Ministério da Cultura apresenta
A escritora Cida Bento, a historiadora Lilia Schwarcz e a editora Stéphanie Roque (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

‘O Brasil não cabe numa interpretação só’, diz Lilia Schwarcz em debate com Cida Bento

As autoras defendem, em episódio ao vivo do Rádio Companhia, que caminho para refletir sobre o país passa necessariamente pela diversidade

07jun2026

Que autores melhor explicam o Brasil hoje? A pergunta guiou o encontro entre Cida Bento e Lilia Schwarcz no sábado (6), no Auditório do Museu do Futebol, n’A Feira do Livro. Mediado pela editora Stéphanie Roque, o debate contou com gravação ao vivo e se tornará um episódio do podcast da Companhia das Letras, o Rádio Companhia

A resposta não é a mesma para as duas pesquisadoras, ambas reconhecidas como intérpretes fundamentais da realidade brasileira. Mas passa, tanto para uma quanto para outra, pela diversidade.

“Estamos em um momento em que podemos pensar em muitas interpretações, no plural”, divergentes inclusive, disse Schwarcz. “O Brasil não cabe numa interpretação só.”

Bento destacou ter um interesse especial pela contribuição daqueles que passaram anos silenciados e só agora começaram a manifestar suas visões, como negros, mulheres, indígenas e integrantes da comunidade LGBTQIA+. “Eles olham tudo o que está acontecendo de outra perspectiva e, por isso, têm mais condições de ajudar a pensar o que vem pela frente.”

A escritora Cida Bento (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

A autora de O pacto da branquitude (Companhia das Letras, 2022), que denuncia o acordo tácito entre as pessoas brancas para proteger seus privilégios, destacou a importância de que essas vozes historicamente marginalizadas ocupem o mercado editorial.

Ela também relatou seu deleite ao caminhar pelos estandes d’A Feira do Livro e notar que todos tinham títulos que abordavam questões identitárias. “Isso era impensável há vinte anos. Há uma mudança em curso”, afirmou Bento.

Questionada sobre recuos nas políticas de diversidade das corporações sob o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, ela admitiu que há um retrocesso. Mas disse acreditar que a situação nessas empresas não voltará à estaca zero.

A historiadora Lilia Schwarcz (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

“Muito mais corporações do que se imagina mantêm as suas agendas. E elas fazem isso porque importa para a sua sobrevivência — porque há cada vez mais pessoas atentas à presença feminina e negra nesses lugares.”

De olho no voto

As autoras finalizaram o debate reforçando a importância de renovar o Legislativo brasileiro nas eleições, em outubro.

“Eu tenho vergonha do nosso Congresso”, disse Bento. “Toda vez que criticamos o totalitarismo, nos apegamos só ao Executivo. Mas não adianta saber em quem votar para presidente e depois fazer aquela colinha de última hora para deputado”, concordou Schwarcz.

“Cidadania também é memória. É preciso ter memória na hora de votar”, disse a historiadora e antropóloga.


A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.

A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h

A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Quem escreveu esse texto

Clara Balbi

Jornalista, foi editora-assistente da Ilustrada, caderno de cultura da Folha de S.Paulo