Repertório 451 MHz,

451 MHz #16: Bertolt Brecht Brasil

O podcast da Quatro Cinco Um recebe o poeta e tradutor André Vallias e o crítico literário Kelvin Falcão Klein

17abr2020 - 04h51

Está no ar o décimo sexto episódio do 451 MHz, o podcast da revista dos livros! Duas vezes por mês, trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. 

Nesta edição, o apresentador Paulo Werneck recebe o poeta e tradutor André Vallias, responsável pela mais completa edição de poemas de Bertolt Brecht (1898 – 1956) no Brasil, e o crítico literário Kelvin Falcão Klein. Os dois falam sobre a movimentada trajetória de Brecht, sobre um certo “tropicalismo” de sua obra, sua relação com as vanguardas e com a arte popular e outros aspectos ligados à vida e à poética do autor alemão. 

Ouça o episódio aqui e agora: 
 

A página Repertório 451 MHz reúne os links para o último episódio e para os livros citados, listas, além de imagens, sugestões de leitura e outras indicações para se aprofundar nos temas discutidos. 

O podcast 451 MHz pode ser ouvido gratuitamente no site da revista e também nos principais tocadores de podcasts. Ele é publicado na primeira e na terceira sexta-feira de cada mês. 

A apresentação é do editor Paulo Werneck e a direção é da jornalista Paula Scarpin, da Rádio Novelo, start-up de podcasts que produz o 451 MHz para a Associação Quatro Cinco Um. Para contribuir com a realização do podcast, convidamos você a fazer uma assinatura da Quatro Cinco Um, a revista dos livros.

Bloco 1 (6:33)

A conversa deste episódio gira em torno do livro de poesias Bertolt Brecht: Poesias, uma coletânea bilíngue recém-lançada no Brasil pela editora Perspectiva e traduzida do alemão por André Vallias, convidado deste 451 MHz ao lado do crítico literário Kelvin Falcão Klein, colaborador frequente da Quatro Cinco Um — na edição de abril, ele assina o artigo “As sugestões de Brecht”, no qual resenha Bertolt Brecht: Poesias. Vallias é também autor de Heine hein? — Poeta dos contrários (Perspectiva), sobre o poeta romântico alemão Heinrich Heine.

Vallias comenta os percalços para selecionar trezentos poemas em meio a mais de 2 mil que o Brecht deixou espalhados ao longo de sua movimentada vida:. “Brecht tem uma produão imensa, são 2.300 poemas. Fiz uma seleção do que me tocava, mas também do que era representativo das fases. Talvez o mais original dessa antologia seja a maneira como está disposta”.

“Uma coisa muito interessante dessa antologia que o André monotu é o mapa mundi reconfigurado a partir do exílio do Brecht, como se estivesse ali para ilustrar essa trajetória muito específica desse sujeito que tinha pouco cuidado com sua obra e ainda assim fez uma obra tão vasta, tão maníaca, obsessiva”, observa Klein.

Ele comenta também sobre a experiência de exílio de Brecht, cuja esposa era judia, com a ascensão do nazismo. “Tem um poema que fala de quando ele perde a cidadania alemã e descobre isso num jornal estrangeiro. Achei muito interessante como Brecht apreende esse momento de deslocamento subjetivo tão drástico, perder a cidadania, como se isso fosse só mais um obstáculo a ser transposto.” Leia o poema abaixo,

"No Segundo Ano de Minha Fuga"

No segundo ano de minha fuga
Li em um jornal, em língua estrangeira
Que eu havia perdido minha cidadania.
Não fiquei triste nem alegre
Ao ver meu nome entre muitos outros
Bons e maus.
A sina dos que fugiam não me pareceu pior
Do que a sina dos que ficavam.

Vallias comenta sobre o interesse renovado na poesia de Brecht no contexto histórico atual por seu caráter libertário e engajado. “O nome de Brecht está muito vivo. É incrível a quantidade de material sendo produzido, especialmente sobre teatro e teoria da mídia. Ele pensou em coisas como fazer experimentação com rádio. Tem coisas muito surpreendentes.”

Bloco 2 (22:12)

No segundo bloco, os convidados falam sobre a atualidade de Brecht. “O conceito de vanguarda não tem muito sentido para o Brecht. De certa forma, ele raciocina como um artista pop. Interesse para ele ter público, provocar um público. A situação do artista que está à frente de seu tempo não interessa para ele”, diz Vallias.

“Conversei com o Gilberto Gil sobre o livro e ele fez essa mesma coisa”, continua ele. “A experimentação não interessava, o que interessava era tocar no rádio. Ele tinha que ter maneiras de atingir um grande público. Há uma frase famosa do Brecht: ‘A verdade só pode ser difundida com astúcia’. É um pouco essa astúcia tropicalista também, essa coisa de tentar repercutir no público. Você não pode ser paternalista, mas ao mesmo tempo não pode estar muito à frente do público.”

Klein comenta que a coletânea de Vallias mostra um Brecht polifacético, que vai em diferentes direções e não única e exclusivamente na da poesia. “Acho que os principais momentos de recepção crítica valorizaram isso”, diz Klein, citando Walter Benjamin, Roland Barthes e Georges Didi-Huberman entre alguns dos principais críticos do poeta alemão.

Vallias e Kein também falam sobre a mentalidade que Brecht, embora comunista, herdou do pai de gostar de dinheiro e de carros; e sobre sua proximidade com mídias como rádio e jornal como uma linha de força de sua poética.

Parênteses

Companhia das Letras (0:25)

Este episódio do 451 MHz tem o apoio da editora Companhia das Letras. Neste momento em que passamos pela pandemia de coronavírus, a Companhia das Letras lançou a campanha "Leia em Casa", para apoiar as iniciativas de contenção da doença. Como parte da campanha, a editora adiou os eventos presenciais e lançamentos de livros programados para o mês de abril. Eles serão remarcados em um momento mais oportuno.

Todo o atendimento comercial e as ações de divulgação da Companhia das Letras serão mantidos e intensificados. A Companhia das Letras reafirma o compromisso com toda a cadeia de produção e distribuição do livro – com a qual pretende colaborar de modo frequente durante o período difícil que atravessamos.

E você, leitor, se não estiver conseguindo encontrar um título do catálogo da Companhia das Letras, ou não sabe como comprar, procure o auxílio da editora. A Companhia das Letras tem um canal de contato chamado #SocorroCompanhia, que só existe pra te ajudar: escreva para [email protected] ou envie um WhatsApp para o (11) 94292-7189. Com certeza, você encontrará ajuda para localizar o seu livro.

Para contribuir com a rotina das pessoas que vão ficar em casa de quarentena, a Companhia das Letras preparou ainda uma série de newsletters, também chamada "Leia em casa". Nela, os editores vão te dar reflexões e indicações de leitura. No blogdacompanhia.com.br é possível conferir todas as iniciativas do "Leia em casa" e outros conteúdos especiais.
Neste momento de incertezas, se você puder, fique em casa. A Companhia das Letras vai te ajudar a encontrar conforto em um de seus livros. 

451 MHz — Ouvinte entusiasta (20:50)

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Os ouvintes entusiastas desta edição são:

Sandrine Ghys
Julia Guarilha
Leila Lima
Luísa Plastino
Debora Sader
Luiza Martins Werneck

Ficha técnica:
O 451 MHz é uma produção da Rádio Novelo para a Quatro Cinco Um
Apresentação: Paulo Werneck
Direção: Paula Scarpin
Edição: Paula Scarpin e Vitor Hugo Brandalise
Produção: Aline Scudeller e Vitor Hugo Brandalise
Produção musical: Guilherme Granado e Mario Cappi
Finalização e mixagem: João Jabace
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Coordenação digital: Kellen Moraes
Gravado com apoio técnico da Som de Cena (SP).
Para falar com a equipe: [email protected]