Ministério da Cultura apresenta
O poeta Ricardo Domeneck e o crítico literário Schneider Carpeggiani (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

Ricardo Domeneck: poesia brasileira vai muito bem, até melhor que a prosa 

Em conversa com o crítico literário Schneider Carpeggiani, o poeta falou sobre a liberdade de experimentar ‘sem as rédeas do mercado’

31maio2026 • Atualizado em: 07jun2026

“A única dignidade que me resta é poder me chamar de poeta brasileiro. Eu tenho muito orgulho de dizer isso.” Foi nesse clima de exaltação à poesia brasileira que Ricardo Domeneck conversou com o crítico literário Schneider Carpeggiani neste domingo (31), n’A Feira do Livro

Domeneck é poeta, contista e ensaísta. Estreou na literatura em 2005 com Carta aos anfíbios (Bem-te-vi) e já publicou mais de uma dezena de livros. É autor de Cabeça de galinha no chão de cimento (Editora 34, 2023), que ganhou os prêmios Jabuti e Biblioteca Nacional. Em abril, publicou A cidadania das bonecas de pano (Ars et Vita). 

O poeta, que nasceu em Bebedouro, no interior de São Paulo, e hoje mora em Berlim, na Alemanha, defendeu que não há crise na poesia brasileira. “A poesia, na minha opinião, vai muito bem, até melhor do que a prosa, mas eu prometi que não ia ser polêmico”, afirmou, provocando risadas da plateia. 

Para Domeneck, o fato de os poetas estarem “livres das rédeas do mercado” dá mais liberdade para ousar, sem preocupações com sucesso comercial. “Acho que é por isso que eu sinto um teor mais experimental na poesia brasileira do que na prosa”, explicou. 

Bíblia

O autor divertiu o público ao relembrar um dos primeiros contatos com a poesia na infância. “Tenho uma memória clara de caminhar para a padaria com aquela nota de cruzados novos que tinha um poema do Drummond. Eu quase batia a cabeça nos postes, porque eu ficava tentando decifrar aquela letrinha.”

Domeneck contou que cresceu em uma casa onde os únicos livros eram enciclopédias. E, por algum motivo, um dia apareceu O diário de Anne Frank. “Não sei como aquele livro foi parar lá”, brincou. 

O poeta Ricardo Domeneck (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

Foi só quando a mãe decidiu estudar pedagogia e levou para casa manuais escolares de literatura brasileira que ele descobriu, de fato, a poesia. “Alguns dos primeiros livros que eu comprei foram Farewell, do Drummond, e Eu e outras poesias, de Augusto dos Anjos. Eu tinha quinze anos”, contou. 

Religião e corpo

O poeta contou também, após fazer uma leitura do poema “O Deus a médio prazo”,  sobre sua relação com a religião. “Eu cresci em uma casa realmente muito religiosa, na qual o cristianismo não era uma herança apenas cultural; uma casa de gente que acreditava mesmo na coisa”, disse. 

A experiência de crescer em um ambiente religioso e intimidador se refletiu na obra poética. “Eu instintivamente trouxe o corpo para o centro da escrita. Era uma forma de rebelião”, afirmou. “Era por isso que eu ficava falando do corpo, da saliva, do esperma e do suor. Era uma tentativa de celebração dessa coisa que, me foi dito por muito tempo, eu não deveria celebrar.” 


A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.

A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h

A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Nota da Associação: essa mesa foi realizada com o apoio de Ercolano e Ars et Vita e teve interpretação de libras da EducaLibras.

Quem escreveu esse texto

Beatriz Souza

Jornalista e produtora do podcast 451 MHz.

Feira do Livro 30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.