Livraria do Jardim
Falar do cenário cultural recifense é, inevitavelmente, passar pelo bairro da Boa Vista. Na margem do Capibaribe, está o Cinema São Luiz; nas vielas vizinhas, o Teatro do Parque e o Pátio de Santa Cruz, cercado por antigos sobrados coloniais.
O bairro coleciona memórias da boemia e marcos arquitetônicos da capital pernambucana, como o Hotel Central, que em 1928 tornou-se o primeiro arranha-céu do Recife. Partindo dele, é só atravessar a avenida Manoel Borba para chegar à Livraria do Jardim, que hoje carrega um pouco da tradição livreira da região.
Entre as décadas de 1970 e 2000, a Boa Vista sediou a Livro 7, reconhecida pelo Guinness Book como a maior livraria do Brasil no período. Aquele pedacinho do Recife sempre foi ponto de encontro de poetas, artistas e intelectuais, e a Livraria do Jardim é um dos espaços culturais que ajuda a perpetuar esse imaginário local.
A história do negócio teve início em abril de 2022, mas suas raízes começaram a ser fincadas bem antes. Diferentes gerações da família de Carolina Tavares, responsável pela comunicação e marketing da livraria, já se dedicavam ao comércio de livros didáticos e papelaria desde os anos 90.
Integrando o grupo Varejão do Estudante, especializado em publicações voltadas ao setor escolar, a livraria mantém até hoje um local dedicado a esse segmento.
“A nossa ideia é que cultura passa por literatura, mas não é só literatura. Por isso, a gente vem construindo um espaço para receber espetáculos de cinema, de dança, feiras, atividades para o público infantil e apresentações musicais”, conta Carolina, referindo-se aos eventos da livraria. Lançamentos de livros e debates com autores são constantes e a programação pode ser acompanhada nas redes sociais.
O ambiente amplo convida desde a entrada a um passeio sem pressa entre os largos corredores separados por estantes. Como as prateleiras são baixinhas, todos os visitantes conseguem alcançar sem maiores dificuldades os títulos disponíveis, vendidos também pela internet, no site do Varejão do Estudante.
Com um acervo de cerca de 80 mil títulos abrigados em 3 mil m², a livraria apresenta um catálogo amplo e diverso. Há seções dedicadas à filosofia, sociologia e gastronomia, por exemplo, mas o protagonismo é da literatura, que ocupa a maior parte das estantes.
A curadoria intercala as novidades do mercado editorial brasileiro com publicações mais antigas, tanto nacionais quanto internacionais. Além de grandes casas editoriais, o catálogo inclui publicações de editoras independentes — um atrativo importante para os leitores recifenses, que em anos recentes só costumavam ter acesso a esses títulos pela internet ou em feiras literárias.
Na área central da livraria, há ainda uma seção exclusiva para autores pernambucanos, que reúne publicações de diferentes gêneros literários produzidas por artistas locais. A iniciativa, inclusive, recebeu uma menção honrosa da Câmara de Vereadores do Recife. Outra seção que merece destaque é a “Narrativas Plurais”, que valoriza o protagonismo de vozes femininas e negras e histórias afroatlânticas e indígenas.
A escolha do nome, Livraria do Jardim, é explicada por um tesouro de 600 m² guardado na parte posterior do terreno, que também recebe atividades culturais. Ali, imponentes árvores, preservadas desde a aquisição do espaço para a construção da livraria, abrigam um refúgio verde em pleno centro da cidade. O ambiente silencioso e florido fica coladinho ao Celeste Café, onde leitores se reúnem e podem experimentar os diversos tipos de cafés oferecidos no cardápio.
Informações atualizadas em 12/02/2026
Instagram www.instagram.com/livrariadojardim/
Endereço Avenida Manoel Borba, 292 - Boa Vista - Recife - PE - Brasil - 50070-000
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