De Camila Fabbri a Jamaica Kincaid, de Bortoluci a Marcelo Rubens Paiva: o que vai rolar sábado n’A Feira

A Feira do Livro,

De Camila Fabbri a Jamaica Kincaid, de Bortoluci a Marcelo Rubens Paiva: o que vai rolar sábado n’A Feira

Programação intensa abre o último fim de semana do festival literário com autores nacionais como Lilia Guerra, Sergio Vaz e Luiz Felipe de Alencastro, e internacionais como James Green, Henry Louis Gates Jr. e Michel Nieva

05jul2024 - 21h17 • 05jul2024 - 21h19
(Matias Maxx)

Uma intensa — e extensa — programação com grandes autores nacionais e internacionais dá a largada neste sábado (6) para o último fim de semana d’A Feira do Livro 2024, que acontece na praça Charles Miller, no Pacaembu.

Nomes como José Henrique Bortoluci, Lilia Guerra, Luiz Felipe de Alencastro e Marcelo Rubens Paiva se juntam a representantes do melhor da produção editorial estrangeira recente, como a antiguana Jamaica Kincaid, os argentinos Camila Fabbri e Michel Nieva, e os americanos Henry Louis Gates Jr. e Jabari Asim.

A escritora argentina Camila Fabbri (Sebastian Arpesella/Divulgação)

Os encontros do penúltimo dia da terceira edição do festival literário paulistano começam logo pela manhã. Às 10h, a escritora argentina Camila Fabbri estará na mesa “O dia em que apagaram a luz”, no Palco da Praça. A autora vai falar do seu livro de mesmo nome, que saiu no Brasil pela editora Nós (trad. Silvia Massimini Felix) e aborda o trágico incêndio da boate República Cromañón, que deixou 194 mortos em Buenos Aires em 2004. Fabbri conversa com a jornalista e escritora Anna Virginia Balloussier.

A escritora e livreira Juliana Borges e o ator e dramaturgo Clayton Nascimento (Divulgação; Marcio Farias/Divulgação)

Enquanto isso, a partir das 10h15, no Auditório Armando Nogueira, a escritora e livreira Juliana Borges, colunista da Quatro Cinco Um, encontra o ator e dramaturgo Clayton Nascimento na mesa “Perspectiva amefricana”. Os dois vão tratar das diferentes faces do racismo mostradas por Nascimento em sua premiada peça Macacos (2022), publicada pela editora Cobogó. O auditório fica no Museu do Futebol, que faz parte do complexo do estádio. 

A escritora paulistana Lilia Guerra (Thaís Cristina/Divulgação)

Em seguida, às 11h45, no Palco da Praça, a escritora paulistana Lilia Guerra fala sobre os personagens e as histórias da periferia de São Paulo que habitam livros como O céu para os bastardos (2023), que saiu pela Todavia. A mesa “Vida pelas margens” vai encerrar a segunda temporada do Clube do Livro da Rádio Eldorado FM, apresentado por Roberta Martinelli, que mediará o bate-papo. 

O escritor Dan e o jornalista Bruno Paes Manso (Tiago de Aragão/Divulgação; Acervo pessoal/Divulgação)

Diferentes formas de retratar a violência e a criminalidade na ficção e não ficção conduzem a mesa “Faroeste caboclo”, marcada para o meio-dia, no Auditório Armando Nogueira. O encontro reúne o escritor Dan, do romance Vale o que tá escrito (DBA, 2023), e o jornalista Bruno Paes Manso, de A fé e o fuzil: crime e religião no Brasil do século 21 (Todavia, 2023), com mediação de Amauri Arrais, editor da Quatro Cinco Um.

O poeta Sergio Vaz (Garapa/Reprodução)

No começo da tarde, é a vez da poesia urbana de Sergio Vaz tomar conta do Palco da Praça. Expoente da cena literária paulistana, o poeta e criador da Cooperifa conversa com Camilla Dias sobre sua trajetória, arte e as diferentes batalhas de que participa, às 13h30, na mesa “Flores da batalha”, nome do mais recente livro do poeta, lançado ano passado pela Global. 

Os escritores Michel Nieva e Joca Reiners Terron (Agustina Battezzati/Divulgação; Renato Parada/Divulgação)

Um diálogo entre a ficção punk-gauchesca do argentino Michel Nieva e o thriller distópico do autor cuiabano Joca Reiners Terron é a atração das 14h no Auditório Armando Nogueira. Nieva escreveu o apocalíptico Dengue boy: a infância do mundo (2024), publicado pela Amarcord com tradução de Terron, autor de romances recentes que também exploram o fim do mundo e o cataclisma ambiental como A morte e o meteoro (2019), O riso dos ratos (2021) e Onde pastam os minotauros (2023), todos pela Todavia. Eles conversam na mesa “Entre bois e mosquitos” com o editor Schneider Carpeggiani.

A escritora antiguana Jamaica Kincaid e o historiador Henry Louis Gates Jr. (Sofie Sigrinn/Reprodução; Joseph Sinnott/Divulgação)

Às 15h, o Palco da Praça recebe dois importantes autores contemporâneos que vêm mudando a história literária afro-americana: o historiador Henry Louis Gates Jr., do recém-publicado Caixa-preta: escrevendo a raça (Companhia das Letras), e a premiada escritora antiguana radicada nos EUA Jamaica Kincaid, que publicou no Brasil os romances A autobiografia da minha mãe (2020), Agora veja então (2021) e Annie John (2023), todos pela Alfaguara. Eles vão dialogar sobre seus escritos na mesa “Narrativas antirracistas”, em conversa com Juliana Borges.

A poeta Julia de Souza e o ensaísta José Henrique Bortoluci (Acervo pessoal; Divulgação)

Pouco depois, às 15h30, começa a mesa “Em busca do pai”, que vai colocar lado a lado no Auditório Armando Nogueira o ensaísta José Henrique Bortoluci e a poeta Julia de Souza num encontro sobre a figura paterna. Em O que é meu (Fósforo), ele perfilou seu pai, caminhoneiro, que morreu de câncer no fim de 2023, enquanto ela escreveu sobre a progressiva perda do pai para a demência e a morte no ensaio pessoal John (Âyiné). A mediação será de Paulo Roberto Pires, editor da revista Serrote e colunista da Quatro Cinco Um.

O historiador americano James Green e o pesquisador Renan Quinalha (Roni Wine/Reprodução; Fabio Audi/Divulgação)

Em seguida, a evolução dos direitos LGBTQIA+, do movimento pioneiro nos anos 70 às conquistas no século 21, vai estar no foco da mesa “Livros e livres”, entre o historiador americano James Green e o pesquisador Renan Quinalha, outro colunista da Quatro Cinco Um que participa do festival literário. Eles conversam com a filósofa e escritora transfeminista Helena Vieira às 17h, no Palco da Praça.

O ensaísta, poeta e ficcionista americano Jabari Asim (Shef Reynolds/Divulgação)

Meia hora depois, na mesa “Reescrita da escravidão”, o Auditório Armando Nogueira recebe o ensaísta, poeta e ficcionista americano Jabari Asim, autor de Em algum lugar lá fora. Primeiro romance de Asim publicado no Brasil, pela Instante em tradução de Rogério Galindo, o livro ganhou destaque em 2022 nas listas de melhores do ano nos Estados Unidos, como a do jornal The New York Times, e conta uma história de amor e amizade entre pessoas negras escravizadas. O autor discute com Adriana Ferreira Silva as representações literárias da vida sob a escravidão no país durante o século 19.

O escritor Marcelo Rubens Paiva e o historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro (Divulgação)

O sábado n’A Feira do Livro termina com a mesa “60 anos do golpe”, marcada para as 19h. No encontro, o escritor Marcelo Rubens Paiva e o historiador e cientista político Luiz Felipe de Alencastro analisam os efeitos de 21 anos de autoritarismo na sociedade brasileira e as perspectivas atuais para a democracia. A mediação da conversa, que acontece no Palco da Praça, será da jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S.Paulo.

Mais n’A Feira

O festival literário paulistano ainda terá tanto no sábado quanto no domingo diversas atividades da programação paralela — oficinas para leitores de todas as idades, especialmente as crianças, encontros nos Tablados Literários e outras atrações organizadas pelos expositores. 

Entre elas, às 15h de sábado, no Tablado Mirtilo, acontece uma contação de histórias da grande autora de livros infantis Ruth Rocha, com participação especial da escritora. E ainda estão programadas muitas brincadeiras livrescas, como as oficinas de carimbos botânicos com figuras inspiradas em plantas (às 10h), de confecção de fantasias (também às 10h), ateliê de postais (às 14h) e produção de livro-jogo em ziguezague (às 14h30), entre outras atividades. Confira aqui a programação d’A Feira do Livro para os pequenos.

A Feira do Livro 2024

29 jun.—7 jul.
Praça Charles Miller, Pacaembu

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos voltada para a difusão do livro no Brasil, e da Maré Produções, empresa especializada em exposições e feiras culturais. O patrocínio é do Grupo CCR, do Itaú Unibanco e Rede, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, da TV Brasil e da Rádio Nacional de São Paulo.