A FEIRA DO LIVRO 2026,
Dercy Gonçalves enfrentou todo o cardápio da violência de gênero, diz biógrafa
Adriana Negreiros discutiu contradições da humorista em episódio do podcast 451 MHz gravado ao vivo
03jun2026Feia demais, desbocada demais, insubordinada demais. Dercy Gonçalves “tinha tudo para dar errado”, resumiu a jornalista Adriana Negreiros sobre a personagem-tema da biografia que acaba de publicar pela Objetiva, Dercy: a diva debochada.
Nesta terça-feira (2), o livro foi assunto de um episódio do podcast 451 MHz, apresentado por Bruna Beber e gravado ao vivo no Palco da Praça, n’A Feira do Livro.
Na ocasião, a jornalista abordou os desafios de pesquisar uma figura que, apesar de ter tido seus 101 anos de vida amplamente escrutinados pela imprensa, frequentemente mentia sobre a própria trajetória. E destacou a complexidade da atriz e humorista, que tanto enfrentou quanto reproduziu os preconceitos de sua época.
Negreiros descreveu Dercy como alguém que teve de enfrentar “todas as dificuldades próprias de uma mulher”, como a cobrança em relação aos padrões de beleza e a dificuldade para se sustentar tendo que cuidar de um bebê pequeno.
Com um obstáculo extra — o preconceito que ela sofreu por ser mulher num momento em que o normal era acreditar que só homens tinham talento cômico.
“Referiam-se à Dercy como o ‘Oscarito de saias’. Ninguém chamava o Oscarito de ‘Dercy de calças’, embora ela tivesse uma trajetória prévia à dele”, disse a jornalista. “Dercy experimentou todo o cardápio de violência de gênero. Patrimonial, psicológica, sexual.”
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Naquele momento, Negreiros lembrou um acontecimento brutal da vida de sua biografada: o estupro que ela sofreu com mais de setenta anos de idade, perpetrado pelo empresário João Milanez, dono da Folha de Londrina. Quando ela relatou o episódio no Roda Viva, em 1987, provocou gargalhadas entre os entrevistadores.
Contradições
Mas Dercy jamais se identificou com o rótulo de feminista. Pelo contrário. “Ela odiava as feministas, dizia que eram babacas, que não tinham o que fazer, que feminismo é perda de tempo”, disse Negreiros. A biógrafa mencionou também declarações homofóbicas e racistas feitas pela humorista ao longo de sua carreira; e tampouco escondeu o fato de que Dercy manifestou simpatia pelos militares na ditadura.
A jornalista contou que mesmo um dos gestos mais memoráveis de sua biografada, o de levantar a camisa para mostrar os seios, deu-se em repúdio aos elogios que Roberta Close vinha recebendo por sua aparência na época. “O que poderia parecer, à primeira vista, um ato de ousadia era, na verdade, algo muito preconceituoso contra uma mulher trans”, disse.
Negreiros ponderou, no entanto, que em muitos sentidos os preconceitos de Dercy eram sobretudo um reflexo da época em que ela viveu, um período que cobriu praticamente o século 20 inteiro. “Não é passar pano, mas temos que considerar o tempo em que ela vivia. Quando ela dizia essas barbaridades, esse era o discurso corrente, socialmente aceito.”
O episódio do podcast 451 MHz será publicado no próximo mês.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21hA Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.