Ministério da Cultura apresenta
A arquiteta, paisagista e educadora Pam Faccin e Isabel Malzoni, criadora e editora da Caixote (Nilton Fukuda/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

Margaret Mee foi uma senhora muito corajosa, diz paisagista em bate-papo com crianças  

Jornada da ilustradora botânica que registrou as espécies amazônicas é apresentada em livro infantojuvenil, tema de conversa n’A Feira do Livro na quinta (4)

04jun2026

Em maio de 1988, no mês de seu aniversário, a ilustradora botânica inglesa Margaret Mee (1909-1988) finalmente encontrou uma flor-da-lua (Selenicereus wittii), cacto raro que desabrocha em uma única noite de lua cheia ao ano, por poucas horas. Mee buscou pela espécie por muito tempo na Amazônia, onde fez cerca de quinze expedições durante os mais de trinta anos em que viveu no Brasil, descobrindo e catalogando plantas — todas registradas em belas aquarelas. A artista morreu poucos meses depois da descoberta, em novembro daquele ano, aos 79 anos.

Margaret e a flor-da-lua (Caixote, 2025) conta para crianças a história de Mee. O livro, escrito por Cameron e ilustrado por Nat Cardozo, em tradução de Livia Deorsola, foi ponto de partida para o bate-papo entre Isabel Malzoni, criadora e editora da Caixote, e a arquiteta, paisagista e educadora Pam Faccin, especialista em flora brasileira e sustentabilidade. A conversa aconteceu na quinta (4), no Espaço Rebentos d’A Feira do Livro. Faccin falou para pais e filhos sobre o trabalho com a natureza e contou curiosidades sobre vida e obra de Mee.

Faccin nasceu e cresceu na Amazônia Sul, ao norte do Mato Grosso, no final dos anos 80. Lá, testemunhou mudanças radicais na paisagem local — o que lhe gerou revolta e serviria de combustível para um trabalho sustentável, conta. Margaret Mee foi também uma influência para a especialização em flora brasileira.

Explorando a floresta

O trabalho de curadoria desenvolvido pela arquiteta inclui expedições amazônicas como as realizadas por Mee. No telão do espaço, Faccin mostrou fotos da artista inglesa e várias pinturas botânicas feitas por ela, além de vídeos de suas próprias expedições. “Eu ando pela floresta e escolho as plantas mais lindas que encontrar para colocar nos jardins que eu faço”, explicou para os pequenos, enquanto apresentava alguns de seus achados: uma flor de gustavia, que conheceu primeiro em um desenho de Mee; uma samaúma, árvore conhecida como a “rainha da floresta”; e a pixirica, uma frutinha silvestre com gosto de goiaba.

“A coragem da Margaret me impressiona — fazer tantas expedições naquela época, ainda mais sendo mulher. Se hoje já é difícil e requer tantos cuidados, imagina há quarenta ou cinquenta anos”, diz Faccin. A arquiteta listou vários cuidados necessários em suas viagens, como a travessia em barco a motor e o uso de acessórios de proteção. “Tem uma equipe grande por trás disso. Margaret fazia suas expedições sozinha, guiada por indígenas da região e com estrutura precária. Ela não tinha medo dos bichos da floresta; era uma senhora muito aventureira e cheia de disposição, além de muito talentosa”, ressaltou.

A arquiteta, paisagista e educadora Pam Faccin (Nilton Fukuda/Terebi/A Feira do Livro)

Mee chegou ao Brasil em 1952, aos 43 anos, e passou a trabalhar como ilustradora botânica no Instituto Biológico de São Paulo em 1958. Por aqui, fez amizade com o paisagista Roberto Burle Marx e deixou um legado que permanece: o Jardim Botânico de Brasília, por exemplo, tem um orquidário batizado em homenagem à ilustradora, que tinha um encantamento especial pelas bromélias e orquídeas. 

“Ela foi uma das primeiras pessoas a colocar a flora brasileira no radar mundial — e de uma forma espetacular”, destacou Faccin. O trabalho de Mee também contribuiu para conscientizar sobre a preservação da biodiversidade amazônica e os riscos de extinção de tantas espécies. 

Amor às plantas

Para estimular o contato das crianças com a natureza, Faccin recomendou que visitem os vários parques estaduais, municipais e federais espalhados pelo Brasil e façam expedições monitoradas como as promovidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Também disse ser importante que os pais pesquisem e transmitam aos filhos temas como o equilíbrio ecológico e evitem o uso de tantos defensivos químicos. “Inclusive, acho que uma picadinha de abelha, de vez em quando, ensina a criança sobre os limites com a natureza”, brincou.

A arquiteta ainda indicou que os pais — em vez de incentivar o plantio de árvores em ambientes públicos, que demoram para crescer e talvez nunca mais sejam vistas pelas crianças — deixem que os pequenos cuidem de uma pequena planta em casa. “Acompanhar o desenvolvimento de uma muda pode ser uma responsabilidade gostosa para eles”, sugeriu.


A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.

A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h

A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Quem escreveu esse texto

Gabriela Caputo