Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: janeiro 2023

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

22dez2022 - 16h24 | Edição #65

Maria Eduarda Santos de Pádua, 16 — Salvador (BA)

Yaguarê Yamã. Os olhos do Jaguar.
Ilustração de Rosinha
Jujuba • 24 pp • R$ 48,30

O livro Olhos do jaguar, de Yaguarê Yamã, retrata uma história que aborda o tema bullying, mas de forma diferente. Ele descreve um jaguar muito valentão que, um belo dia, quando estava viajando com seu amigo tatu, pensou em provocá-lo para que, quando o tatu começasse a caçoar dele, tivesse um motivo para comê-lo. Mas o tatu não era bobo e procurou um lugar para se esconder — um buraco — para que o jaguar não conseguisse comê-lo.

Quando eles estavam perto do buraco, o tatu começou a caçoar do jaguar, fazendo com que ele ficasse muito irritado. E, antes que o jaguar pudesse comê-lo, entrou no buraco.

O jaguar então teve a ideia de colocar a cabeça no buraco para poder comer o amigo ali mesmo. Só que o tatu deu uma patada bem no rosto do jaguar, fazendo com que ele perdesse seus queridos olhos. E assim o jaguar começou o caminho para tentar recuperar seus olhos.

Aprender com os erros

Eu achei esse livro muito interessante. Ele retrata a história do jaguar, que é um animal feroz da floresta, e que por isso achava que era melhor e mais esperto do que os outros.

Mas sabemos que sempre vai existir um outro ser mais esperto do que nós. E, com essa história, também podemos ver que sempre aprendemos com os nossos erros — e o jaguar aprendeu com o dele.

Giselle Mariana Correia Santos, 15 — Salvador (BA)

Valter Hugo Mãe. Contos de cães e maus lobos.
Biblioteca Azul • 96 pp • R$ 64,90

“As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três sentimentos mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa.” Começo trazendo um trecho do conto “Bibliotecas”, do livro Contos de cães e maus lobos, que li recentemente, para partilhar a importância da leitura e dos espaços que guardam livros.

O autor nos convida a embarcar em uma viagem e, mesmo ele afirmando na contracapa que não escreve para o público infantil, seu livro automaticamente nos convida a adentrar esse mundo, essa mistura de silêncios guardados com o sentir-se e pertencer a um lugar/espaço.

O conto “Bibliotecas” é uma verdadeira viagem: basta entrarmos em uma biblioteca que já podemos estar em inúmeros lugares. São tantas histórias que se misturam, tantas épocas que se cruzam que fica difícil — posso até dizer impossível — ler todos. Mas sabemos que existem milhares de títulos e que a cada dia se descobre um novo que não se viu no dia anterior, mesmo estando ali na nossa cara.

A viagem da leitura

A leitura nos transporta para outros mundos. Quando percebemos já estamos rindo do que se fala ou chorando a morte de alguém que nem conhecemos. E se fechamos um livro de que não gostamos, a biblioteca está ali para termos outras oportunidades. Chega a ser engraçado, mas é sério!

Por isso, mesmo que eu não cante para o mundo, sei a importância de uma biblioteca em um bairro falando um pouco sobre minha realidade. Sei a importância da biblioteca em um bairro periférico: nela as pessoas são acolhidas — crianças, jovens e adultos podem entrar. Frequento a Biblioteca Comunitária Sandra Martini, em Salvador. Lá sinto que estou segura. Uma biblioteca é sempre importante! Se você ainda não conhece, eu te convido a embarcar nesse universo. 

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) é um dos projetos mais importantes de articulação entre leitores e bibliotecas no Brasil. Publicamos aqui resenhas de livros escolhidos por jovens que frequentam a Biblioteca Comunitária  Sandra Martini (BA). Contamos com eles para manter acesa a chama da leitura! Conheça e saiba como apoiar a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias no site rnbc.org.br e a ong Vaga Lume no site vagalume.org.br

Este texto foi realizado com o apoio do Itaú Cultural.

Quem escreveu esse texto

Maria Eduarda Santos de Pádua

Tem 16 anos, estuda em Salvador (BA)

Giselle Mariana Correia Santos

Tem 15 anos, estuda em Salvador (BA)
 

Matéria publicada na edição impressa #65 em outubro de 2022.