Ministério da Cultura apresenta

Tablados Literários,

Poesia e diário n’A Feira

15jun2026

Poesia visual (5 de junho • Tablado Literário Mário de Andrade)

O Tablado Literário Mário de Andrade recebeu, na manhã de sexta (5), a mesa Poesia visual, com Tadeu Jungle, Pedro Vicente e Rosa Cohen. A conversa girou em torno de três obras, todas publicadas pela Laranja Original: A palavra é uma imagem, de Jungle, IMAGEMAS, graPhOEnigMAS, de Vicente, e Anima. Sumicais, de Cohen. Os autores leram (e mostraram) seus poemas para a plateia e compartilharam como experimentações gráficas, jogos de percepção e relações entre imagem e linguagem aparecem em cada produção.

O debate ganhou contornos de oficina com a montagem de um painel coletivo: os autores distribuíram fichas para que os membros da plateia criassem suas próprias poesias visuais, experimentando com trocadilhos e inusitadas disposições de letras no papel. No final, todas foram fixadas com ímãs em um mural. “Aqui está nosso poema dadaísta”, celebrou Vicente.

Jungle distribuiu, em seguida, adesivos com a palavra afraid (“com medo”, em inglês), nos quais o uso da cor vermelha nas letras “a” e “i” destacavam “AI”, a sigla em inglês para inteligência artificial. A mensagem resultante dessa configuração exemplifica a importância da visualidade na poesia, destacou o autor. (Gabriela Caputo)

Poesia do mundo (6 de junho • Tablado Literário Bubu)

Os autores Tarso de Melo e Fernando Paixão conversaram sobre seus últimos lançamentos na mesa Poesia do mundo, com mediação da escritora Joselia Aguiar. As duas obras buscam desmistificar a poesia, que, para Melo, tem uma fama “injusta e injustificada”. 

Paixão estruturou Descoberta da poesia: uma introdução à leitura poética (Edusp, 2025) em três partes, apresentando conceitos a partir de uma série de poemas comentados. Já Melo, em Música do mundo: introduções à poesia (Fósforo, 2026), partiu de duas balizas em forma de pergunta: “o que é poesia?” e “isso é poesia?”. 

Melo disse que o subtítulo “introduções” reforça a ideia de que o livro oferece caminhos possíveis para a leitura de poesia, mas que há muitos outros. “Se eu quiser que as pessoas convivam com a poesia naturalmente, eu não posso colocar um monte de obstáculos — eles já estão dados. A poesia tem fama de ser uma coisa difícil”, afirma Melo. 

“Eu defendo a ideia de que a poesia não é só para poetas, é para todo mundo, para nos fazer pessoas melhores”, acrescentou Paixão. (Gabriela Caputo)

Poemas pintados (6 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)

Olhos atentos acompanhavam os traços delicados da ilustradora Lúcia Hiratsuka enquanto ela apresentava sua poesia desenhada por meio do sumi-ê, tradicional técnica japonesa de pintura com nanquim (sumi, em japonês). Marcado pela sutileza e pela busca da essência das formas, o trabalho é definido pela artista como uma espécie de “haicai desenhado”.

Durante a conversa, Hiratsuka também transportou o público para o universo de suas memórias familiares e para as paisagens do Japão. A ilustradora compartilhou histórias sobre sua avó, considerada por ela uma de suas maiores inspirações. (Malu Vieira)

Cinema, música e poesia (6 de junho • Tablado Literário Bubu)

Os escritores Daniel Francoy e Demétrio Panarotto discutiram como diferentes linguagens artísticas atravessam e influenciam a construção de sua poesia, além de compartilhar reflexões sobre seus processos criativos.

Daniel Francoy contou que, durante a escrita da plaquete recém-lançada Todo nome é escasso (Jabuticaba), notou um movimento cada vez mais íntimo em sua obra. “Percebi que estava escrevendo sobre mim”, afirmou. Mediada por Marcelo Lotufo, a mesa abordou ainda as relações entre memória, identidade e criação poética, destacando como diferentes formas de arte (música, cinema e a fotografia) podem se transformar em combustível para a poesia. (Malu Vieira)

Escrever o amor, reescrever o fim (6 de junho • Tablado Literário Mário de Andrade)

Clarisse Escorel e Ingrid Fagundez exploraram as várias formas de abordar o amor na escrita durante a mesa Escrever o amor, reescrever o fim, com mediação da escritora, tradutora e professora Beth Leites. 

Em Diário do fim do amor (Fósforo, 2025), seu livro de estreia, Fagundez, que é jornalista e pesquisadora, mergulha na função dos diários na literatura e reflete sobre a costumeira associação deles ao universo feminino. Já em O amor na sala escura (Bazar do Tempo, 2026), primeiro romance de Escorel, conhecida pelas crônicas, a narradora revisita, quando um encontro reabre feridas de uma rejeição, a história de amor que marcou sua juventude.

Elas discutiram sobre uma espécie de autocensura feminina na escrita: enquanto autoras mulheres buscam uma permissão para escrever sobre seus temas, homens raramente têm esse dilema. “Historicamente, a expressão feminina é sempre podada de alguma forma, não só na literatura e nas artes”, diz Fagundez. Interrupções e dúvidas marcam o processo de escrita das mulheres, em um “silenciamento autoimposto”. 

“No fundo, todos nós, por mais que a gente disfarce, estamos interessados no tema do amor”, defendeu Escorel, cuja obra traz detalhes sensoriais que remetem à primeira paixão. Ela relatou um temor inicial de que seu livro fosse considerado “fora de moda” ou “piegas”, mas a recepção positiva e a identificação dos leitores mostraram que, mesmo não sendo considerado uma “pauta urgente”, o amor é uma experiência humana fundamental. (Gabriela Caputo)

A poesia que nasce do chão (7 de junho • Espaço Motiva Tablado Literário)

No Espaço Motiva Tablado Literário, o poeta André Gravatá animou a plateia com um discurso animado sobre poesia. Em conversa com a mediadora Graziela Ribeiro dos Santos, Gravatá falou sobre respeito e ancestralidade na escrita. “Que maravilha poder sentir algo por meio da palavra”, disse. (Malu Vieira)

Feira do Livro 30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.