Para John

Joan Didion

Trad. Marina Vargas Editora HarperCollins Brasil // 224 pp • R$ 89,90

Descobertas no escritório da jornalista após a sua morte — fato que levou este volume a ser amplamente criticado quando de sua publicação —, as anotações aqui reunidas tinham como objetivo repassar a John, o marido de Didion, o conteúdo das sessões de psicanálise queo casal frequentava a pedido da filha e nas quais ele não pôde estar presente.

Trecho:

“Mas e se não der certo?, perguntei.

‘É bem possível que não dê’, disse ele. ‘É a vida. Ela está aprendendo a vivê-la. Você pode ajudar compartilhando a alegria dela enquanto durar — se mantendo otimista. Seu otimismo pode ter um efeito real sobre ela. Ela pode usá-lo. Isso pode deixá-la mais esperançosa e dar a ela recursos para lidar com os próprios períodos depressivos. Você não precisa ficar sempre preocupada com o próximo problema. O fato de estar alerta não vai fazer com que o problema desapareça. Ele vai continuar lá. Você tem medo de não estar preparada para o problema se não o antecipar, mas vai estar. A adrenalina entra em ação. Você age. E, enquanto isso, terá sido feliz. O que fortalece você para enfrentar os problemas — e também fortalece ela.’

Eu disse que, depois de uma vida inteira me preocupando com problemas futuros — ou, como sempre pensei, ficando de olho no que poderia vir —, não via como poderia parar agora.”

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