A FEIRA DO LIVRO 2026,
Tudo bem ter maus hábitos, diz autor do best-seller ‘O poder do hábito’
Charles Duhigg explicou, n’A Feira do Livro, como garantir um diálogo efetivo, tema de seu livro mais recente
02jun2026 • Atualizado em: 07jun2026Charles Duhigg é viciado em açúcar. Adora tomar um drink de vez em quando. E nem sempre consegue ser o pai atencioso que gostaria.
São maus hábitos, é claro. Mas tê-los não é um problema, disse o escritor e jornalista norte-americano n’A Feira do Livro na segunda-feira (1º). “Está tudo bem ter maus hábitos. Eles não significam que você seja uma má pessoa”, garantiu em uma conversa com a consultora criativa Cris Naumovs no Palco da Praça. A conversa teve tradução simultânea de Ramon de Barros.
A declaração ganha força quando se leva em conta quem é Duhigg. Ganhador do Pulitzer, o jornalista é autor de O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios (trad. Rafael Mantovani, Objetiva, 2012), que vendeu mais de um milhão de exemplares só no Brasil.
Segundo ele, mais importante do que tentar banir os maus hábitos é reconhecê-los e agir para compensá-los — por exemplo, comprometendo-se a se exercitar logo depois de comer uma sobremesa. É verdade que a primeira parte talvez seja mais complicada do que parece.
Duhigg afirmou que os hábitos estão posicionados entre dois outros elementos: os gatilhos, que acionam os comportamentos habituais em questão, e as recompensas. Por isso, quando queremos mudar um costume, o ideal é reconhecer o que o desperta e o que é gerado como compensação. Mas isso nem sempre é evidente, já que ambos podem ser inconscientes.
Além disso, acrescentou o autor, nem todos os hábitos são iguais. Daí a importância de identificar os chamados hábitos angulares. Estudos científicos indicam que, quando estes são modificados, produzem um efeito cascata, influenciando uma série de costumes relacionados. Um exemplo que ele dá no livro e resgatou durante a conversa foi o de uma mulher obesa endividada que, ao desistir de fumar, enfim conseguiu emagrecer e quitar suas dívidas.
Criando conexões
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Duhigg já disse em outras ocasiões que credita o sucesso de suas obras à força dos achados científicos em que elas se baseiam. O poder do hábito, por exemplo, tem quase cem páginas de notas listando as pesquisas citadas e as entrevistas realizadas especificamente para a escrita do livro.
Durante a conversa com Naumovs, o escritor contou que muitas vezes o que o faz buscar a ciência são questões pessoais. Sua publicação mais recente, Supercomunicadores: como desbloquear a linguagem secreta da comunicação (trad. Cássio de Arantes Leite e Débora Landsberg, Objetiva, 2024), por exemplo, teve origem na frustração que ele sentia ao conversar com a esposa ao chegar em casa do trabalho.
Ele costumava usar esses momentos para reclamar do seu trabalho como jornalista. Sua esposa reagia dando conselhos práticos para resolver as situações relatadas. Mas isso por algum motivo o desapontava. Foi só depois de questionar uma série de especialistas que ele entendeu que nessas conversas não queria soluções, mas empatia.
“O objetivo de Supercomunicadores é explicar às pessoas como podemos reconhecer a distinção entre esses tipos de conversas e trabalhar para que, ao falar com alguém, tenhamos certeza de que estamos tendo o mesmo tipo de conversa. É assim que encontramos conexão.”
Conexões genuínas são, aliás, a chave para um diálogo bem-sucedido de acordo com o autor. Ele reiterou isso em diversos momentos do painel, destacando a importância de escutar ativamente e de pôr-se em uma condição de vulnerabilidade para construir vínculos.
Disse ainda que a conexão genuína funciona inclusive para conversar com indivíduos com crenças políticas diferentes das nossas em tempos de intensa polarização, como os que Estados Unidos e Brasil vivem hoje.
“Meu desafio para vocês é que, da próxima vez que virem aquele primo ou tio bolsonarista, perguntem o que o atrai tanto em Bolsonaro. Não tentem mudar a cabeça dele ou convencê-lo de que está errado. Só busquem entender. Prometo que a conversa ficará muito melhor.”
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21hA Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.