Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: maio 2023

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

19abr2023 - 10h55 | Edição #69

Júlia de Oliveira Souza, 16 – Rio Grande do Sul (RS)

Fabrina Martinez. Sabendo que és minha.
Jandaíra • 144 pp • R$ 53

Um livro sobre luto. Ao ler essa definição, fiquei com medo de começar a leitura — afinal, a dor que o luto causa é uma das piores no mundo. Mas estava enganada. Fui surpreendida pela forma poética com que Fabrina expressa sua dor e confusão, sem deixar o clima pesado. Ao perder a mãe, seu mundo não tem mais chão, como se tudo tivesse ido junto dela. Mas a vida continua, e ela tem então que passar pelas fases do luto e aprender a conviver com ele. Tem ainda que lidar com outras questões — ser mulher, ser mãe e ser gorda — enquanto revive antigos momentos e questiona a si mesma com perguntas que não têm mais respostas, aceitando que, por maior que fosse o amor por sua mãe, ela havia lhe causado feridas.

Nunca imaginei ler um livro tão real e próximo do autor e amei a experiência

Os passos para superar a partida de uma pessoa que amamos são relativos, assim como o tempo, que geralmente é longo. Vivenciamos com Fabrina suas fases de superação e perturbação ao longo do processo, como quando decide ir ao retiro de silêncio e em cada momento traz uma memória do passado, pensando em possíveis respostas para conversas antigas, compreendendo que, por mais que quisesse, sua mãe não voltaria mais.

Nunca imaginei ler um livro tão real e próximo do autor e amei a experiência. Se você perdeu um ente querido recentemente, indico este livro para que você vivencie este momento junto de Fabrina. Mas se você nunca perdeu alguém, assim como eu, leia: você aprende a valorizar ainda mais tudo o que está à sua volta, dos grandes aos mínimos gestos, e a olhar o mundo por uma outra lente.

Amanda Cristina de C. de Souza, 14 – Nova Iguaçu (RJ)

Andréa Pachá. Velhos são os outros.
Intrínseca • 208 pp • R$ 44,90

Recentemente peguei emprestado o livro Velhos são os outros, da escritora carioca Andréa Pachá. Esse livro fala sobre diversos conflitos e realidades relacionados à velhice, com várias histórias diferentes de tocar o coração, despertando muitas emoções em cada personagem. Mesmo tendo perdas e problemas, eles conseguiram superar as dificuldades.

Para muitas pessoas é difícil aceitar o fato de envelhecer, porque o corpo não seria tão flexível quanto antes, e elas não poderiam fazer coisas que faziam quando eram mais jovens. Porém, há velhos que agora fazem certas coisas que não fizeram na juventude. Fisicamente estão velhos, mas têm a mente e a alma de pessoas jovens.

Em Velhos são os outros há histórias de vários personagens diferentes. Personagens que encontraram o amor na velhice a ponto de criar uma família. Um exemplo é a felicidade do casal de velhinhos que aprendeu a dirigir aos oitenta anos de idade, tornando-se independentes.

Temos também as histórias de diferentes mulheres que perderam o marido e os filhos e mesmo assim continuaram firmes, dando a volta por cima, trabalhando, fazendo hidroginástica, lendo, dançando e convivendo com os amigos.

Morte

O livro também aborda a questão da morte, e vemos também que não estamos preparados para envelhecer ou morrer e que esses assuntos quase nunca são abordados. Mas deveriam ser, porque é a lei da vida: nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Ao ler esse livro, pude perceber que ficar velho não é o fim. Pelo contrário, com a passagem do tempo ficamos mais sábios, mais criteriosos e mais cuidadosos. O corpo pode estar envelhecido, mas na verdade eu entendi que a velhice e a juventude são estados. Posso ser jovem e me sentir velho e vice-versa.
 

Nota da redação

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) é um dos projetos mais importantes de articulação entre leitores e bibliotecas no Brasil. Publicamos aqui resenhas de livros escolhidos por jovens que frequentam a Biblioteca Comunitária Luli Luz (RS) e a Biblioteca Comunitária Vale do Tinguá (RJ). Contamos com eles para manter acesa a chama da leitura! Conheça e saiba como apoiar a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias no site rnbc.org.br e a ong Vaga Lume no site vagalume.org.br.

Quem escreveu esse texto

Amanda Cristina de C. de Souza

Tem 14 anos, estuda em Nova Iguaçu (RJ).

Júlia de Oliveira Souza

Tem 16 anos, estuda no Rio Grande do Sul (RS).

Matéria publicada na edição impressa #69 em abril de 2023.