Bagagem Literária, Vida literária,
Nada de acumular poeira: doe livros
Conheça caminhos possíveis para repassar seus exemplares adiante e fazê-los chegar a novos leitores
13fev2026Em 2011, um garoto de seis anos chamado Jack Broadmoore, morador de uma pequena cidade de Minnesota, no norte dos Estados Unidos, compartilhou um desejo com a mãe, Amy: que o Dia dos Namorados — 14 de fevereiro nos EUA e em muitos países — também fosse uma data para demonstrar o amor pelos livros. A mãe do menino procurou organizações de incentivo à leitura ao redor do mundo e a ideia acabou dando origem ao Dia Internacional da Doação de Livros, que acontece desde 2012.
Para celebrar a data, a Quatro Cinco Um reuniu sugestões de como doar livros novos ou usados que estão à espera de novos leitores. Mais do que abrir espaço na prateleira, é a oportunidade de compartilhar com outras pessoas histórias de que você gostou muito ou passar para frente aquele livro que você comprou faz tempo e sempre deixa para depois, acumulando poeira e promessas.
Vale lembrar que doação não é descarte. É fundamental verificar se o livro está em bom estado antes de repassá-lo (com todas as páginas, sem mofo e sem rasuras que comprometam a leitura). A ideia é que ele possa conquistar novos leitores.
Como começar
O primeiro passo para realizar uma doação é separar os títulos que irão embora. Essa triagem é fundamental porque o gênero do livro pode acabar determinando seu destino: as instituições, de bibliotecas a projetos comunitários, precisam saber o tipo do material antes de autorizarem recebê-lo no acervo. Da mesma forma, é importante definir a quantidade, para que a instituição saiba se tem condições de acolher os exemplares.
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Caso a rotina não permita dedicar tempo a todas as etapas do processo, há instituições que assumem quase tudo. É o caso do Projeto Ciranda do Saber, que realiza a retirada, faz a triagem dos livros e providencia o envio para organizações parceiras. A localização dos pontos de atuação pode ser consultada aqui.
Mas para onde doar?
Se você mora em uma capital, é provável que encontrar espaços para doação não seja um problema. Para quem não tem essa facilidade, uma boa alternativa são as bibliotecas públicas. O governo federal disponibiliza o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), que mantém um cadastro por estado e município em todo o país — um bom ponto de partida para localizar bibliotecas próximas.
Em São Paulo, o Sistema Municipal de Bibliotecas (SMB) reúne cerca de 148 unidades, oferecendo uma ampla variedade de pontos de doação na capital. O sistema separa até mesmo a distinção de gênero de cada biblioteca, o que facilita a seleção. O programa Pegue, Leve e Leia, da Secretaria Municipal de Cultura em conjunto com diversas bibliotecas da capital, é um exemplo do destino que os títulos repassados pela sociedade podem ganhar, com doações disponibilizadas ao público em diferentes períodos do ano.
Bibliotecas comunitárias
No mesmo estilo, a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) fornece alternativas de norte a sul voltadas à democratização do acesso à leitura e que podem ajudar a dar um direcionamento para seus livros. Entre os projetos listados estão a Rede Amazônia Literária, no Pará, e a Beabah! com Bibliotecas Comunitárias, no Rio Grande do Sul.
Doações também são muito importantes para fortalecer projetos comunitários de incentivo à leitura. O LiteraSampa é uma das redes integrantes da RNBC, que reúne mais de cem bibliotecas em nove estados e traz informação sobre elas em seu site e no aplicativo Mapa de Leitura.
Outra alternativa para doação são os sebos. Em Manaus, no Amazonas, o Império Sebo e Antiquário recebe qualquer tipo de exemplar e ainda oferece ao doador a possibilidade de trocá-los por outros títulos disponíveis nas prateleiras.
No Distrito Federal, o projeto Estante Livre do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) funciona de maneira semelhante: são vários pontos de doação e retirada, sem necessidade de cadastro e com a triagem realizada pela própria organização.
Já no Paraná, o Instituto Pegaí Leitura Grátis promove uma rede de circulação de livros. Basta ir até um dos locais onde o projeto atua, deixar os exemplares nas caixas de coleta ao lado das estantes e quem sabe até sair com uma nova leitura.
Entre bibliotecas públicas, iniciativas comunitárias e redes de troca, um livro pode ganhar novos percursos e outros leitores. Às vezes, tudo o que ele precisa é mudar de estante.
