A FEIRA DO LIVRO 2026,
Estamos trazendo representações positivas para crianças negras, diz Waldete Tristão
A autora conversou com Maitê Freitas e Rodrigo Andrade sobre como a literatura infantojuvenil cria um imaginário social mais inclusivo em torno da cultura dos povos negros e indígenas
05jun2026No começo da tarde da sexta (5), o Espaço Rebentos d’A Feira do Livro recebeu a mesa Na sexta usamos branco, com as escritoras Maitê Freitas e Waldete Tristão e o ilustrador Rodrigo Andrade. Mediado pela artista e educadora Giselda Perê, o bate-papo tratou do papel da literatura infantojuvenil na formação de um imaginário social mais inclusivo em torno da cultura e da história dos povos negros e indígenas.
Os convidados falaram sobre a criação de seus livros infantojuvenis. Tristão e Andrade lançaram Do Òrun ao Àiyé: a criação do mundo, e Freitas publicou Nsamba, ambos pela Companhia das Letrinhas.
Segundo Tristão, a ideia dos seus livros é poder trazer para as crianças a perspectiva dos iorubá e da diáspora dos povos africanos, que foram trazidos escravizados para o Brasil, “mas que [também] trouxeram história, cultura e muitos elementos que [hoje] fazem parte do nosso dia a dia” sem que saibamos sua origem.
Subjetividades positivas
“Nós estamos mostrando para as crianças negras que elas têm uma ancestralidade, que elas podem ser representadas de uma forma positiva, e também estamos mostrando para as crianças brancas que [há outra] possibilidade de existência”, diz Tristão. De acordo com Andrade, quando a literatura traz para a infância um repertório no qual personagens negros são representados de maneira positiva e não caricata, isso acaba transformando a vida tanto de crianças que são negras quanto as que não são.
“Quando criamos subjetividades positivas, começamos a tornar o nosso convívio mais igualitário”, diz o ilustrador. Para Perê, criar um repertório que não seja só o colonizado pelo ocidental, olhando para outras culturas, pode combater a marginalização de manifestações culturais, como o próprio samba e religiões de matriz africana, vistos de uma perspectiva negativa no imaginário popular. “O medo é um artifício do racismo”, afirmou a mediadora.
Os convidados destacaram a importância de iniciativas como a Lei 10.639/2003 e a Lei 11.645/2008, que tornam obrigatórios o ensino da cultura afro-brasileira e de culturas indígenas nas escolas. “Uma história é capaz de construir pontes e fios de conexão”, disse Freitas.

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Ao final da conversa, Tristão recitou o itan (palavra nagô que referencia os contos e histórias do iorubá) sobre Oxalá e a inveja, para mostrar como os conceitos podem mudar na perspectiva de diferentes culturas.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.