Flip,

Notas de Tamara Klink

Convidada da Flip 2022, a velejadora e escritora fala do significado de Paraty na sua vida

25nov2022 - 04h25 | Edição #63

Escrita: Escrevo diários em viagens desde que a minha mãe passou a me obrigar a fazer isso. Para ajudar a lembrar as coisas. Depois, a escrita me ajudou a tomar recuo, me mostrou o poder de controlar a história pela escolha das palavras.

Mar: Vejo o mar como o alpinista vê uma montanha, ou como um médico vê um hospital. É espaço de trabalho e de redefinição. É onde mudo as minhas perspectivas, descubro outras personagens que posso assumir, encontro meus limites. É um espaço de liberdade. Para o mar é indiferente se você é homem, mulher, jovem, velho.

Mulheres navegantes: Estudei relatos de navegação polares. Os diários de homens navegadores reforçam a sua posição de comando no barco, de corajosos. Os de mulheres voltam-se para coisas mais ordinárias e banais. São relatos mais honestos e transparentes.

Nastassja Martin: É uma autora que me inspira e com quem vou dividir uma mesa na Flip. Gostei muito de Escute as feras, que coloca a vítima como protagonista. Se acreditamos que a natureza é desprovida de vontade e intenção, ao longo do livro, Martin nos faz reconhecer uma intenção na natureza. Isso a tira da posição de vítima, pois ela passa a ser escolhida pelo urso.

Paraty: O lugar de partida e chegada das viagens do meu pai. Passamos muitas datas comemorativas lá. É onde começa e termina o mar. O mar é Paraty, é o mar que eu tenho. Carrego memórias afetivas da baía do Jurumirim.

Sardinha: Não poderia ter comprado outro barco. Tinha poucos recursos no início. É pequeno, não é o melhor barco do mundo, tinha um monte de problemas, mas foi o barco que pude comprar. Tenho orgulho do tanto que fizemos com tão pouco. (Paula Carvalho)

Quem escreveu esse texto

Paula Carvalho

Jornalista e historiadora, é autora e organizadora de Direito à vagabundagem: as viagens de Isabelle Eberhardt (Fósforo).

Matéria publicada na edição impressa #63 em outubro de 2022.