Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: maio de 2021

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

01maio2021 - 05h12 | Edição #45

Maria Bianca de Araújo Pessoa, 15 – Fortaleza (CE)

Jojo Moyes. Depois de você.
Tradução de Adalgisa Campos da Silva Intrínseca • 320 pp • R$ 49,90/24,90

Se acreditarmos no amor descrito pelas palavras de Nicholas Sparks, que diz que “a ausência de alguém pode aprofundar o amor”, podemos facilmente encontrar inúmeros significados para a história de Louisa Clark e Will Traynor, na tão esperada sequência de Como eu era antes de você, que conta aspectos da vida de Louisa após a perda de Will.

Nova versão

Escrito por Jojo Moyes, Depois de você é uma obra constituída por vários lados de uma mesma história em que a autora transmite por meio de suas palavras os sentimentos e pensamentos vivenciados por Lou nesse novo contexto da narrativa, mediante a perda do homem que amava. Assim, ela revive os últimos momentos em que estiveram juntos e relembra a promessa feita a ele e que se torna o desafio mais complexo enfrentado pela personagem: viver intensamente.  A autora relata nessa sequência do sucesso anterior, que ganhou uma adaptação cinematográfica, uma nova versão da história, que revela traços intrigantes do passado de Will e transforma completamente a realidade de Louisa. 

Essa narrativa bem-humorada e cheia de reviravoltas não trata apenas do desfecho de uma história de amor, mas sim de um novo modelo para se adaptar a novas situações. A autora nos apresenta um final incomum em relação ao tão esperado “felizes para sempre”, deixando também ensinamentos em aberto em diversos trechos do livro, que são facilmente percebidos pelo leitor. Mas o que apresenta o maior contraste em relação a essa visão é a perspectiva de Moyes de mostrar que o maior ato de amor está em deixar o outro ir quando chegar a hora.

Ricardo Venturini Filho, 15 – Nova Iguaçu (RJ)

Robert Louis Stevenson. O médico e o monstro: o estranho caso de dr. Jekyll e sr. Hyde.
Tradução e adaptação de Walcyr Carrasco Moderna • 136 pp • R$ 54

O médico e o monstro é um livro clássico, que faz parte do universo fantástico de Robert Louis Stevenson. Essa obra de terror/suspense, publicada em 1886, conta a história de dr. Jekyll, um médico renomado de Londres, com amigos da elite inglesa. Um desses amigos de longa data é também seu advogado, o sr. Utterson, que fica desconfiado ao receber o testamento de Jekyll, tornando herdeiro único um completo desconhecido chamado Edward Hyde. Utterson imagina que seu amigo está sendo chantageado e inicia uma investigação. Assim se desenlaça o enredo nessa tradução incrível de Walcyr Carrasco. 

Fiquei fascinado com o dilema entre o lado ‘bom’ e o lado ‘mau’ de dr. Jekyll, apresentado no desfecho

A trama é envolvente, cheia de mistérios e pistas para descobrir quem é sr. Hyde e o que ele pretende com Jekyll. Por que ele tem livre acesso ao seu laboratório? Por que sempre sai impune dos crimes horrendos que comete? Fiquei fascinado com o dilema entre o lado “bom” e o lado “mau” de dr. Jekyll, que é apresentado no desfecho da história. No final, Utterson descobre que, em um dos seus experimentos, Jekyll criou uma poção que lhe permite liberar seu lado mais perverso. A leitura prende a nossa atenção e nos faz viajar para o final do século 19. Não é à toa que o livro continua sendo lido e, no que depender de mim, sempre será lembrado.

Alexandra A. do Carmo, 17 – Recife (PE)

David Levithan & Rachel Cohn. O caderninho de desafios de Dash e Lily.
Tradução de Regiane Winarski • Galera Record • 256 pp • R$ 49,90

Em O caderninho de desafios de Dash e Lily, Lily quer se apaixonar e decide criar um caderno com perguntas para encontrar seu par perfeito. Ao entrar em uma livraria, Dash descobre esse caderninho, que contém instruções para um desafio feito por Lily, a quem não conhecia. Dessa maneira, os dois passam a conversar por meio do caderno — que é deixado por diferentes partes de Nova York —, sem saber com quem estão realmente conversando.

Água e óleo

É lindo e interessante ler a construção do relacionamento deles. São muitos momentos e situações engraçados, que prendem a nossa atenção e nos fazem torcer por eles. O livro é mais para jovens que amam um romance-clichê. A trama é narrada pelo ponto de vista de cada um dos protagonistas, que são personagens bem desenvolvidos. Desde o início, Dash e Lily são descritos como água e óleo, ou seja, um não tem a menor chance de se misturar com o outro. Ela ama o Natal, é uma garota aberta e que adora passar o tempo com a família. Ele é totalmente o oposto disso.  

Depois que li o livro, fui correndo assistir à série da Netflix baseada na obra, mas confesso que não gostei tanto quanto do livro. Se você viu a série e não gostou, tenho certeza de que gostará mais do livro, e, se você assistiu à adaptação e gostou, sei que gostará ainda mais do livro. Apesar de não ser uma história com grandes conflitos, ainda assim é uma boa companhia para leitores que desejam passar um tempo com um livro leve, divertido, lindo e que deixa o coração aquecido, mesmo depois do ponto-final. Tudo isso, é claro, acompanhado de um belo passeio por Nova York.

Este texto foi feito com apoio do Itaú Social.

Quem escreveu esse texto

Maria Bianca de Araújo Pessoa

Estuda em Fortaleza.

Ricardo Venturini Filho

Estuda em Nova Iguaçu (RJ).

Alexandra Alexandre do Carmo

Estuda no Recife.

Matéria publicada na edição impressa #45 em abril de 2021.