A FEIRA DO LIVRO 2026,
Futebol de autoras e autores tem ‘gol coletivo’ e empate disputado
Partida feminina terminou 2 a 0, sem autoria definida para um dos tentos; no jogo masculino, placar de 1 a 1 resumiu equilíbrio em campo
06jun2026A menos de uma semana da bola rolar pela Copa do Mundo de 2026, no Estádio Azteca, na Cidade do México, autoras e autores mostraram toda a sua habilidade com as palavras no histórico gramado da Mercado Livre Arena Pacaembu. Em duas partidas emocionantes, uma entre mulheres e outra entre homens, o já tradicional encontro de participantes d’A Feira do Livro com o futebol movimentou a tarde de sábado (6) no festival literário.
O jogo das mulheres terminou com vitória do time de azul por 2 a 0 sobre o time de branco e foi marcado pelo espírito de sororidade. O placar foi aberto após uma confusão na pequena área — ninguém reivindicou a autoria do primeiro gol.
“Foi um gol coletivo”, disse a escritora Julia Codo. “Pingou numa, pingou noutra, a goleira ajudou um pouco empurrando a bola para trás”, resumiu.
Já o segundo gol, marcado pela jornalista e escritora Anna Virginia Balloussier, provocou o espanto das companheiras de equipe. “Ela falou que não jogava, mas estava escondendo o jogo”, brincou a jornalista Roberta Martinelli, que escalou a autora do gol.
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“Foi um golpe de sorte. Todo mundo falou ‘como assim foi a Anna Virginia?’. É a primeira vez n’A Feira do Livro que eu fico sem palavras”, confessou Balloussier.
No jogo feminino, uma das estrelas do time de azul tinha apenas treze anos de idade: Antonia Rago, que protagonizou algumas disputas de bola, pratica futsal na escola e aprovou a experiência de jogar no Pacaembu. “Foi mais leve; não foi tão competitivo.”
A escritora Amara Moira atuou como goleira — mesmo sem luvas. “Estou correndo risco aqui; põe em risco a minha continuidade como escritora”, brincou. “E se eu lesionar minhas mãos?”.
Debaixo da trave oposta, estava a escritora e editora Jessica Spilla, que afirmou ter saído de casa dizendo a si mesma que não jogaria como goleira. Mas não teve jeito: “tudo bem, tomei só dois na minha estreia no Pacaembu”, declarou, mantendo o bom humor.
A editora de vídeo Julia Paes, que trabalha na comunicação d’A Feira do Livro, foi um dos destaques do time de preto. Ela contou que desde pequena joga futebol e que “foi demais” estrear no Pacaembu.
Já a jornalista Tatiana Vasconcellos, uma veterana do futebol das autoras, celebrou a “tradição que a gente precisa cumprir no fim d’A Feira”. Mas reivindicou um campo menor que o profissional no próximo ano. “Tinha que ser só meio campo. Este campo é muito grande”, disse, tomando fôlego.
Empate equilibrado
A partida masculina terminou empatada em 1 a 1, depois de dois tempos equilibrados. “É uma emoção incrível fazer gol no Pacaembu”, afirmou o jornalista Márcio Garoni, que abriu o placar para o time de branco.
A assistência que resultou no gol foi feita pelo escritor e cronista argentino Alejandro Droznes, autor de Libertadores da América (Pinard). Ele disse ter realizado um sonho ao jogar no Pacaembu, estádio que recebeu tantas partidas do principal torneio de clubes da América do Sul. “Vou falar para os meus amigos que dei um passe na área do Pacaembu.”
Depois de empatar para o time de preto, Uirá Machado valorizou o jogo em equipe. “Estou muito feliz de ter ajudado os companheiros. O gol é um trabalho coletivo. Infelizmente não saímos daqui com um resultado positivo, mas o empate foi bom”, disse, no espírito das entrevistas de jogadores de futebol, o autor de Entre bispos e reis (Todavia), biografia do enxadrista Mequinho.
A partida também foi marcada por uma lesão em campo. O videomaker Bruno Fróes precisou sair de campo depois de chocar a cabeça com a do cientista social Pedro Otsuzi — mas passa bem. “Foi uma experiência mágica”, afirmou, acrescentando que realizou um sonho do Bruno de quinze anos atrás. “Um privilégio jogar num estádio que fez e faz parte da história do futebol brasileiro.”
“Estamos trabalhando por dois”, disse o revisor Gabriel Joppert depois da saída do colega, que não foi substituído.
O escritor Felipe Poroger saiu de campo frustrado por não ter feito um gol, como na partida realizada n’A Feira do Livro 2025. “Me preparei o ano inteiro e tudo que consegui foi ficar mais cansado do que no ano passado. Mas ano que vem tem mais.”
“Ainda bem que o nosso negócio é fazer livro, seja escrevendo ou editando”, brincou o editor André Balbo. “Foi muito gostoso e o empate foi um resultado justo.”
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.