Listão da Semana, Literatura brasileira,

Listão: Paulo Freire

Conheça mais sobre as obras do revolucionário educador pernambucano que é tema do quarto episódio da coleção Narradores do Brasil, do 451 MHz, o podcast da revista dos livros

17set2021 - 07h13 | Edição #49

Paulo Freire escreveu inúmeros livros que têm a educação como tema principal. Para comemorar o seu centenário de nascimento, que acontece neste mês de setembro, e pegando carona no episódio especial do 451 MHz sobre ele, reunimos algumas obras que o educador pernambucano escreveu sobre o tema.
 

Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra.
Pref. Ann E. Berthoff.
Paz&Terra/Record •  272 pp. • R$ 59,90

Escrita com Donaldo Macedo e lançado em 1987, critica velhas teses sobre o letramento e argumenta que a alfabetização é uma política cultural que dá os meios para entender e transformar o mundo.
 

Cartas a Cristina.
Paz&Terra/Record • 416 pp. • R$59,90

O livro reúne dezoito cartas que Paulo Freire enviou à sua sobrinha Cristina, em que conta como se tornou educador. Publicado primeiro em 1994, alia o tom amoroso do tio à sua filosofia de combate às desigualdades e opressões do mundo. Foi dessa obra que foram retirados os trechos de cartas lidos por Xico Sá no episódio especial do 451 MHz.
 

Educar com a mídia: novos diálogos sobre educação.
Pref. Luiz Antonio Simas.
Paz&Terra/Record • 240 pp. • R$ 64,90

Escrito em coautoria com o educador e escritor Sérgio Guimarães, traz conversas de Paulo Freire sobre a “escola paralela” formada pelos meios de comunicação de massa e as maneiras de utilizar seus recursos para não se tornar vítima deles.
 

Pedagogia do compromisso: América Latina e educação popular.
Org. Ana Maria Araújo Freire. Pref. Pedro Pontual.
Paz&Terra/Record. • 288 pp. • R$ 42,90

Transcrições de discursos feitos de improviso, entrevistas e participações em debates e seminários (Argentina, Chile, Nicarágua, Paraguai, Uruguai e Brasil), que datam do final dos anos 80 e início dos anos 90. Essa nova edição, lançada em 2018, foi reorganizada por Ana Maria Araújo Freire, mulher de Paulo Freire, trazendo alguns textos inéditos. No livro, o pensador destaca suas reflexões em torno da educação em seu âmbito político, no seu sentido ético e estético e no significado que a esperança tem como motivador para os educadores.

A palavra boniteza na leitura de mundo de Paulo Freire.
Paz&Terra/Record • 400 pp. • R$ 59,90

Organizado por Ana Maria Araújo Freire, com colaboração de Becky Milano, reúne quinze artigos de intelectuais brasileiros e estrangeiros, como Frei Betto e Donaldo Macedo, que tratam do termo “boniteza” na obra de Paulo Freire e no contexto atual. Para o educador pernambucano, a palavra “boniteza”, além de se referir à aparência, também ecoa o que é bom e verdadeiro, em busca de uma educação libertadora.
 

Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (Edição especial).
Paz&Terra/Record • 192 pp. • R$59,90

Uma das obras mais importantes de Paulo Freire ganha uma edição especial para celebrar o centenário de Paulo Freire, com novo projeto gráfico e em capa dura. Em sua última obra publicada em vida, ele defende o livre pensar, o amor e autenticidade para nos tornar seres humanos melhores para construir uma sociedade mais justa, ética e democrática. Nesta edição, há páginas destacáveis com as principais frases do autor, que podem ser usadas como pôsteres.
 

Política e educação.
Paz&Terra/Grupo Record. • 144 pp. • R$ 49,90

Artigos do patrono da educação brasileira sobre escola pública e educação popular, alfabetização e formação da cidadania, educação permanente, educação de adultos, do direito de criticar e do dever de não mentir, as tarefas das universidades católicas e educação e participação comunitária. Lançado originalmente em 1993.
 

Professora, sim; tia, não.
Apres. Ana Maria Araújo Freire. Pref. Jefferson Ildelfonso da Silva.
Paz&Terra/Record • 192 pp. • R$ 49,90

Em dez cartas publicadas em livro, Paulo Freire reflete sobre as qualidades e virtudes éticas de educadores progressistas que querem ser agentes de transformação social.
 

Pedagogia do oprimido.
Paz&Terra/Record • 256 pp. • R$49,90

Proibido durante o regime militar do Brasil, onde permaneceu inédito até 1974, esse clássico do pensamento brasileiro foi escrito no exílio de Paulo Freire no Chile, entre 1964 e 1968. Revolucionário, Pedagogia do oprimido revela as violentas estruturas de opressão e defende a formação do ser humano como cidadão e não como um mero objeto da engrenagem social.

Nos últimos anos, Paulo Freire também foi tema de duas importantes biografias, que foram resenhadas na edição 25 da Quatro Cinco Um por Paula Sibilia.
 

O educador: um perfil de Paulo Freire. Sérgio Haddad.
Todavia • 256 pp • R$ 59,90/R$ 36

O professor da Universidade de Caxias do Sul escreve “um texto simples, introdutório”, mas ao mesmo tempo “cuidadoso em seu conteúdo e na maneira de tratar os principais fatos da vida e da obra do educador”. O autor conta que uma de suas principais motivações ao escrevê-lo foi “oferecer um material acessível em conteúdo e forma para um conjunto de pessoas que, não conhecendo o educador, quisesse um texto que fosse a porta de entrada para um conhecimento mais aprofundado sobre o biografado”, num momento em que as clivagens entre amor e ódio motivaram a “utilização de argumentos para defendê-lo ou atacá-lo sem qualquer fundamento em sua vida e sua obra”. O resultado é exitoso: o livro cumpre essas metas com competência, precisão, beleza e vigor, escreveu Paula Sibilia. 
 

Paulo Freire mais do que nunca: uma biografia filosófica. Walter Kohan
Vestígio/Autêntica • 272 pp • R$ 49,80

O livro do professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro surge de uma fonte mais singular e, também, mais audaciosa. O autor se propôs enxergar uma “apreciação filosófica da vida” de Paulo Freire. Segundo o texto de Paula Sibilia, Kohan detecta cinco vetores para destrinchar as ideias e os feitos de seu biografado: vida, igualdade, amor, errância e infância. A obra ainda inclui duas valiosas entrevistas (com Lutgardes Costa Freire e Esther Pillar Grossi, respectivamente filho caçula e colega-amiga do protagonista), além de um apêndice sobre o movimento Filosofia para Crianças e um epílogo no qual costura algumas críticas delicadas, embora incisivas.

Matéria publicada na edição impressa #49 em julho de 2021.