Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: maio 2022

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

20abr2022 - 13h38 | Edição #57

Camila Bezerra de Freitas, 19 – Salvador (BA)

Machado de Assis. O alienista.
Via Leitura • 80 pp • R$ 23,90

O protagonista, Simão Bacamarte, é um médico psiquiátrico muito respeitado que viajou pela Europa e pelo Brasil. Um dia decide abrir seu próprio consultório na cidade de Itaguaí, no Rio de Janeiro, e logo cria um manicômio na cidade, chamado de Casa Verde. Simão começou a perceber que nessa cidade havia “loucura” em muitas pessoas, fazendo com que ele tivesse muitos internos em sua clínica. Isso causou muita revolta na população, pois o alienista estava internando praticamente todo mundo da cidade, até pessoas que não tinham nenhuma doença psiquiátrica. Apesar dos protestos o médico continuou com seu trabalho no manicômio. Houve até mesmo uma tentativa de intervenção de políticos de Itaguaí, mas tudo em vão, pois Simão continuou convicto de que suas teorias estavam certas.

Um conto sobre a loucura

O alienista é um conto de Machado de Assis que nos faz refletir sobre o que podemos considerar como loucura. Uma das obras pioneiras do realismo, ela coloca em pauta as atitudes e as relações sociais referentes a todos os personagens, e como é importante estar ciente de que não sabemos tudo. Errar é humano e é importante admitir o erro, mas também é necessário estar disposto a aprender e a mudar, para o nosso próprio bem e para o bem coletivo. Para convivermos em sociedade é importante pensarmos no coletivo, pois fazemos parte dele.

O livro tem cerca de oitenta páginas, mas, apesar da pouca quantidade de páginas, pode ser um pouco complicado de se ler no início por causa da escrita da época, com muitas palavras que atualmente não usamos mais. Mas é algo que está presente na maioria dos clássicos da literatura brasileira. É um ótimo livro introdutório para conhecer Machado de Assis.

Niely Gomes Moraes, 16 – Belém (PA)

Taylor Jenkins Reid. Os sete maridos de Evelyn Hugo.
Tradução de Alexandre Boide Paralela • 360 pp • R$ 49,90

Em mais de trezentas páginas incrivelmente viciantes nós vamos fazer uma viagem do passado ao presente: Taylor Jenkins vai nos contar a história de Evelyn Hugo, uma lendária estrela do cinema dos anos 60, e de Monique Grant, uma jornalista que ainda não obteve o merecido reconhecimento na revista em que trabalha.

Uma leitura fluida e sensível, recheada de dramas e de um mistério que talvez tire seu sono

Desde sua ascensão, Evelyn sempre esteve sob os holofotes, seja atuando numa produção vencedora do Oscar, protagonizando um novo escândalo ou aparecendo com um novo marido… pela sétima vez! Agora reclusa, prestes a completar oitenta anos, a estrela resolve contar a própria história — sua verdadeira história. Mas para contar o que realmente acontecia nos bastidores de Hollywood e o motivo de tantos casamentos e escândalos, Evelyn tem uma condição: só contará sua história para a jornalista Monique Grant, até então desconhecida e subestimada. Por que isso? Por que Monique? O que Evelyn Hugo esconde?

Monique descobrirá que nada é por acaso e que talvez suas trajetórias tão distintas estejam mais conectadas do que qualquer um poderia imaginar! Uma leitura fluida e sensível, recheada de dramas e de um mistério que talvez tire seu sono! Taylor fez um trabalho incrível, criou personagens complexos e bem construídos, que farão você rir, chorar, se apaixonar e sofrer junto com eles e por eles.

Daiane dos Santos Souza, 17 – Salvador (BA)

Kiusam de Oliveira. O mundo no black power de Tayó.
Ilustrações de Taísa Borges. Peirópolis • 44 pp • R$ 46

Eu sou leitora da Biblioteca Comunitária Clementina de Jesus, em Salvador. O mundo no black power de Tayó, da escritora Kiusam de Oliveira, foi o último livro que li na biblioteca. Ele foi publicado em 2013 e me chamou logo a atenção pelo fato de ser uma literatura afro-brasileira que fala muito sobre os cabelos.

Tayó, a menina da história, é uma princesa que gosta muito de se olhar no espelho e admirar a sua beleza. Ela pede todos os dias para que sua mãe penteie os seus lindos cabelos. E a cada dia pede que ela coloque um enfeite diferente, e por isso Tayó chama muito a atenção por todos os lugares em que ela passa. Todo mundo elogia os seus lindos cabelos e a sua beleza rara, que vai encantando todas as pessoas por onde ela anda.

Black power

Este livro fala muito de amor, de gênero e de cor. Eu gostei muito dessa história porque me identifiquei com ela. Eu também sou uma menina negra e também uso o meu cabelo black power. E, assim como Tayó, a protagonista deste livro, eu também sou uma menina que tem muitos sonhos e imaginações.

Ao longo da história alguns de seus colegas de classe falam que o cabelo de Tayó é ruim, e eu gostei da forma como ela respondeu a eles: que o cabelo dela é muito bom e que ela tem muito orgulho de seu cabelo black power. Ela carrega muitas alegrias, mas também memórias sobre o sequestro dos africanos e das africanas. Tayó admira muito a sua mãe por ela ser negra e também usar black power.

O mundo no black power de Tayó funciona como um espelho para que outras meninas também se vejam dessa forma maravilhosa.

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RBNC) é um dos projetos mais importantes de articulação entre leitores e bibliotecas no Brasil. Publicamos aqui resenhas de livros escolhidos por três jovens que frequentam a Rede Amazônia Literária (PA) e a Biblioteca Comunitária Clementina de Jesus (BA). Contamos com eles para manter acesa a chama da leitura! Conheça e saiba como apoiar a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias no site rnbc.org.br
Este texto foi realizado com o apoio do Itaú Social

Quem escreveu esse texto

Camila Bezerra de Freitas

19, estuda em Salvador (BA)

Niely Gomes Moraes

16 anos, estuda em Belém (PA)

Daiane dos Santos Souza

17 anos, estuda em Salvador (BA)

Matéria publicada na edição impressa #57 em fevereiro de 2022.