’ o investimento e seguir com o projeto — nesse caso, ir ao show —, mesmo que isso eventualmente possa acarretar um gasto ainda maior. É tão comum que tem nome: falácia do custo irrecuperável.

Não é uma atitude racional: no esforço para não desperdiçar o irrecuperável, a pessoa se sujeita a gastos ainda maiores, que, estes sim, poderiam ser evitados. E não são apenas as pessoas físicas que incorrem nessa falácia.