A FEIRA DO LIVRO 2026,
Marina Person: ‘O cinema e a literatura levam nossa imagem para o mundo’
Edição presencial do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um reúne leitores para debater Doce Tóquio, adaptações audiovisuais e curiosidades da culinária japonesa
03jun2026No fim da tarde de terça-feira (20), a jornalista e cineasta Marina Person se juntou a Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural da Japan House São Paulo, e a Paulo Werneck, editor da Quatro Cinco Um, para participar de uma saborosa edição ao vivo do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um.
Acompanhado de um grupo animado de leitores e leitoras n’A Feira do Livro, o trio bateu um papo descontraído sobre obras literárias adaptadas para o cinema. Eles comentaram a influência da arte na formação de identidades culturais e trocaram curiosidades gastronômicas.
O centro da conversa era Doce Tóquio (trad. Sandra Keiko, Morro Branco, 2025), romance de Durian Sukegawa, e o encontro teve até uma breve degustação de dorayaki, iguaria da confeitaria japonesa e detalhe indispensável do livro, que um dos leitores levou de surpresa para o evento.
No romance, Sentaro é um ex-aspirante a escritor que viu o sonho fracassar. Resignado, passou a trabalhar em uma pequena confeitaria vendendo dorayaki, uma panqueca recheada com pasta de feijão, doce típico da culinária cotidiana do país asiático. Tudo muda na vida dele quando conhece Tokue, a mulher responsável pela melhor pasta de feijão que já experimentou.
Cinema
Publicada originalmente no Japão em 2013, a história foi adaptada para o cinema pela diretora japonesa Naomi Kawase com o título Sabor da vida (2015).
Person revelou que não é leitora iniciante na literatura nipônica, mas Doce Tóquio foi o primeiro contato da cineasta com a obra de Sukegawa. Sua ligação com a literatura japonesa passa pela leitura de autores mais conhecidos, como Haruki Murakami, contou.
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A aproximação com esse universo começou ainda jovem, ao ler os primeiros capítulos de Xógum (1975), de James Clavell. “Eu li um volume só, porque o livro é muito grande, mas eu fiquei fascinada. Já li muito [Haruki] Murakami, [Yukio] Mishima.”
Entre o livro e o filme de Naomi Kawase, Person observa que a passagem da prosa para o roteiro cinematográfico quase sempre frustra a expectativa dos leitores apegados aos elementos oferecidos pelo autor.
“Quando a gente lê, a gente faz a imagem na nossa cabeça e imagina como são os lugares, as mãos dos personagens”, diz a cineasta. “Uma vez que você assiste à obra audiovisual feita a partir de um livro, em geral, a imagem mata a imaginação. Isso aconteceu comigo nesse caso. Eu só vi o filme no finalzinho do livro.”
Para não correr o risco de dizer que só existem fracassos na junção entre literatura e cinema, Person lembrou uma adaptação de sucesso, que superou expectativas de públicos diferentes: “Acho que nunca vi uma adaptação de uma criação literária que eu tenha achado ótima. Uma exceção é o Ainda estou aqui”, diz ela, em referência à adaptação de Walter Salles para o livro de Marcelo Rubens Paiva, que levou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
Em contraponto, Barzaghi Geenen encontrou no filme uma nova perspectiva para o romance. Ela conta que, ao se deparar com a atmosfera sensível construída por Kawase, conseguiu dar mais sentido aos intervalos e à passagem do tempo vividos por Sentaro e Tokue.
“No Japão, existe o conceito Ma, que representa um espaço vazio cheio de possibilidades. Essa ideia no cinema pode ser interpretada como uma pausa e nesse filme tem muito isso, por exemplo, quando as cerejeiras são filmadas na floresta. Isso me trouxe uma sensação muito bonita e poética”, explicou Barzaghi Geenen.
Travessias e transposições
Enquanto o trio tinha seu momento de degustação, a plateia participou da conversa, assim como acontece nos encontros virtuais do clube. Takashi Yamanishi, participante assíduo do clube há cinco anos, contou que leu a história em japonês e compartilhou curiosidades sobre a culinária presente no livro e o personagem de anime Doraemon, um carismático gato azul e branco criado por Fujiko F. Fujio em 1969.
“O título [do livro] em japonês é An, que significa pasta de feijão. E, além do Doraemon, muito popular pela relação com a recuperação do Japão no pós-guerra, também me lembrei do Anpanman. Ele é um super-herói em formato de pão que se divide para dar às pessoas o que comer”, disse Yamanishi, que ainda lembrou do filme Princesa Mononoke (1997), dirigido por Hayao Miyazaki, que fala da doença da hanseníase, outro tema central do romance.
O encontro chegou ao fim com reflexões acaloradas sobre a importância da tradução literária e do cinema como meio de acesso a diferentes culturas. A transposição de um idioma para outro, observou Paulo Werneck durante a mediação, consegue preencher lacunas culturais.
Person também ressaltou o papel da produção audiovisual. “A literatura e o cinema levam a nossa imagem para o resto do mundo. No Brasil, o cinema sofre um pouco mais, porque é muito dependente de políticas públicas”, apontou a cineasta.
“Quando adolescente, eu era muito fã do [Akira] Kurosawa e do Yasujiro Ozu e esses diretores me trouxeram um pouco da cultura do Japão e da vontade de ir lá. Esses livros e filmes mostram como é importante a arte, a literatura e o cinema na formação da identidade de um país”, concluiu a cineasta, nascida e criada em São Paulo e frequentadora há décadas da Liberdade, o bairro dedicado à cultura japonesa na capital paulista.
Próximo encontro do Clube de Leitura
O encontro de junho do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um será sobre o livro Não me abandone jamais (trad. Beth Vieira, Companhia das Letras, 2016), de Kazuo Ishiguro.
Convidado: a definir.
Data e horário: 25 de junho (quinta-feira), às 19h
Cupom: Participantes do clube têm 25% de desconto na compra do livro pelo site da Companhia das Letras, por meio do cupom JHSP451JUN26. O cupom fica vigente de 02/06 a 28/06, válido para 1 uso único por CPF.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.