Ministério da Cultura apresenta

Tablados Literários,

Outras curiosidades sobre jornalismo, moda, HQ, cânone, história LGBTQIA+ e mais

15jun2026

Ver e não ver a catástrofe (31 de maio • Tablado Literário Bubu)

Leonardo Tarifeño, Ana Gebrim e Isadora Szklo falaram sobre o ensaio e a crônica jornalística como formas de narrar experiências de violência em contextos de guerra e crises humanitárias. Ana Gebrim leu trechos de Ver e não ver a Palestina: ensaio em fragmentação” (Kipuka), em que é co-autora com Marie-Caroline Saglio-Yatzimirsky, e destacou o desafio de escrever sobre uma história que está em curso. O jornalista argentino Leonardo Tarifeño contou algumas histórias de Não volte: um jornalista entre deportados mexicanos em Tijuana, volume 1 (Kipuka) e falou sobre os pontos de contato com o livro de Gebrim. (Beatriz Souza) 

Grandes reportagens (31 de maio • Tablado Literário Mário de Andrade)

Na mesa Grandes reportagens, as jornalistas Betina Anton, vencedora do Jabuti por Baviera Tropical (Todavia, 2023), e Simone Duarte, autora de O vento mudou de direção: o Onze de Setembro que o mundo não viu (Fósforo, 2021), conversaram sobre os desafios que perpassam as investigações jornalísticas. Anton, por exemplo, precisou fazer uma escolha ao lidar com um entrevistado que contou diferentes versões de um mesmo fato para outras fontes. Já Duarte se deparou com a barreira da língua ao conversar com jovens doutrinados pelo Talibã.

“O maior desafio em entrevistar pessoas que não são da sua cultura e não te conhecem é fazê-las confiar em você em tão pouco tempo para serem realmente verdadeiras ao contar as histórias delas”, explicou Duarte. Para Anton, isso se liga ao jornalismo ao lidar com figuras que estão no centro de acontecimentos traumáticos e violentos, como os retratados em ambos livros. 

“A primeira coisa que temos que fazer é humanizar essas pessoas, porque é isso que pode gerar reflexão. A gente não enxerga essas pessoas como alguém que toma Coca-Cola, que tem casa, tem amigos. Mas todos os lugares são povoados e tem pessoas com histórias.” (Gabriela Caputo)

Gramáticas do vestir (2 de junho • Tablado Literário Bubu)

A mesa Gramáticas do vestir, no Tablado Literário Bubu, reuniu as pesquisadoras Carolina Casarin e Hanayrá Negreiros na tarde de terça (2). As autoras abordaram como as roupas têm ligação direta com o contexto social em que as pessoas estão inseridas e retomaram as relações da artista modernista Tarsila do Amaral com a moda.

Negreiros falou sobre a importância de transformar pesquisas acadêmicas em obras de não-ficção para popularizar o conhecimento acumulado. Casarin concordou e reforçou a importância dos editores na transposição do texto acadêmico para o livro, para que a linguagem seja adaptada para o público em geral. (Lúcia Nascimento)

Histórias LGBTQIA+ de ontem e de hoje (4 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)

Que histórias e personagens LGBTQIA+ estão sendo escritas? E que histórias o público de hoje quer ler? Essas perguntas nortearam a mesa Histórias LGBTQIA+ de ontem e de hoje, que levou ao Espaço Motiva Tablado Literário o escritor e influenciador Luca Guadagnini, que está lançando Os dois tempos de Beto Garcia (Seguinte), o cineasta Daniel Ribeiro, do aclamado Hoje eu quero voltar sozinho (2014), e o ilustrador e quadrinista Bruno Freire, autor da adaptação do filme para HQ. 

Dos livros da norte-americana Alison Bechdel ao fenômeno recente Rivalidade ardente, os autores discutiram como as narrativas com temas LGBTQIA+ vêm se transformando e conquistando um mercado que antes as rejeitava. 

Ribeiro lembrou que ninguém acreditava no seu longa, que conta a história de amor entre dois adolescentes gays, quando foi lançado, há doze anos. “Pouco depois de entrar em cartaz, o número de salas aumentou três vezes. Então, os programadores descobriram que o filme tinha público”, disse. 

O longa, que deve ganhar uma continuação, foi um marco no cinema LGBTQIA+, segundo Guadagnini. “O Dani virou o pai dos gays brasileiros!”, brincou, provocando risos na plateia. (Amauri Arrais)

Bate papo com Sidney Gusman (4 de junho • Tablado Literário Mário de Andrade)

Jornalista especializado em quadrinhos e editor do site Universo HQ, Sidney Gusman contou no Tablado Literário Mário de Andrade a origem da sua graphic novel Domingos (Pipoca e Nanquim, 2025), que foi inspirada no seu pai e em situações vividas em família. “Meu pai se chama Domingos, ele nasceu e morreu em um domingo, eu sou Domingos [no nome do meio] e quantos domingos incríveis tivemos, bons e ruins. O título, então, estava pronto”. 

Gusman disse que a escrita, porém, só começou depois do incentivo do analista. “Acho que eu só topei escrever e me expor desse jeito depois que comecei a fazer terapia”, contou. “Me expor no quadrinho foi um alívio, porque abordei coisas muito pessoais. Toda família tem problemas e eu precisava colocar para fora as verdades. Para funcionar, o livro precisava ser verdadeiro.” (Vitor Pamplona)

O maior ser humano vivo (5 de junho • Tablado Literário Mário de Andrade)

Da Avenida Faria Lima à praça Charles Miller, o universo de O maior ser humano vivo ganhou vida no Tablado Literário Mário de Andrade na manhã de sexta (5). Ao lado da editora da Record, Ana Lima Cecilio, o escritor Pedro Guerra falou sobre seu romance mais recente, os caminhos que o levaram à escrita da obra e as inquietações que atravessam a narrativa.

Cearense radicado em São Paulo desde os 24 anos, Guerra contou que a pesquisa para o livro começou muito antes de imaginar que escreveria a história. Ao vivenciar a rotina acelerada dos escritórios e a atmosfera competitiva da Faria Lima, ele acumulou experiências e observações que mais tarde se transformariam em matéria-prima para a ficção. “Passei vinte anos vivendo e pesquisando o livro sem saber que ia escrever.”

Ao longo da conversa, o autor destacou a crítica à lógica do sucesso a qualquer custo, tema central de O maior ser humano vivo. A obra mergulha nas contradições do mundo corporativo e questiona os limites éticos de uma sociedade cada vez mais orientada pela produtividade, pela ambição e pela busca incessante por reconhecimento. (Malu Vieira)

O eco do cânone na literatura contemporânea (5 de junho • Tablado Literário Bubu)

“O cânone é uma referência, mas também é um adversário.” Foi o que disse o escritor e jornalista Leonardo Garzaro na conversa com o escritor Bruno Ribeiro, mediada pelo jornalista Ricardo Mituti. 

Durante o papo, os autores discutiram a importância do consumo de obras canônicas e como, no momento da escrita, o autor deve se atentar a criar caminhos e não repetir o que já foi feito. Também destacaram como é impossível prever quais livros farão parte do cânone no futuro.

Ribeiro comentou que o cânone deve ser consumido e questionado pelo escritor contemporâneo. O autor de Porco de raça (DarkSide, 2021) disse ainda que o cânone é um só e não deve ser dividido em categorias. “Carolina Maria de Jesus não está em um cânone x; ela está ao lado de Guimarães Rosa. Ela faz parte do cânone da nossa literatura e não deve ser excluída ou segregada.”

Questionado sobre os cânones da contemporaneidade, Garzaro disse que é difícil cravar o que já virou clássico na literatura atual. Para exemplificar, ele disse que, se A Feira do Livro tivesse acontecido há cem anos, o cânone que conhecemos hoje não estaria no palco principal. 

“Os grandes nomes iam ser o Coelho Neto, o Olavo Bilac e todos aqueles parnasianos. Mas os escritores daquela época que a gente realmente lê são um cara que estudava farmácia, que era o Drummond, e um rapaz que morava no Brás e ninguém conhecia, o Mário de Andrade.” (Mariana Franco)

Raízes do Brasil avivado (5 de junho • Tablado Literário Bubu)

Discutindo os temas abordados em Eis aí, o povo brasileiro (e-galáxia, 2026), de André Castro, e O que é identitarismo? (Boitempo, 2024), de Douglas Barros, a mesa Raízes do Brasil avivado encerrou a sexta-feira (5) no Tablado Literário Bubu.

Na conversa, os autores discutiram o papel do fenômeno evangélico na sociedade brasileira atual. Para Barros, o discurso do movimento está ligado ao identitarismo construído por aqueles que fazem parte dessas organizações evangélicas. 

Segundo ele, há uma questão no cristianismo que é “a sua universalidade”. Essa característica, na sua visão, o torna mais acessível e acolhedor para as pessoas. De acordo com Castro, a forma como o evangelismo acolhe todo tipo de público é outro ponto a ser observado. (Maria Eduarda Oliveira)

O livreiro de Gaza (5 de junho • Tablado Literário Mário de Andrade)

Na tarde de sexta (5), quem passeava pelo Tablado Literário Mário de Andrade pôde presenciar uma prática de leitura chamada “Pensar alto em grupo”. 

A fonoaudióloga Dianne Melo e a pedagoga Vivian Marcondes instigaram o público a participar da dinâmica utilizando textos sobre o genocídio em Gaza, a partir de obras como O livreiro de Gaza (trad. Sofia Soter, Intrínseca, 2026) de Rachid Benzine, e Não vou escrever poesia e outros textos (Editoras pela Palestina, 2026).

Segundo elas, o “Pensar alto” cria um leitor ativo, que é convidado a usar a oportunidade para, a partir do livro, imaginar hipóteses, reflexões e refutações. Além disso, durante a prática, as leituras são complementadas a partir dos contextos socioculturais e da criação de relações intertextuais. (Mariana Franco)

Feira do Livro 30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.