Cartografia do som (6 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)
O Espaço Motiva Tablado Literário recebeu uma conversa sobre literatura e memória na manhã ensolarada do penúltimo dia d’A Feira do Livro (6). A escritora Fabiana Caso e a ilustradora Talita Hoffmann apresentaram O som de São Paulo (Terreno Estranho, 2021) e compartilharam como suas vivências na capital paulista foram decisivas para a construção da obra. “São Paulo é o mundo inteiro”, brincou Caso ao destacar a diversidade de experiências que a cidade proporciona.
Na sequência, o escritor Rodrigo Carneiro falou sobre Jardim Quitaúna (Terreno Estranho, 2025), livro de contos marcado por elementos autobiográficos. Durante a conversa, o autor relembrou encontros e histórias vividas ao lado de figuras importantes do rock, que ajudaram a inspirar os personagens e as narrativas da obra. (Malu Vieira)
Jogos de espelhos (6 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)
Duas autoras de livros que conectam passado, presente e futuro conversaram no Espaço Motiva Tablado Literário na manhã de sábado (6). A argentina Silvina Gruppo, autora de Oeste (2024) e do recém-lançado Que março chegue logo mas não chegue nunca, ambos lançados pela Cambalache e traduzidos por Laura Jahn Scotte, conversou com a paulistana Silvana Tavano, autora de Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea, 2024), vencedor do Prêmio Oceanos 2025. A mediação foi do jornalista e escritor Rubem Barros.
No papo, as duas falaram sobre como o tempo e a memória são parte fundamental de seus romances. “Estamos sempre olhando para o passado com a visão do presente”, disse Tavano. Gruppo também refletiu sobre as particularidades da escrita de memórias. “São coisas da minha vida que só posso pensar porque estou escrevendo sobre elas. Às vezes, escrever sobre [o tema] organiza; às vezes, complica tudo.” (Beatriz Souza)
Nem tanto esotérico assim (7 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)
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“Eu não seria biógrafo se não fosse a lei de 2014”, disse o jornalista Tom Cardoso em um papo sincero sobre o mercado editorial, no último dia d’A Feira do Livro. Ele se referia ao projeto de lei 393/2011, aprovado em 2014, que liberou a publicação de biografias não autorizadas. Desde então, o autor publicou mais de sete perfis e agora está produzindo dois, um sobre Mano Brown e outro sobre Renato Russo.
O autor disse que isso foi conquistado com a luta de jornalistas e biógrafos e ainda alfinetou cantores da MPB brasileira pela criação do movimento “Procure saber”, contrário à aprovação da lei. Cardoso disse ser irônico que artistas perseguidos pela ditadura, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, tenham o desejo de censurar escritores.
Durante o papo, Cardoso ainda confessou que não gosta de biografias densas e que por isso prefere fazer livros menores e rápidos de ler, afirmando que está seguindo a tendência de consumo do público.
“Eu não tenho muita paciência para ler biografia de setecentas páginas sobre um determinado assunto ou personagem. Também acho que as pessoas estão cada vez mais sem tempo. Claro que isso não invalida as biografias mais densas, mas é um facilitador para mim, porque me permite lançar muitos livros — que acabam sendo mais superficiais que os clássicos.” (Mariana Franco)
Arquivo Nery Rezende (7 de junho • Tablado Literário Bubu)
No último dia d’A Feira (7), o Tablado Literário Bubu recebeu Alexandre Araujo Bispo e Liliane Braga para uma conversa emocionante, mediada pela historiadora Solange Ferraz de Lima, sobre a memória de Nery Rezende, uma mulher negra das camadas populares que viveu em São Paulo entre as décadas de 1920 e 1930 e hoje faz parte do acervo do Museu do Ipiranga.
Bispo contou que conheceu o acervo fotográfico por meio de Greissy Rezende, filha de Nery, e que se assustou com o tamanho e a beleza desse arquivo. “Existia um arsenal de memórias”, comentou.
Braga também se emocionou ao falar sobre Rezende e seu acervo. Disse que se sentia honrada de poder cuidar dessa coleção tão delicada. A mesa continuou falando sobre o conjunto documental e passou por temas como a cidade de São Paulo e sua urbanização. (Malu Vieira)
Conversa com Maria Rita Kehl (7 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)
Em mesa lotada no final da tarde de domingo (7), no Espaço Motiva Tablado Literário, a psicanalista e jornalista Maria Rita Kehl contou histórias de família e de sua trajetória profissional.
“Eu sou a mais velha. Tenho três irmãos, mas eu era uma moleca, fazia tudo o que eles faziam”, disse. “Meu pai me provocava muito, me obrigou a dialetizar as coisas. Isso foi muito formador.”
Kehl contou que, quando falou para o pai sobre o desejo de estudar psicologia, ouviu que “tudo bem, você é mulher, não vai trabalhar mesmo”. Aos risos, ela afirmou que a coisa que mais faz na vida é trabalhar.
Sobre sua trajetória como jornalista, lembrou também como tudo começou. “Eu estava estudando psicologia e perto da minha casa tinha um jornal de bairro. Eu bati na porta e fui falar com o diretor, disse que queria escrever. Era o Raduan Nassar. Depois ele virou um dos maiores escritores do Brasil.” (Lúcia Nascimento)
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.