Ministério da Cultura apresenta
A editora executiva Beatriz Muylaert e os colunistas da Quatro Cinco Um Paulo Roberto Pires, Renan Quinalha, Iara Biderman e Fernando Luna (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

Colunistas da Quatro Cinco Um compartilham bastidores do jornalismo cultural

Paulo Roberto Pires, Renan Quinalha, Fernando Luna e Iara Biderman falaram sobre suas colunas na revista e revelaram hábitos de leitura

06jun2026

A programação do Tablado Literário Mário de Andrade no sábado (6), n’A Feira do Livro, começou com a conversa entre colunistas da Quatro Cinco Um, mediada por Beatriz Muylaert, editora executiva da revista dos livros. No encontro, Paulo Roberto Pires, Renan Quinalha, Fernando Luna e Iara Biderman falaram sobre crítica de cultura e cobertura jornalística do mercado editorial.

O colunista Paulo Roberto Pires, também editor da revista Serrote, leu um trecho de sua coluna mais recente, “Nasce o intelectual neutrox”, que já pode ser lida no site da revista dos livros e será publicada na edição impressa de julho. O texto fala sobre a perversão de invocar o pluralismo para justificar a escuta de discursos extremistas e racistas e defende que alguns lados não devem ser ouvidos, já que, em vez do debate, buscam a aniquilação do interlocutor.

Paulo Roberto Pires (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

“Chamo de ‘doisladismo’ na expectativa de que isso nomeie o que está acontecendo, que é uma uma leitura equivocada de pluralismo”, explicou. “A pluralidade tem sido usada como a pluralidade de mercado. Não é atender opiniões divergentes, mas atender a todos os clientes. Então, você não pode falar mal de determinado segmento, porque vai desagradar as pessoas.”

Livros e Livres

Renan Quinalha, professor de direito da Unifesp, advogado de direitos humanos e responsável pela seção Livros e Livres da Quatro Cinco Um, contou que, ao receber o convite para colaborar com a revista, ficou em dúvida. “Não achei que teria tantos títulos com a temática LGBTQIA+ para resenhar.” Ele disse se surpreender com a quantidade de livros, de ficção e não ficção nessa temática, que têm circulado.

Renalha Quinalha (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

“Mas é interessante pôr em xeque, porque a literatura LGBTQIA+ não é um gênero literário. É uma possibilidade de leitura, para ver personagens, questões, afirmações políticas.”

Fernando Luna, que é também colunista da Gama, afirmou que “a graça da crítica cultural é quando a trazemos para a vida da gente”. Seja para lidar com questões civilizatórias, como as abordadas por Paulo Roberto Pires e Renan Quinalha; seja para trazer experiências comuns a todos, como por exemplo o ato de se apaixonar.

Hábitos de leitura

Os colunistas comentaram também sobre seus hábitos de leitura. “Anoto, sublinho, dobro. Vandalizo o livro”, brincou Paulo Roberto Pires. Ele destacou ainda o prazer de, ao comprar livros em sebos, encontrar as anotações de outros leitores. “Todo mundo já deve ter comprado um livro todo sublinhado. Acho isso maravilhoso, porque tem uma história ali. Quem era aquela pessoa? O quê e por que ela sublinhou? Eu viajo nessas coisas.”

Fernando Luna (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

Luna disse que é adepto de sublinhar os livros a caneta. “Antes eu sublinhava a lápis. Agora eu já relaxei e vou de caneta mesmo. A maturidade dá a certeza de que você não vai mudar tanto de ideia”, brincou. “Qual a lógica do lápis? Qualquer coisa apago o riscado e a página volta ao estado original.”

Iara Biderman (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

Iara Biderman confessou ter um estilo caótico de leitura. “Leio um monte de coisas ao mesmo tempo. Mas tenho um problema: quando começo, não quero parar de ler; sou obsessiva.” Ela contou que, por lidar com livros ainda não publicados, lê bastante em PDF, o que deixa a experiência incompleta: “Sinto falta de dobrar as páginas. E também sinto muita falta de ler um livro e não fazer nada com ele. Ler apenas por ler, e não pelo trabalho”, concluiu — e todos os outros colunistas concordaram com ela. 


A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.

A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h

A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Quem escreveu esse texto

Beatriz Souza

Jornalista e produtora do podcast 451 MHz.