A FEIRA DO LIVRO 2026,
‘Se a gente parar de ter esperança, o Elon Musk ganhou’, diz Ana Rüsche
Em meio a uma crise climática considerada irreversível, escritoras defendem a arte como forma de conscientização ambiental
05jun2026Como falar sobre mudanças climáticas sem cair no excesso de dados ou no catastrofismo? Uma das soluções pode ser a arte, segundo as escritoras e pesquisadoras Gisele Mirabai e Ana Rüsche, que estiveram presentes, na sexta-feira (5) ensolarada, no Espaço Motiva Tablado Literário, n’A Feira do Livro.
Ao longo da conversa, mediada pela física Ana Luiza Sério, as participantes defenderam que a literatura, o cinema e outras formas artísticas têm papel fundamental na construção de imaginários capazes de aproximar o público da emergência climática.
Para elas, além de traduzir problemas complexos em experiências humanas, a ficção pode ajudar a imaginar futuros possíveis. “Nossos modelos mentais são muito mais baratos e interessantes!”, brinca Rüsche sobre a contratação de escritores de ficção científica para prever o futuro.
Meio ambiente e arte
Gisele Mirabai destacou que a discussão ambiental ainda aparece pouco na produção cultural, apesar dos efeitos já presentes no cotidiano. Para a cineasta, as futuras gerações podem se surpreender ao perceber o quanto a crise climática esteve ausente das narrativas de uma época em que ainda era possível reverter parte dos danos.
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“A crise climática está presente diariamente nas nossas vidas, mas a gente ainda não dimensiona isso”, afirmou. Para ela, o tema precisa estar presente em diferentes gêneros narrativos. “A crise climática é sexy, é engraçada. Ela tem que estar na comédia, na novela e no drama, porque é o que a gente vive.”
A esperança foi um tema recorrente da conversa. Diante das previsões alarmantes e pessimistas sobre o futuro do planeta, as pesquisadoras defenderam a importância de construir narrativas otimistas, que fujam do alarmismo.
“Nós, do Sul Global, temos a necessidade de exercitar a esperança. Se a gente parar de ter esperança, o Elon Musk ganhou”, disse Rüsche.
O que dizem os dados
Durante a mesa, Mirabai apresentou resultados da pesquisa Clima em Cena, que investiga a presença da emergência climática nos filmes brasileiros de ficção. O levantamento analisou 33 produções lançadas nos últimos cinco anos e constatou que apenas 9% abordam diretamente a crise climática.
Por outro lado, 57% dos filmes retratam problemas ambientais. “O brasileiro retratado no cinema já está vivendo as consequências da crise climática. Só que ele não sabe o que está acontecendo”, explicou. Segundo ela, o desafio é relacionar as experiências cotidianas com o entendimento de que são a crise climática.
No meio da discussão, foram apresentadas maneiras de frear esse impacto ambiental. Para Rüsche, “a primeira coisa que você pode fazer é conversar sobre isso, porque é um tabu muito grande”.
Já Mirabai reforça a ideia de que a mudança não é um bicho de sete cabeças e, sim, algo que deve ser praticado diariamente e em pequenas proporções, para um impacto ainda maior.
“A crise climática é pequena. Ela está na minha rua, no meu bairro, na latinha que eu vou beber, nesta conversa aqui. A gente precisa ir dimensionando e voltar para o pequeno para entender como isso atravessa o drama humano, porque as histórias ainda são humanas.”
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.