A FEIRA DO LIVRO 2026,
Camilo Rocha e Gaía Passarelli revisitam as pistas que formaram a noite paulistana
Jornalistas conversaram sobre o que fez a música eletrônica florescer em São Paulo
03jun2026Os jornalistas Camilo Rocha e Gaía Passarelli acham que provavelmente se conheceram no Hell’s Club, o after-hours, na esquina da rua Estados Unidos com a Augusta, que marcou a cena da música eletrônica em São Paulo nos anos 90. Música e memória embalaram a conversa da dupla com a mediadora Laura Pereira Lima, jornalista da revista Veja São Paulo, na mesa Retratos da noite paulistana, no Palco da Praça, na terça-feira (2).
“O Hell’s era uma experiência estética muito radical, inclusive para os padrões de hoje”, lembrou Passarelli. “Era uma caixa escura, mais ou menos do tamanho disso aqui [um palco de 50 metros quadrados], totalmente preta, com um estrondo superforte, uma luz vermelha e teto muito alto. E o principal, uma mistura muito interessante, pacífica, de pessoas que tinham passado ao longo da noite por vários lugares e tinham acabado ali”, descreveu a autora do recém-lançado Deslumbre: histórias de obsessão musical (Terreno Estranho).
Rocha lembrou que o espaço, como esperado para um after, funcionava até às 10, 11 horas da manhã de domingo, em pleno Jardins. “Era uma coisa totalmente inédita”, disse ele, que radiografou mais de três décadas de transformações na cultura da cidade em Bate-Estaca: como DJs, drag queens e clubbers salvaram a noite de São Paulo (Veneta, 2024).
Por que o techno floresceu tão bem em São Paulo? A cidade pede uma válvula de escape, na visão de Passarelli. “Tem uma coisa em São Paulo que tem a ver com noite, seja de música eletrônica ou não. São Paulo é uma cidade muito dura, cara — difícil de ganhar dinheiro, de circular. É uma cidade onde as pessoas precisam extravasar de alguma forma.”
Para Rocha, “São Paulo sempre foi uma cidade muito aberta para o que vem de fora — para o bem e para o mal. Às vezes é uma coisa deslumbrada, mas é mais multicultural”.
Centro selvagem
O centro mais selvagem e aventureiro cedeu lugar a uma região que segue interessante, mas gentrificada. Passarelli afirmou não estar surpresa, já que São Paulo está em constante transformação, mas confessou: “Meu medo é que o centro vire uma grande Vila Madalena — nada contra a Vila Madalena, eu cresci lá”, se apressou para completar.
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Rocha recordou o processo pelo qual passou o Baixo Augusta e apontou que a Barra Funda pode ter o mesmo destino. “O lugar passa a ser hypado, é considerado cool. Não tinha nada antes — o Baixo Augusta era superdegradado.”
“Começaram a instalar casas noturnas lá, a região passou a ser considerada mais legal, atraiu gente de fora, vieram os empreendimentos imobiliários e construíram uma porção de coisas”, disse o autor. “Isso vai matando a vida noturna. Hoje, no Baixo Augusta, não tem praticamente mais nada.”
Toca discos
As mudanças decorrentes da tecnologia no consumo da música e como isso alterou os hábitos sociais também foram tema da conversa.
Com a internet engatinhando e nenhum sinal de smartphones ou streamings de música, quem quisesse ouvir determinada faixa e não tinha o disco em casa ou não conhecia quem tivesse precisava ir à balada e torcer para o DJ tocá-la.
Falando neles, Passarelli disse que nunca perdeu o deslumbre — daí o título do seu livro — gerado por dois toca-discos mixando. “Isso também é instrumento musical. Quem tentou mixar sabe que é difícil — é uma arte mesmo.”
Rocha ainda falou da volta do vinil, movimento que vem se consolidando na última década, e do surgimento dos listening bars em São Paulo — onde há “pouco listening” e muita pista, na avaliação dele, mas com bons DJs.
Na era do streaming, com “tudo disponível sempre”, Rocha enxerga a perda daquele momento especial de consumir uma mídia física. Por outro lado, ponderou Passarelli, essa torrente de possibilidades “fortalece a presença do DJ, ou do radialista, ou dos críticos e jornalistas, porque, mais do que nunca, precisamos de filtros”.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.