Listão da Semana,

A ‘pequena’ ética

Primeiro romance de Luana Chnaiderman mistura a história de Dido, rainha de Cartago, as lembranças do avô Boris Schnaiderman e os dilemas de uma mulher que deseja ser mãe

03nov2026

Em Etiqueta, a escritora Luana Chnaiderman brinca com o sentido da palavra, que, no livro difícil de rotular, é uma referência à ética do dia a dia. No romance, que chega esta semana às livrarias, a autora embaralha Antiguidade clássica, lembranças de seu avô, Boris Schnaiderman, doadores de sêmen e música de sofrência.

Também na seleção de lançamentos: O cântico da terra, de Stefano Mancuso; Controlar a boca, poemas de Lilian Sais; uma coletânea de textos de Sérgio Rodrigues; a devoção popular à Nossa Senhora, por Luiz Antonio Simas; um ensaio sobre o pertencimento, por Dionne Brand; O escravo que adorava caviar, de Ishmael Reed; O mar entre nós: pensar o mundo com Édouard Glissant, por Ana Kiffer; as reflexões de Michael Pollan sobre a consciência e a transcendência; e mais novidades quentinhas.

Veja os lançamentos de semanas anteriores.


Etiqueta. Luana Chnaiderman.
Record // 256 pp // R$ 79,90

Em seu primeiro romance, a autora da coletânea de contos Os animais domésticos e outras receitas (Perspectiva, 2018) mistura suas lembranças do avô, Boris Schnaiderman, a história de Dido, rainha de Cartago cantada na Eneida, de Virgílio, e os dilemas de uma mulher em seus quarenta anos que deseja ser mãe.

“Em Etiqueta há várias histórias. Quais são elas?
Uma é sobre o que lembro do meu avô [o tradutor e escritor Boris Schnaiderman]. Ele foi uma espécie de norte para o livro — é de onde vem o nome. Tem um aspecto de ‘etiqueta’ que é ser rotulador, mas tem o lado da pequena ética cotidiana. Meu avô era isso — um homem ético no dia a dia. Outra história é sobre Dido [rainha de Cartago, cantada na Eneida, de Virgílio], que vive um caso de amor com um estrangeiro e perde o trono. Também quis falar de uma mulher de 42 anos que se separa e tem vontade de ser mãe, aquela coisa do relógio biológico, das relações sexuais e afetivas e do mercado da inseminação artificial. Queria um romance que fosse engraçado, comovente e sexy”, conta Luana Chnaiderman em entrevista para a Quatro Cinco Um.

Leia a entrevista completa

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O cântico da terra. Stefano Mancuso.
Trad. Regina Silva // Ubu // 144 pp // R$ 99

O fundador da neurobiologia vegetal, autor de Revolução das plantas: um novo modelo para o futuro (2021), se inspira na poesia de São Francisco de Assis para falar sobre o cuidado e o amor para com os seres vivos.

“Não é banal compreender a eficiência sofisticada das plantas na difícil empreitada de capturar a luz. Para mim, o dia da iluminação (de novo a luz) ocorreu durante uma das minhas primeiras viagens de campo como jovem doutorando. Minha tarefa era medir a fotossíntese em oliveiras pertencentes a variedades com origens geográficas diversas. Era um trabalho longo, repetitivo e cansativo: eu tinha que monitorar a planta, medindo-a a cada trinta minutos, do amanhecer ao anoitecer.”

Trecho de Stefano Mancuso “O cântico da terra”

Saiba mais sobre o livro

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Controlar a boca. Lilian Sais.
Círculo de Poemas // 128 pp // R$ 74,90

Entre os cadernos de receita deixados por sua mãe, a autora resgata nestes poemas o afeto e a memória, costurando a vivência da matriarca, tirada da escola logo após aprender a escrever, à sua própria história com as palavras.

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Esse estranho agora: a era de ouro do analfabetismo crítico. Sérgio Rodrigues.
Arquipélago // 208 pp // R$ 69,90

Coletânea de textos publicados na coluna semanal do jornalista na Folha de S.Paulo, em que trata de temas como o avanço da extrema direita global, a crise climática e as redes sociais a partir de mudanças na linguagem cotidiana. Do autor de O drible (2013) e A vida futura (2022), publicados pela Companhia das Letras.

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Tantas Marias: Nossa Senhora na cultura popular. Luiz Antonio Simas.
Civilização Brasileira // 128 pp // R$ 59,90

Autor de O corpo encantado das ruas (Record, 2019), o historiador investiga a devoção a Nossa Senhora em suas diversas manifestações na cultura brasileira, de Maria a Aparecida, do futebol ao samba e à literatura.

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Um mapa para a porta do não retorno: notas para o pertencimento. Dionne Brand.
Trad. Jess Oliveira e floresta // Pref. Dionne Brand // Posf. Saidiya Hartman // Zahar // 240 pp // R$ 99,90

Nascida em Trinidad e Tobago, a autora explora o tema da ancestralidade e do pertencimento de pessoas escravizadas por meio da metáfora da “porta do não retorno”, entre o desenraizamento forçado e a reinvenção de seus descendentes.

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O escravo que adorava caviar. Ishmael Reed.
Trad. Rafael Mantovani // Posf. Leandro Muniz // Ercolano // 128 pp // R$ 82,70

Tendo a relação de Andy Warhol com Jean-Michel Basquiat como fundo, a peça de teatro reflete sobre a exploração material e simbólica do mercado da arte a partir da figura de um vampiro que procura sangue novo. Do romancista, dramaturgo e músico autor de Mumbo Jumbo (Zain, 2025).

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O mar entre nós: pensar o mundo com Édouard Glissant. Ana Kiffer.
Bazar do Tempo // 208 pp // R$ 79

A autora usa o pensamento do filósofo martinicano para imaginar novas formas de se viver junto a partir da Relação (noção poético-política criada por Glissant), navegando por temas como identidade, comunidade, solidão, amor e conflito.

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Surge um mundo: uma jornada rumo à consciência. Michael Pollan.
Trad. Rogerio Galindo e Rosiane Correia de Freitas // Intrínseca // 304 pp // R$ 89,90

O autor de Como mudar sua mente: o que a nova ciência das substâncias psicodélicas pode nos ensinar sobre consciência, morte, vícios, depressão e transcendência (2018) aprofunda sua pesquisa sobre a consciência humana a partir de lentes científicas, filosóficas, literárias, espirituais e psicodélicas.


Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Projeto Kalunga: um abraço de samba e de semba. Mauricio Barros de Castro.
Cobogó // 160 pp // R$ 78
A partir de reportagens, setlists, diário de viagem e entrevistas, o autor resgata a caravana formada por 65 pessoas, entre músicos, jornalistas, cineastas e técnicos brasileiros, que viajou para Angola em 1980.

Você nunca viu o mal de verdade: uma análise da governança do Estado Criminal por um ex-integrante do PCC. Ruan Lisboa.
Planeta // 640 pp // R$ 104,90
Relato que combina memória e análise sociológica de um ex-membro do Primeiro Comando da Capital, cooptado ainda jovem e expulso anos depois.

O lar é tão triste e outros poemas. Philip Larkin.
Org., trad. e posf. Paulo Henriques Britto // Companhia das Letras // 216 pp // R$ 89,90
A coletânea bilíngue reúne 45 poemas do poeta inglês (1922–85), num panorama que vai dos anos 40 aos 70 e inclui versos até então inéditos.

Emocionados: a coragem de sentir e (re)aprender a amar. Elisama Santos.
Paz & Terra // 210 pp // R$ 59,90
Usando referências como bell hooks, Freud e Brené Brown, a escritora e psicanalista reflete sobre a importância de se colocar vulnerável e abraçar as próprias emoções na construção de relações saudáveis.

As línguas de diamante e outros poemas. Juana de Ibarbourou.
Trad. Ayelén Medail // Pinard // 310 pp // R$ 119,90
Erotismo, juventude, espiritualidade e tempo são alguns dos temas que marcam os poemas desta antologia da autora uruguaia (1892–1979).

A língua que resta: o tempo, a história, a linguagem. Giorgio Agamben.
Trad. Vinícius Honesko // Quina // 208 pp // R$ 72
O filósofo italiano explora como o tempo, a história e a linguagem são lentes essenciais para o entendimento da modernidade ocidental. Do autor de O fogo e o relato: ensaios sobre criação, escrita, arte e livros (Boitempo, 2018).

Viver é melhor que sonhar: os últimos caminhos de Belchior. Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti.
Garota FM Books // 272 pp // R$ 75
Rememora os últimos anos da vida do cantor cearense, que aos 60 anos deixou o conforto e o status de artista para viver no Uruguai e, depois, pelo sul do Brasil, de forma anônima.

Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, editora da Quatro Cinco Um, é autora de Tantra e a arte de cortar cebolas (Editora 34).

Maria Luísa Bassan

É jornalista e assistente editorial na Quatro Cinco Um.