Ministério da Cultura apresenta

Tablados Literários,

O insólito tem sangue latino

11jun2026

Verena Cavalcante e André Balbo discutiram a herança e o crescimento da literatura de terror no Brasil e nos países vizinhos na mesa O insólito tem sangue latino, no Tablado Literário Mário de Andrade, com mediação do também escritor Cristhiano Aguiar. Os autores contaram que buscam inspiração na estranheza e no absurdo presentes no cotidiano. Isso resulta num texto que é reflexo da experiência individual e, ao mesmo tempo, do que há de mais brasileiro. 

“Não sou uma patriota; sou extremamente ufanista. Eu queria ter um papagaio, saber falar tupi-guarani. Trago isso para minha literatura — tudo é Brasil”, disse Cavalcante, autora de Como nascem os fantasmas (Suma, 2025). 

Para ela, o insólito e o sobrenatural sempre estiveram presentes na tradição literária latino-americana — o realismo fantástico incluso — porque a região “vem de um passado muito violento, que envolve inúmeros fantasmas, e de uma religião que é muito plural. Faz parte do caldo que nos forma. Isso está na nossa criação, na nossa hereditariedade latina, e se propaga na literatura”, acrescentou.

Balbo, autor de Sem os dentes da frente (Aboio, 2023), ponderou que valoriza em sua obra o poder de um bom riso. “Não gosto da ideia do humor enquanto tempero para uma literatura que nasce sisuda. Para mim, é uma espécie de lente para olhar aquilo que é horrível. Não é obrigatório evocar uma seriedade no texto. Parte do trabalho é mostrar os desvios dentro dos sentimentos possíveis diante do que acontece”, disse. 

Os autores ainda compartilharam suas referências do insólito: para além dos clássicos, como Jorge Luis Borges, Silvina Ocampo, Julio Cortázar e Lygia Fagundes Telles, estão as vozes atuais de um movimento protagonizado por mulheres: das argentinas Mariana Enríquez e Samanta Schweblin às equatorianas María Fernanda Ampuero e Mónica Ojeda. (Gabriela Caputo)