As mestras das manifestações tradicionais na literatura infantojuvenil (31 de maio • Espaço Motiva Tablado Literário)
Mariana Queiroz da Silva e Belisa Monteiro, do Coletivo Cuíca, falaram na manhã de domingo (31), com mediação de Juliana Bueno, sobre as mestras das manifestações tradicionais no Brasil, consideradas guardiãs de saberes ancestrais e da cultura negra. Juntas, as autoras publicaram, pela Mocho Edições, dois livros voltados ao público infantojuvenil: Rainha Kambinda, sobre a multiartista Raquel Trindade, e Sementes de Joana, sobre a mestra Joana do Maracatu.
“Ao contar essas histórias, temos muito cuidado para que não sejam apropriações. Queremos ser ponte, para que elas cheguem a crianças de diferentes lugares do Brasil”, disse Monteiro. Elas explicaram que a figura da mestra ajuda a reverenciar o feminino, que sempre esteve nos bastidores da cultura popular. “As mulheres tinham um lugar de protagonismo, costuravam e cozinhavam, mas não o lugar de protagonista”, analisou Mariana. (Gabriela Caputo)
Entre o colo e o fogo (31 de maio • Tablado Literário Mário de Andrade)
A escritora e jornalista Elizandra Souza defendeu, na mesa Entre o colo e o fogo, na tarde de terça (4), a importância de as pessoas negras publicarem mais livros. Para a autora, essa representatividade é fundamental para que as novas gerações se inspirem e ocupem cada vez mais espaços. Ela resgatou memórias da infância, época em que a diversidade de histórias e de corpos narrados era menor. (Lúcia Nascimento)
Amazônia negra (4 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)
A fotógrafa paulista Marcela Bonfim lançou Amazônia Negra: as imagens da cor do (in)visível (Igrá Kniga) n’A Feira do Livro, na tarde de quinta (4), em uma mesa no Espaço Motiva Tablado Literário. Com participação especial da performer, produtora cultural e pesquisadora baiana Dayane Ribeiro e mediação de Bruno Xavier, o bate-papo explorou como a autora une imagem e palavra para traduzir a experiência de habitar um corpo negro.
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Bonfim contou sobre sua trajetória pessoal e suas motivações: após estudar economia na PUC de São Paulo, sofreu com a ausência de oportunidades no mercado (o que, somente depois, entenderia como parte da questão racial). Em 2010, migrou para Porto Velho a trabalho e passou a fotografar pessoas e cenas que encontrava para mostrar aos familiares. Clicar as populações de origem caribenha, quilombola e indígena da região acabou sendo um ponto de virada na sua produção artística. (Gabriela Caputo)
Racismo como arma ideológica de dominação (4 de junho • Tablado literário Bubu)
O Tablado Literário Bubu recebeu, na tarde de quinta (4), um debate para o lançamento de Racismo como arma ideológica de dominação e outros ensaios sobre marxismo e a questão racial (Dandara), do sociólogo e jornalista piauiense Clóvis Moura (1925-2003).
Participaram da mesa Beatriz Assis, psicóloga e coordenadora do Grupo de Iniciativa Psi Antirracista (GIPA) Brasil, Dennis de Oliveira, jornalista, ativista e professor da USP, e Gabriel Rocha, pesquisador e doutorando em história econômica; a mediação foi do historiador Weber Lopes Góes. O livro é uma coletânea composta por textos fundamentais de Moura, que tematizam o racismo, a luta de classes, a resistência negra e a emancipação na América Latina, entre outros assuntos. (Gabriela Caputo)
Literatura de mulheres negras e periféricas hoje (6 de junho • Tablado Literário Bubu)
No sábado (6), o Tablado Literário Bubu recebeu as autoras Neide Almeida e Dinha em uma conversa sobre a literatura periférica feita por mulheres. Ambas citaram a morte da escritora e ativista quilombola Dona Rosinha, na última quinta-feira (4), aos 67 anos.
Rosinha estaria presente n’A Feira do Livro em uma mesa no domingo (7), com a jornalista Bianca Santana. Almeida, autora de Nós: 20 poemas e uma oferenda (Ciclo Contínuo, 2018), disse que “estar aqui [no festival literário paulistano] é uma forma de celebrar a memória” de mulheres como Dona Rosinha.
As autoras relembraram o começo na escrita. Para Dinha, o movimento veio na adolescência através dos diários. No contexto social e econômico em que a autora vivia, ter um diário com cadeado não era uma realidade possível. Por isso, os poemas e as metáforas se tornaram o meio de esconder o que queria dizer. “A partir dali, poderiam me ler, mas nunca iam saber de fato o que eu estava dizendo”, falou.
Segundo Almeida, os movimentos culturais foram sua principal escola de formação acadêmica, política e cultural. A vontade de escrever veio através do seu contato com poemas na juventude: “Eu não entendia absolutamente nada, mas gostava de ler”. Ela se encantou pela sonoridade e musicalidade proporcionadas pela leitura. (Maria Eduarda Oliveira)
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.
