Listão,
O que vem de bom em 2026
Estão na seleção lançamentos para os 70 anos de Grande sertão: veredas, autores nacionais e internacionais em evidência e temas inescapáveis do debate eleitoral
19dez2025 • Atualizado em: 09jan2026O ano de 2026 promete quando se trata de literatura, com uma vasta seleção de lançamentos de escritores contemporâneos premiados e romances aguardados de grandes nomes internacionais chegando ao Brasil. Além disso, autores renomados se aventuram em novos gêneros literários e outros, menos conhecidos, têm suas obras resgatadas. Na não ficção, títulos celebram efemérides e tratam de assuntos atuais, como IA, eleições e meio ambiente, e biografias perfilam personalidades.
Da safra brasileira, lançam novas obras os escritores contemporâneos Mariana Salomão Carrara, pela Todavia; Eliane Marques, pela Autêntica Contemporânea; e Natalia Timerman e Luiz Ruffato, pela Companhia das Letras — editora que ainda prepara uma antologia de contos de Carolina Maria de Jesus com alguns inéditos.
A filósofa Marilena Chaui estreia na ficção com a narrativa apocalíptica Guerra perfeita, a ser lançada pela Planeta Minotauro. E o poeta Leonardo Fróes, morto este ano, tem seus Ensaios reunidos publicado pela Editora 34.
De fora, vêm alguns dos trabalhos mais recentes de Patti Smith (Pão dos anjos: a história da minha vida) e Thomas Pynchon (Dossiê fantasma), pela Companhia das Letras; Haruki Murakami (A cidade e suas muralhas incertas), Emmanuel Carrère (Kolkhoze), pelo selo Alfaguara; Mariana Enríquez (Um lugar ensolarado para gente sombria), pela Intrínseca; Ali Smith (Gliff), pela Amarcord; e Domenico Starnone (Destinazione errata, no original), pela Todavia.
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A Todavia também prepara uma edição de A carne, de Rosa Montero, publicado originalmente em 2006, para o primeiro semestre, e uma conversa entre o autor-fenômeno francês Édouard Louis e o cineasta britânico Ken Loach sobre a relação entre arte e política (Dialogue sur l’art et la politique, no original), para o final do ano.
A Fósforo segue o seu projeto de editar a obra de Annie Ernaux com a publicação, nos próximos meses, do romance de estreia da Nobel francesa, Os armários vazios. A Elefante prepara uma série de livros de bell hooks lançados originalmente entre os anos 90 e 2000, começando por Questões de classe: o lugar que ocupamos. E a Editora 34 traduz um relato em primeira pessoa de Cristina Peri Rossi sobre a sua amizade com o argentino Julio Cortázar — dois livros da escritora uruguaia, A insubmissa (Bazar do Tempo) e Nossa vingança é o amor (Editora 34), foram eleitos como os melhores do ano em ficção estrangeira e poesia, nesta ordem, pelos colaboradores da revista dos livros.
A Quatro Cinco Um preparou uma série de listas temáticas com obras que prometem influenciar os debates literários do ano. Confira abaixo quais são elas, e acompanhe a chegada dos títulos (e de outros lançamentos) às livrarias através da newsletter Listão da Semana e do Listão mensal das edições impressa e digital da revista.
A equipe da revista entrou em contato com 67 selos editoriais, e incluiu títulos de 36 deles nesta reportagem. As datas de lançamento podem sofrer alterações.
Efemérides
Grande sertão: veredas completa setenta anos de lançamento; comemora-se um século de nascimento do filósofo Michel Foucault; e a morte de Agatha Christie, tão misteriosa quanto os seus romances, faz cinquenta anos.
Assombrações mortais; Casos mortais; Mistérios de inverno; Mistérios de verão. Agatha Christie. HarperCollins. [Janeiro]
A rainha do crime, cujo O mistério dos sete relógios (HarperCollins, 2025) ganha uma série da Netflix já em janeiro, continua tendo a sua obra completa lançada pela editora no Brasil. Estas antologias de contos, no caso, serão vendidas exclusivamente nas lojas físicas pelas redes Leitura e Curitiba.
Para ler Grande sertão: veredas. Ítalo Moriconi. Autêntica. [Abril]
O crítico literário propõe um guia de leitura do clássico de Guimarães Rosa.
Sertão: Veneza. Jacques Fux. Autêntica. [Abril]
Explora a importância da viagem do escritor à Veneza para a escrita de Grande sertão.
Genealogias da sexualidade. Michel Foucault. Ubu. [Sem previsão de mês de lançamento]
Texto inédito de um dos mais influentes filósofos do século 20, fruto de uma série de cursos que ele ministrou na Universidade de São Paulo (USP).
Autores nacionais em ascensão
Escritores que lançam trabalhos de ficção promissores após suas primeiras obras chamarem a atenção no mercado editorial.
Da morte sua. Bruno Crispim. Faria e Silva. [Fevereiro]
Um dos romances finalistas da última edição do Prêmio Kindle de Literatura ganha uma edição física. A trama explora como a lógica patriarcal pode ser nociva para os próprios homens ao mostrar um homem que, incapaz de lidar com a perda da esposa durante o parto da filha, abandona a recém-nascida no hospital.
Lá é o tempo. Maria Fernanda Maglio. Todavia. [Março]
Vencedora dos prêmios Jabuti em 2018 na categoria de contos por Enfim imperatriz e Biblioteca Nacional de poesia em 2020 por 179 Resistência e finalista do Oceanos 2022 pelos contos de Quem está vivo levanta a mão, todos publicados pela Patuá, lança agora pela Todavia seu novo romance, “um thriller poético” em que o grande personagem é o tempo.
Gaiolas de concreto armado. Paula Novais. Dublinense. [Março]
Acompanha a improvável amizade entre duas mulheres de gerações diferentes, moradoras de um mesmo prédio em Copacabana, durante a pandemia. O romance é publicado após vencer o último Prêmio Caminhos de Literatura, o que também garantiu seu lançamento em Angola, pela editora Kacimbo.
O dono e o mal. Bruno Ribeiro. Alfaguara. [Maio]
O autor de Porco de raça (Darkside), finalista do Jabuti em 2022 na categoria entretenimento, constrói um romance de época passado durante a construção da Transamazônica. Nele, uma família negra é acossada por um espírito branco colonizador.
Mulher-dama. Bethania Pires Amaro. Record. [Junho]
Vencedora dos prêmios Sesc de Literatura e Jabuti por seu livro de estreia, a coletânea de contos O ninho, a escritora pernambucana lança este romance sobre uma lenda urbana de Salvador, a “mulher de roxo” que supostamente andava pelas ruas do centro histórico da capital baiana entre os anos 60 e 90.
Títulos estrangeiros aguardados
Livros que chegam ao país depois de vencerem ou chegarem às últimas rodadas de seleção de prêmios importantes no exterior.
Um dia, todos sempre terão sido contra isso. Omar El Akkad. WMF Martins Fontes. [Março]
Vencedor da categoria de não ficção do National Book Award em 2025, o título deriva de uma postagem viral que o seu autor, um jornalista egípcio que hoje vive nos Estados Unidos, publicou em 2023, três semanas após o início dos bombardeios a Gaza. Em dez ensaios, ele entrelaça sua história pessoal de exílio com uma argumentação mais ampla contra a ideia de que o liberalismo ocidental tenha sido, de fato, liberal.
Depois deles seus filhos. Nicolas Mathieu. Nós. [Abril]
O romance vencedor do Goncourt em 2018 explora um lado menos conhecido da França ao mostrar os dramas vividos por um adolescente ao longo dos quatro verões que o separam da vida adulta.
Seascraper (título original). Benjamin Wood. DBA. [Junho]
Um jovem que reprime o sonho de ser músico passa a alimentá-lo depois que um produtor hollywoodiano surge em sua cidadezinha. Semifinalista do Booker Prize deste ano, o livro foi descrito pelo jornal britânico The Times como um romance que “desperta os sentidos”, e seu autor, como “um dos melhores romancistas britânicos de sua geração”.
The Loneliness of Sonia and Sunny (título original). Kiran Desai. Companhia das Letras. [Julho]
Vencedora do Man Booker Prize em 2006 por The Inheritance of Love, a escritora foi finalista do Booker Prize 2025 com esta história sobre dois jovens imigrantes indianos nos Estados Unidos que se encontram por acaso em um trem. O romance foi considerado “um épico de amor e família” pelo júri do prêmio.
O coração da noite. Nathacha Appanah. Bazar do Tempo. [Sem previsão de mês de lançamento]
Em seu novo romance, a escritora e jornalista mauriciana radicada na França mergulha num tema urgente e atual, o dos feminicídios, ao retratar o percurso de três mulheres vítimas da violência de seus companheiros. Livro vencedor do Prêmio Femina de 2025, um dos principais da literatura em língua francesa.
Personalidades em foco
Figuras que têm suas trajetórias abordadas sob novas perspectivas.
Garota de ninguém. Virginia Roberts Giuffre. Objetiva. [Março]
Autobiografia de uma das vítimas mais proeminentes do esquema de tráfico sexual financiado pelo bilionário Jeffrey Epstein. O relato, que inclui uma narração do período em que a autora foi explorada, dos dezesseis aos dezenove anos, foi encontrado após ela se suicidar, em abril deste ano, acompanhado de um bilhete em que ela afirmava desejar a publicação dos escritos.
Dercy, a diva debochada. Adriana Negreiros. Objetiva. [Maio]
A autora de Maria Bonita: sexo, violência e mulheres no cangaço (Objetiva, 2018) parte da longa trajetória sob os holofotes da atriz que, morta aos 101 anos, jamais abandonou o humor escrachado para traçar um panorama da opinião pública sobre as mulheres brasileiras ao longo do século 20.
Orlando jogador (título provisório). Joel Paviotti. Planeta. [Junho]
O pesquisador especializado em segurança pública se debruça sobre a trajetória de um dos fundadores do Comando Vermelho, Orlando da Conceição, cujo assassinato por um rival culminou na disputa de territórios que marca até hoje a dinâmica das facções criminosas no Rio de Janeiro.
Ghost Stories: A Memoir (título original). Siri Hustvedt. Companhia das Letras. [Junho]
A premiada autora compila as memórias dos 43 anos que viveu ao lado do marido, o também escritor Paul Auster, morto em 2024 devido a complicações de um câncer de pulmão. Mesclando trechos de diários, e-mails, bilhetes e cartas antigas, ela compõe um retrato íntimo do amor, da doença e do luto. Inclui ainda um último texto escrito pelo autor de A trilogia de Nova York (Companhia das Letras, 1999).
Sem título definido. Jotabê Medeiros. Todavia. [Julho]
O jornalista e crítico musical, autor das biografias de Roberto Carlos, Belchior e Raul Seixas, publicadas pela mesma editora — e do romance, também inspirado no universo da música, A culpa é de Lou Reed (Reformatório) — , prepara agora a biografia do rei do Baião, Luiz Gonzaga.
Resgate
Volumes que recuperam a obra de autores que são bem-vindos ao voltar ao debate público, incluindo reedições e traduções tardias para o português.
Mother Night (título original). Kurt Vonnegut. Intrínseca. [Abril]
A editora repete a estratégia promovida neste ano com a obra de Patricia Highsmith, autora de O talentoso Ripley (Intrínseca, 2025), e reedita uma série de livros do escritor estadunidense (1922-2007). A seleção inclui Mother Night, publicado no Brasil dos anos 1970 sob o título de O espião americano e há muito fora de catálogo, e o clássico Matadouro-Cinco, um libelo contra a guerra.
O cavaleiro e a noite. Fadwa Tuqan. Tabla. [Maio]
Se Mahmoud Darwich é o poeta nacional da Palestina, Tuqan é a “mãe da poesia” local — palavras dele. A escritora (1917-2003) tem sua obra publicada pela primeira vez no Brasil neste volume, que pinça textos de dois livros dela, um de 1969 e um de 1973, que tratam do tema da resistência nacionalista.
Sem título definido. Mary Oliver. Círculo de Poemas. [Maio]
Devotions (título original). Mary Oliver. José Olympio. [Agosto]
Adorada pelo público — alguns de seus livros estão em listas de mais vendidos —, mas percebida com certa reticência pela crítica especializada, a poeta estadunidense (1935-2019) conhecida por sua observação atenta da natureza ganha as suas primeiras traduções para o português, com a Círculo de Poemas publicando uma antologia dela no primeiro semestre e a José Olympio um de seus trabalhos mais recentes no segundo.
Black Boy (título original). Richard Wright. Companhia das Letras. [Junho]
Depois de Filho nativo (Companhia das Letras, 2024), descrito por James Baldwin como “a afirmação mais poderosa e célebre que já tivemos do que significa ser negro nos Estados Unidos”, a Companhia publica o livro de memórias do autor estadunidense (1908-1960). Nele, Wright narra a experiência de crescer como neto de escravizados no Sul racista. A editora lança ainda um inédito de Baldwin em abril, Ninguém sabe o meu nome.
Cântico dos cânticos. Ângela Lago. Baião. [Sem previsão de mês de lançamento]
Considerada a obra-prima da escritora e ilustradora vencedora dos prêmios Jabuti e da Bienal de Bratislava, o título faz parte da série de novas edições que comemoram os oitenta anos de seu nascimento. Nesta obra, a autora, famosa por seus livros ilustrados, cria desenhos que formam inventivos jogos visuais.
Esquenta para as eleições
Livros que, ao abordarem assuntos caros ao panorama socioeconômico brasileiro, contribuem para os debates acerca da disputa presidencial.
Como os tiranos caem: e como as nações sobrevivem. Marcel Dirsus. Rocco. [Março]
Eleito um dos livros de 2024 pela revista britânica The Economist, investiga as circunstâncias que determinaram a queda de déspotas ao longo da história, da França napoleônica ao Iraque de Saddam Hussein.
Por trás do grampo (título provisório). Lincoln Gakiya. Planeta. [Abril]
O promotor de Justiça paulista, jurado de morte pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), compartilha o que aprendeu sobre a estrutura e a operação do grupo ao longo das duas décadas em que o vem investigando.
Sem título definido. Conrado Hübner Mendes, Lucas Petroni e Fernando Romani Sales (org.). Tinta-da-China Brasil. [Maio]
Os organizadores, pesquisadores do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (Laut), convidaram outros professores e pesquisadores para formular uma agenda de “desradicalização autoritária” para o país com base em experiências internacionais e brasileiras.
O exílio (título provisório). Márcia Tiburi. Planeta. [Julho]
A escritora, candidata do PT (Partido dos Trabalhadores) ao governo do estado do Rio de Janeiro em 2018, narra como as ameaças de morte que sofreu a levaram a deixar o país naquele ano e como foi acompanhar a política brasileira do exterior desde então.
Libido e sujeição. Vladimir Safatle. Ubu. [Sem previsão de mês de lançamento]
O filósofo e escritor argumenta que o fascismo é em certa medida inerente aos modos contemporâneos de organização social, daí a onda de movimentos de extrema direita observados no Brasil e no mundo.
Ponto fora da curva
Personalidades de dentro e de fora do mundo dos livros se aventuram por gêneros literários com que têm pouca familiaridade.
Geração ansiosa. Jonathan Haidt. Companhia das Letrinhas. [Março]
O psicólogo estadunidense lança a versão infantojuvenil de seu best-seller A geração ansiosa: como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais (Companhia das Letras, 2024). Junto à escritora Catherine Price e à quadrinista Cynthia Yuan Cheng, ele incentiva uma infância menos dominada pelas telas e com escolhas mais conscientes quanto ao uso de smartphones, além de reunir depoimentos de jovens que se arrependeram de ter tido acesso precoce a essas tecnologias.
A sociedade secreta das tias e tios. Jake Gyllenhaal e Greta Caruso. Rocquinho. [Maio]
O ator hollywoodiano se juntou a uma amiga de velha data em sua primeira incursão na literatura. O livro, dedicado às suas sobrinhas, reflete sobre o papel dos tios e tias na educação das crianças — uma atribuição que, segundo ele, envolve incentivá-las a enfrentar seus medos e expô-las a uma “dose saudável de perigo”.
Anunciação. Alceu Valença. Tatu-Bola. [Julho]
A editora inaugura sua coleção de livros infantis baseados em letras de músicas brasileiras com uma homenagem ao cantor pernambucano, que completa oitenta anos em 2026.
Gone Before Goodbye (título original). Harlan Coben e Reese Witherspoon. Arqueiro. [Setembro]
Escrito em conjunto com o autor de thrillers best-sellers, marca o primeiro romance da atriz vencedora do Oscar. A trama narra o envolvimento em uma conspiração perigosa de uma cirurgiã que perde sua licença médica após uma série de episódios suspeitos.
A canção dos oito elefantes. Bertolt Brecht. Boitatá. [Sem previsão de mês de lançamento]
O livro infantil é parte da peça A alma boa de Setsuan, escrita pelo dramaturgo alemão em colaboração com Margarete Steffin e Ruth Berlau, e narra a aventura de um menino que, montado em elefantes domesticados, acaba descobrindo uma manada de animais selvagens no meio da floresta.
Horizonte verde
Obras que investigam relações entre a crise ambiental, os modos de vida atuais e o futuro do planeta.
Fitópolis. Stefano Mancuso. Ubu. [Fevereiro]
O neurobiólogo italiano, autor de Revolução das plantas (Ubu, 2019), defende no novo ensaio que, para a humanidade sobreviver, as cidades do futuro devem ser lugares onde a relação entre as plantas e os seres vivos com que elas convivem remeta àquela que encontramos na natureza.
Malária. Carmen Stephan. Tinta-da-China Brasil. [Março]
Inspirado por uma experiência pessoal da jornalista e escritora germânica durante uma temporada na Amazônia brasileira, o romance, que foi premiado na Alemanha, é conduzido pela própria fêmea do mosquito Anopheles, agente transmissor da malária. O animal descreve com ironia o adoecimento do corpo da protagonista e relembra como a doença foi identificada e estudada pela ciência.
Bactérias: as heroínas invisíveis (título provisório). Peter Wohlleben. Sextante. [Setembro]
O engenheiro florestal alemão, autor do inesperado best-seller A vida secreta das árvores (Sextante, 2017), mergulha desta vez no universo das bactérias, explicando como a relação de simbiose que elas estabelecem com outros seres vivos está na base da existência da maioria dos organismos complexos, incluindo os dos seres humanos.
TransEcologia. Brigitte Baptiste-Ballera. Planeta. [Sem previsão de mês de lançamento]
A bióloga colombiana propõe uma ampliação do termo “ecologia”, ou o estudo das relações dos seres vivos entre si e com o ambiente em que vivem, de modo a incorporar a ele causas como o feminismo, o indigenismo e até mesmo o transumanismo, que defende o uso da tecnologia para superar as limitações do corpo humano.
Como as florestas pensam. Eduardo Kohn. Editora 34. [Sem previsão de mês de lançamento]
No ensaio, vencedor do prêmio Gregory Bateson da Associação Americana de Antropologia em 2014 e baseado em sua pesquisa de campo na Amazônia equatoriana, o professor da Universidade McGill analisa como os povos amazônicos interagem com os seres vivos que habitam um dos ecossistemas mais complexos do mundo.
Máquinas pensantes
Livros que examinam o impacto da Inteligência Artificial sobre a sociedade e a cultura.
Desmascarando a inteligência artificial: minha missão para proteger o que é humano em um mundo de máquinas. Joy Buolamwini. Autonomia Literária. [Fevereiro]
Eleito um dos melhores livros de 2023 pelo Los Angeles Times, mostra como a discriminação de raça e de gênero, entre outras, se inscreve nos próprios códigos das ferramentas de IA, reforçando vieses e excluindo da realidade mediada por esses algoritmos parcelas vulneráveis da população.
If Anyone Builds It, Everyone Dies: Why Superhuman AI Would Kill Us All (título original). Eliezer Yudkowsky e Nate Soares. Intrínseca. [Abril]
Os pesquisadores, pioneiros em um campo da IA conhecido como alinhamento — processo em que valores e objetivos humanos são traduzidos para os modelos artificiais de modo a torná-los mais confiáveis — alertam para o fato de que, em nossa busca pela superinteligência, estamos aumentando a probabilidade do surgimento de máquinas com objetivos próprios e que, por isso, podem ameaçar a existência humana.
Nem inteligente, nem artificial. Miguel Nicolelis. Planeta. [Abril]
O médico e neurocientista busca desconstruir os principais mitos sobre a IA, mostrando, de um lado, que os modelos hoje disponíveis são grandemente limitados em termos de raciocínio e, de outro, que o uso irrestrito dessa tecnologia pelos humanos ameaça a sua própria inteligência.
O império da IA: por dentro da corrida inconsequente pela dominação total. Karen Hao. Rocco. [Maio]
Premiada por sua cobertura dos impactos sociais da IA, a jornalista oferece um olhar interno e crítico sobre a OpenAI, empresa por trás do ChatGPT. Em seu relato, ela argumenta que a organização inicialmente vista como altruísta pelo mercado conduz uma nova forma de imperialismo tecnológico ao optar por contratos de trabalho precários e impactar de forma cada vez mais danosa o meio ambiente.
IA em gotas. Glauco Arbix. Seja Breve. [Setembro]
O sociólogo especializado em inovação trata dos desafios e possibilidades introduzidos pelo emprego corrente da IA pela população mais ampla.
