A FEIRA DO LIVRO 2026,
Editoras independentes e livrarias de rua lançam iniciativa para fortalecer cadeia do livro
SP Livro concederá o selo Escola Amiga do Livro, que busca integrar bibliotecas escolares e o mercado editorial
05jun2026 • Atualizado em: 02jun2026O quarto dia d’A Feira do Livro, que vai até domingo (7), teve início com o lançamento de uma importante iniciativa para integrar ainda mais as editoras independentes, livrarias de rua e outras empresas do mercado editorial paulistano.
No Auditório do Museu do Futebol, no início da tarde de terça (2), Paulo Werneck, diretor presidente da Associação Quatro Cinco Um, apresentou, para uma plateia formada por editores, livreiros, bibliotecários, pedagogos e outros profissionais da cadeia do livro, a SP Livro.
A marca representa a Cadeia Produtiva Local (CPL) de Livros e Editoras de São Paulo, criada a partir do programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado. Uma CPL é uma rede de empresas pequenas e médias (com até R$ 300 milhões de faturamento anual) e de instituições de um mesmo setor ou de setores complementares que estão localizadas em uma mesma região e que buscam integrar todos os elos da cadeia produtiva.
A ideia da SP Livro é congregar livrarias, editoras, gráficas, distribuidoras, entre outros atores do setor, assim como uma variedade de parceiros institucionais, como grandes empresas, universidades, escolas, ONGs, entidades, governos, agências etc., para realizar projetos.
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“Não estamos aqui para substituir a CBL [Câmara Brasileira do Livro], a Libre [Liga Brasileira das Editoras Independentes], a SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros). A SP Livro é um agregado de empresas, um grupo que se junta para trabalhar junto”, afirmou Werneck.
Os próximos passos da SP Livro são estabelecer uma diretoria, criar estatuto próprio, com reuniões periódicas, atrair maior número de editoras e livrarias participantes, incorporar outros elos da cadeia produtiva, realizar pesquisas e levantamentos de dados específicos, captar recursos financeiros e não financeiros para discutir novos projetos e frentes de trabalho.
Boas práticas
A primeira iniciativa da SP Livro, financiada com recursos do edital de fomento às CPLs da SP Produz, consiste na criação do Selo Escola Amiga do Livro. O projeto dará um selo de reconhecimento a instituições escolares que seguem boas práticas em torno do livro e reconhecerá as escolas que levam o livro e a leitura para o centro do projeto pedagógico e da comunidade escolar.
“É um projeto de aproximação entre bibliotecas escolares, livrarias de rua e editoras independentes. Porque São Paulo tem essas características. É uma cidade que tem muitas editoras, livrarias e escolas. As escolas são um ativo da cidade, que a gente quer atrair para a causa do livro”, explicou Werneck.
O objetivo é destacar que as escolas e as livrarias de bairro compartilham a mesma comunidade de leitores, como alunos, pais e cuidadores, professores e funcionários, e que existe uma economia criativa em torno desses grupos — e pode ser ainda mais fomentada.
“As escolas já fazem coisas incríveis em torno de livros e a gente quer reconhecer esse trabalho que já é feito, cada uma à sua maneira. Não é para ser uma prescrição para a escola de como usar. Vamos recomendar boas práticas”, explicou Werneck. “O que a sua escola, a sua comunidade escolar pode fazer para o mercado de livros no Brasil?”
Entre essas práticas, estão adotar livros de literatura de variadas editoras, autores, gêneros e temas; compartilhar a lista dos livros adotados nas escolas com as livrarias de rua próximas da instituição, para que tenham tempo de se abastecer; sensibilizar e estimular a comunidade escolar a frequentar a livraria de rua próxima à escola; estabelecer parcerias entre escolas e livrarias, como concessão de descontos ou outros benefícios; organizar clubes do livro e encontros em torno do livro; realizar festivais e feiras literárias, entre outras ações.
Novos leitores
Além de Werneck, outros participantes da SP Livro destacaram possibilidades do programa para o mercado editorial. “Esse projeto traz perspectivas importantes para o setor. Destacamos a atuação para fortalecer a cultura do livro e da livraria. E tem outra linguagem que precisamos aprender a usar: a do impacto e do desenvolvimento econômico”, afirmou Victor Feffer, coordenador de desenvolvimento institucional da Associação Quatro Cinco Um.
“Temos também dificuldades de gestão que tomam tempo precioso de edição e comercialização. A SP Livro é um espaço para compartilhar esse tipo de problema e para buscar soluções inovadoras. É um espaço para nos desenvolvermos como um todo.”
Nilce Rodrigues, da 1001 Ideias Divulgação Editorial, responsável pela divulgação de pequenas editoras em escolas particulares de São Paulo, foi contratada para fazer parte do projeto, com o propósito de promover o diálogo entre escolas, livrarias e editoras.
“Vamos tentar juntar as necessidades de cada setor, fazer com que conversem, e encontrar alternativas e ideias para movimentar essa cadeia. Isso traz benefícios para a escola, mas principalmente para a criança”, disse. “Esse projeto é muito bacana para o momento que a gente vive, porque precisamos resgatar essas crianças para o convívio social — e que descubram que a vida é muito mais que só uma tela.”
Outra parceira é Sandra Medrano, coordenadora pedagógica da Biblioteca e do Centro de Formação do Colégio Santa Cruz e representante de um grupo de bibliotecas de escolas particulares que buscam um diálogo entre si para promover iniciativas que interessem ao setor. Atualmente, o grupo é composto por cerca de doze bibliotecas de escolas particulares e há vontade de ampliar esse número com bibliotecas de escolas públicas e salas de leitura.
“A gente se uniu para trocar boas práticas e desafios que enfrentamos no dia a dia de uma biblioteca escolar, como a organização de acervos, que podem ter critérios de diversidade, questões antirracistas. Percebemos que as bibliotecas realizavam trabalhos isolados que, às vezes, dialogam muito intensamente, ou dialogam pouco, com a proposta pedagógica da escola”, disse Medrano.
“O primeiro tema a ser discutido é a questão da censura, por parte de famílias e até de alguns educadores, e como enfrentamos isso na formação do leitor e no fortalecimento do próprio trabalho que a escola faz na oferta dos livros e na formação do leitor. Escolhemos temas, discutimos sobre eles, e a ideia é fortalecer esse grupo”, explicou a pedagoga.
Calendário estratégico
Ao final do encontro, Rodrigo Massi, secretário adjunto de Cultura e Economia Criativa da cidade de São Paulo, prestigiou o encontro e elogiou a criação do Mapa de Livrarias de Rua de São Paulo, que será tema de uma mesa no Palco da Praça, na quarta-feira, 2 de junho, às 17h15.
O painel contou com participação dos livreiros independentes Cecilia Arbolave, Julia Souto Araujo, Monica Carvalho, Tereza Grimaldi e Adalberto Ribeiro e celebrou uma das iniciativas mais importantes da cena editorial paulistana — tanto que inspirou a ideia de criar o mesmo modelo de mapa, dessa vez para as bibliotecas da cidade de São Paulo.
Massi também falou do chamamento público a pessoas da sociedade civil interessadas em compor o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB-SP). “Considerando que a cadeia produtiva do livro é um dos pilares do plano, recomendo fortemente que possam olhar esse edital [publicado no Diário Oficial], pois é um instrumento importante para o aperfeiçoamento das políticas de leitura na cidade de São Paulo”, disse.

Já Juliana Lazarim, da Coordenação do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo, refletiu sobre como as bibliotecas públicas, geralmente localizadas em regiões vulneráveis, podem participar dessa iniciativa.
“Apesar de não sermos bibliotecas escolares, em alguns momentos funcionamos como tal, dependendo da região onde estamos inseridas”, ponderou. “Somos 54 bibliotecas e mais trinta pontos de leitura espalhados por toda São Paulo. Então, é muito importante pensar na relação com as livrarias pela cidade toda e em como aproximar esse público de bibliotecas públicas.”
Luiza Thesin, diretora da Biblioteca Mário de Andrade, destacou que a realização da programação diária da biblioteca pública no horário das 17 horas, no Tablado Literário Mário de Andrade, foi realizada pela instituição em conjunto com o Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria da Cultura.
Thesin ainda convidou o público a assistir à mesa desta quarta (3) As bibliotecas e os territórios, com Lazarim, Sandro Luiz Coelho, educador griô, radialista e bibliotecário, e Júnior Suci, coordenador das bibliotecas dos CEUs. Outra mesa que dialoga com o tema é As bibliotecas na lógica da economia criativa, que acontece no sábado (6), às 17h.
“Muitas vezes a gente sente que as discussões são feitas e as bibliotecas não são chamadas. Agora a gente está sentindo essa aproximação”, celebrou Thesin.
Por fim, Lizandra Magon, diretora editorial da editora Jandaíra, presidenta da Liga Brasileira de Editoras (Libre) e conselheira do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB-SP), incentivou os convidados a se candidatar para o conselho do PMLLLB-SP, que terá vagas abertas após o fim de mandatos de representantes da sociedade civil.
Esse conselho é responsável por fiscalizar a execução e a criação de medidas para o setor e se essas diretrizes estão sendo seguidas pela Prefeitura.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21hA Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.