A FEIRA DO LIVRO 2026,
Com praça lotada, ‘Foro de Teresina’ discute terrorismo, eleições e o rombo do Banco Master
Designação de CV e PCC como terroristas pelos EUA foi tema de episódio ao vivo do podcast n’A Feira do Livro
31maio2026 • Atualizado em: 07jun2026A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos e os impactos disso nas eleições presidenciais brasileiras foram tema do episódio ao vivo do Foro de Teresina, podcast de política da revista Piauí, n’A Feira do Livro neste sábado (30). Uma multidão lotou o Palco da Praça e tomou toda a praça Charles Miller para ver os apresentadores Ana Clara Costa, Celso Rocha de Barros e Fernando de Barros e Silva.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, busca levar crédito pela decisão do governo Trump, mas, segundo Ana Clara Costa, ele estava ciente da iminência do anúncio quando planejou sua viagem a Washington. A ideia era justamente sugerir que seu encontro com o presidente americano, Donald Trump, foi crucial para a promulgação da medida.
O cientista político Celso Rocha de Barros, o “casca de bala”, como é conhecido pelos ouvintes, fez piada com o episódio. “O melhor argumento para classificar essas organizações como terroristas é a ligação delas com o Bolsonaro”, disse.
Rocha de Barros se referia às possíveis relações de Flávio Bolsonaro com pessoas ligadas ao CV e ao PCC. Ele lembrou que o senador tem fotografias com o deputado estadual Rodrigo Bacellar, suspeito de ser líder do núcleo político do CV. E acrescentou que as informações que vieram à tona recentemente, sobre os vínculos do pré-candidato com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também apontam para isso, uma vez que o banco estava intimamente ligado à Reag, gestora suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
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Rocha de Barros disse acreditar, porém, que os efeitos políticos da classificação serão menores do que o esperado. Em parte, devido à reação do governo Lula ao anúncio. Embora o petista siga sem reconhecer o CV e o PCC como terroristas, ele contrariou as expectativas bolsonaristas ao usar, em uma nota oficial, a palavra “terror” para descrever a atuação das organizações, esquivando-se de ser acusado de conivência com elas.
“Para a maior parte da população, o debate é este: se você é contra chamar de terrorista, é porque você não acha tão ruim assim”, disse.
Por outro lado, Rocha de Barros acredita que a revelação dos áudios que mostram a intimidade de Flávio Bolsonaro com Vorcaro é impactante demais para ser obscurecida. O apresentador se disse impressionado com o favoritismo do filho do ex-presidente na direita mesmo diante de um escândalo dessa magnitude. “É uma demonstração da falência dos mecanismos de geração de lideranças dentro da direita”, comentou.
Caso Master
A edição ao vivo do Foro de Teresina já tem a tradição de lotar o Palco da Praça. Os visitantes que tomaram as laterais do palco para tietar o trio de apresentadores puderam, desta vez, participar do quadro “Kinder Ovo”, em que os mediadores tentam adivinhar as figuras públicas por trás das vozes reproduzidas em clipes sonoros. Em duas das três rodadas, quem venceu foi o público.
O segundo bloco do podcast foi dedicado à discussão do Caso Master. Ana Clara Costa destacou os esforços para salvar o BRB (Banco de Brasília) nesta semana.
O BRB repassou milhões para o banco de Daniel Vorcaro em troca de “títulos totalmente inexistentes, fabricados para justificar a transação”, segundo a jornalista. A quebra afetaria, entre outros, servidores e fundos de previdência locais, o que levou a administração a articular uma injeção de R$ 6 bilhões provenientes do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) no banco.
Rocha de Barros citou o rombo de R$ 3 bilhões deixado pela transferência de valores para o Master provenientes do Rioprevidência, investimento do estado fluminense em aposentadorias. “O dano total desse escândalo é gigantesco; ainda estamos na fase de computar. O céu é o limite para o tamanho desse negócio.”
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21hA Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
Nota da Associação: essa mesa foi realizada com o apoio de Piauí e teve interpretação de libras da EducaLibras.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.