Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: outubro 2022

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

01out2022 - 04h51 | Edição #62

Giulia Evelin dos Anjos Almeida, 12 – Betim (MG)

Viviana Mazza. Malala: A menina mais corajosa do mundo.
Tradução de Luciana Cammarota • Editora Agir • 192 pp • R$ 19,90

Malala era uma menina doce, amorosa e criativa que aos onze anos enfrentou a guerra em seu país e, vendo todas as injustiças que as mulheres sofriam, decidiu levantar sua voz, gritar e lutar pela igualdade — pelos mesmos direitos que os homens tinham.

Dando um basta nas diferenças, ela lutou munida apenas de sua coragem. Sem armas e sem violência, usou suas palavras com educação, mas tinha a força da verdade e da inocência.

Malala teve o apoio de sua família para estudar porque ela queria muito, porém era proibido. Mas sua coragem e sua determinação fizeram com que ela mostrasse ao mundo (e às mulheres e meninas) que tudo poderia ser diferente, que elas não tinham de aceitar tudo que os homens decidiam.

Já recuperada e morando em outra cidade, Malala volta a frequentar a escola, com a decisão de estudar ciências políticas, direitos sociais e leis

Aos dezessete anos Malala foi baleada a mando do Talibã, ficando muito ferida. Depois de três meses de tratamento, seu pai decidiu mudar de cidade para garantir a segurança dele e de Malala. Já recuperada e morando em outra cidade, Malala volta a frequentar a escola, com a decisão de estudar ciências políticas, direitos sociais e leis, para ter todas as ferramentas de que precisava para continuar lutando pela igualdade e pelo direito à educação. E agora todos temem a menina com o livro nas mãos.

Raquel Rodrigues Borges, 16 – Porto Alegre (RS)

Taylor Jenkins Reid. Os sete maridos de Evelyn Hugo.
Tradução de Alexandre Boide
Paralela • 360 pp • R$ 54,90

Os sete maridos de Evelyn Hugo fala sobre tudo que uma pessoa pode fazer por fama, amor, amigos e por uma imagem. Mostra como Evelyn entrou no mundo de Hollywood, o que foi capaz de fazer para permanecer nesse mundo e quanto isso lhe custou.

Já com 79 anos, Evelyn decide contar toda a sua história sem ocultar nada. Sua condição é que uma jovem jornalista, Monique Grand, seja sua escritora. Monique não entende o motivo, mas aceita o convite, e então as duas se juntam para nos prender em uma história envolvente. Enquanto Evelyn conta sua história, nós acompanhamos a vida de Monique, que está passando por um divórcio.

Sete casamentos

Evelyn Hugo teve sete casamentos, e o único que realmente importou não foi assumido: Celia St. James jamais será esquecida — o verdadeiro amor de Evelyn e a personagem que mais sofreu por nossa protagonista. Ler a paixão das duas me fez sofrer junto, e muito. As personagens sofriam e eu acompanhava com o coração na mão pelos erros, ambições, mentiras e verdades da história. A amizade de Evelyn é algo que eu mesma gostaria de ter, depois de ler o que fez por Harry… e foi aí que Taylor me deixou ainda mais obcecada pela história.

Um livro que me prendeu desde a primeira frase. Evelyn não é uma pessoa ruim. Também não é santa. Mas o que a faz ainda mais humana são seus objetivos, que ela nunca deixou de lado. Para chegar aonde queria mudou nome, cor de cabelo e até os maridos. Uma inspiração para os leitores que têm sonhos grandes: Evelyn nunca desistiu, agarrou as oportunidades e teve luxo, fama e amor. E se viu beirando os oitenta anos sem nada.

Maria Fátima A. de Lima, 17 – Vila Petrolina em Caracaraí (RR)

Janaina Tokitaka. ABCDelas.
Ilustrações de Janaina Tokitaka • Companhia das Letrinhas • 64 pp • R$ 54,90

O livro ABCDelas é um livro muito gostoso de ser lido — e que instiga os seus leitores a querer aprofundar seus conhecimentos sobre cada uma das 26 biografias. É, sem dúvida alguma, uma leitura que nos faz querer conhecer e pensar mais não apenas na importância das mulheres que fizeram história, mas, sobretudo, no impacto que as mulheres que estão ao nosso redor têm em nossas vidas.

Os leitores entram em contato com mulheres brancas, negras e asiáticas de diversas partes do mundo, incluindo seis brasileiras

Janaina teve o cuidado de buscar mulheres de várias nacionalidades e etnias — como a aviadora brasileira Anésia Pinheiro Machado, a bióloga inglesa Margaret Elizabeth Fountaine, a oceanógrafa americana Sylvia Earle, a chef francesa Eugénie Brazier, a cientista da computação Katie Bouman. No livro, os leitores entram em contato com mulheres brancas, negras e asiáticas de diversas partes do mundo, incluindo seis brasileiras.

Apesar de a linguagem ser simples e de fácil entendimento — uma vez que este é um livro de literatura infantil —, é nítido que a autora fez questão de não abrir mão de alguns termos mais complexos, como “Inglaterra vitoriana”, “sufragistas” ou “entomologista”. Também é interessante ver o cuidado que a autora teve de explicá-los ao longo do texto.

Maria Rita Santos, 12  – Nova Iguaçu (RJ)

Ruth McNally Barshaw. Diário de aventuras da Ellie:uma viagem fora de série.
Ciranda Cultural • 186 pp • R$ 24,90

Em Diário de aventuras da Ellie: uma viagem fora de série, conhecemos o início das histórias de Eleonor Rabisco, uma pré-adolescente que ama desenhar e tem um diário ilustrado em que escreve sobre sua vida e a de sua família, descrita por ela como “maluca”.

Tudo começa quando seus pais viajam às pressas após um falecimento na família, e ela e seu irmão mais novo são obrigados a ficar um tempo na casa de seus tios, que ela considera praticamente como estranhos. Lá Ellie depara com uma inconveniente viagem para um acampamento, com um tio que fica vermelho como um pimentão quando se estressa, uma tia rigorosa e primos insuportáveis. Desse modo, ela decide ficar o mais longe possível de sua família e passa a narrar todos os detalhes ruins do lugar e de sua companhia em seu diário.

Perdidos na mata

Em uma caminhada, Ellie e seus primos andam por horas e, ao perceber que estão perdidos, decidem trabalhar juntos para voltar ao acampamento antes do anoitecer. No meio da mata sua prima mais nova machuca o pé, obrigando-os a se revezar para carregá-la nas costas, e isso une o grupo ainda mais. No acampamento, sua tia fica tão preocupada que chama a polícia e chora de alívio ao vê-los chegar.

Tudo parece estar indo bem até que seu primo pega o diário escondido, lê para todos e causa a maior briga. Vendo as crianças se desentenderem e Ellie se afastar novamente, sua tia decide conversar com ela, falando sobre suas semelhanças e seu sonho não realizado de cursar arquitetura. Após a conversa os primos fazem as pazes, todos voltam para a casa dos tios em harmonia e, ao chegar, eles se divertem até o retorno dos pais de Ellie. 

Maria Cecília Santos Bispo, 15 – Salvador (BA)

Bethania Nascimento. Betha: a bailarina pretinha.
Ilustrações de Ana Cardoso • Editora Jandaíra • 40 pp • R$ 49,90

O livro fala sobre uma menina negra que se chamava Betha. Ela tinha um sonho de dançar balé e se tornar uma bailarina. No seu primeiro dia de aula, Betha ficou meio assustada, porque ali não tinha nenhuma criança que fosse pretinha como ela. E nas revistas que a professora mostrava não havia nenhuma referência a uma bailarina negra.

A menina até pensou em desistir, mas a sua mãe a incentivou e ajudou a compreender que as crianças negras também podem realizar seus sonhos e ser o que elas quiserem.

Betha passou a se dedicar cada dia mais ao balé. Tinha aulas quase todos os dias. Sua professora resolveu inscrevê-la em uma audição. Betha fez a audição e conseguiu passar, foi daí que tudo começou a acontecer. Viajou pelo mundo com seus colegas de dança, fazendo vários espetáculos. Estava indo muito bem. Depois de muito esforço e dedicação, Betha tornou-se a primeira bailarina negra do Dance Theatre of Harlem.

Depois de muito esforço e dedicação, Betha tornou-se a primeira bailarina negra do Dance Theatre of Harlem. O livro é supernecessário para as crianças negras

O livro Betha: a bailarina pretinha, de Bethania Nascimento, é muito bom e neste momento supernecessário para as crianças negras, pois aborda de uma forma leve e didática a questão da representatividade.

Gabrielle Gomes Silva, 15 – Salvador (BA)

Colleen Hoover. É assim que acaba.
Tradução de Priscila Catão • Galera • 368 pp • R$ 49,90

Este livro fala sobre violência doméstica, situação vivida por muitas mulheres hoje em dia. Eu não consigo nem imaginar o tanto de mulheres que já leram este livro e se identificaram com a personagem Lily Bloom, uma jovem de 23 anos que teve sua infância marcada pela violência doméstica que sua mãe sofria de seu pai.

A história começa a ser contada após a morte de seu pai. E ela sente que sua vida começa a partir de então. Lily mora em Boston, onde trabalha na melhor empresa de marketing, e lá ela conhece algumas pessoas que vão fazer parte dessa história. Uma delas é Ryle, um neurocirurgião ambicioso que só pensa em ter sucesso na sua carreira. Lily sempre se perguntava por que sua mãe não denunciava o pai. Ela prometeu a si mesma nunca passar pelo que sua mãe passou.

Neste livro Colleen Hoover conta sua vida: ela passou pela mesma situação vivida por Lily. Este é um livro que marcou e ainda marca muitos leitores no mundo inteiro. E é como a escritora Kami Garcia diz: “Toda pessoa com coração devia ler este livro”.

História de impacto

Quando eu comecei a ler o livro não imaginava que ele iria impactar tanto a minha vida. No meio eu até pensei em parar, por causa das atitudes de alguns personagens, mas eu não poderia deixar de saber o fim da história. E digo a vocês, com toda a certeza deste mundo, que foi uma das melhores escolhas que já fiz na minha vida. Não me arrependo em nenhum instante, pois este livro me trouxe conhecimentos que eu nem imaginava ter um dia. Por isso indico o livro para as pessoas que buscam mais conhecimento sobre a força de fazer as escolhas certas nos momentos difíceis.

Alexsandro Neves, 17 – Recife (PE)

Taylor Jenkins Reid. Os sete maridos de Evelyn Hugo.
Tradução de Alexandre Boide • Paralela • 360 pp • R$ 54,90

No livro Os sete maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid, acompanhamos o ponto de vista de duas personagens. A primeira, é claro, é Evelyn Hugo, uma famosa atriz de Hollywood conhecida por seus filmes, por sua beleza estonteante e por ter se casado sete vezes. Perto de completar oitenta anos, Evelyn finalmente decidiu contar a sua história — e todos os escândalos nos quais se envolveu durante a sua vida.

É um livro que toca em temas muito delicados — como o preconceito, a violência doméstica e a erotização da mulher

É assim que a segunda personagem principal entra na narrativa: Monique Grant é uma jornalista iniciante e desconhecida que, por alguma razão, é escolhida por Evelyn para poder contar a sua história. O livro é um ótimo meio para nos proporcionar entretenimento graças a sua narrativa inesquecível. Impossível não terminar de ler este livro e não se apaixonar por ele e por seus personagens.

Neste livro você encontrará também alguns temas maravilhosos, como o empoderamento feminino e a representatividade da comunidade lgbtqiap+. Mas, por mais que seja bonito, Os sete maridos de Evelyn Hugo é um livro que toca em assuntos muito delicados — como o preconceito, a violência doméstica e a erotização da mulher.

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) é um dos projetos mais importantes de articulação entre leitores e bibliotecas no Brasil. Publicamos aqui resenhas de livros escolhidos por sete jovens que frequentam a Biblioteca Comunitária Cantinho dos Sonhos (MG), Biblioteca Comunitária do Arvoredo (RS), Biblioteca Alberto Rodrigues (RR), Biblioteca Comunitária Maria Lina (RJ), Biblioteca Comunitária Condor Literário (BA) e Biblioteca Comunitária Educ Guri (PE). Contamos com eles para manter acesa a chama da leitura! Conheça e saiba como apoiar a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias no site rnbc.org.br e a ong Vaga Lume no site vagalume.org.br
Este texto foi realizado com o apoio do Itaú Cultural.

Quem escreveu esse texto

Giulia Evelin dos Anjos Almeida

Tem 12 anos, estuda em Betim (MGmg)

Raquel Rodrigues Borges

Tem 16 anos, estuda em Porto Alegre (RS)

Maria Fátima A. de Lima

Estuda em Caracaraí (RR)

Maria Rita Santos

Tem 12 anos, estuda em Nova Iguaçu (RJ)

Maria Cecília Santos Bispo

Tem 15 anos, estuda em Salvador (BA)

Gabrielle Gomes Silva

Tem 15 anos, estuda em Salvador (BA)

Alexsandro Neves

Tem 17 anos, estuda no Recife (PE)

Matéria publicada na edição impressa #62 em julho de 2022.