Ministério da Cultura apresenta
Os editores Amauri Arrais, Iara Biderman e Sofia Mariutti (Nilton Fukuda/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

Editores da Quatro Cinco Um e da Tinta-da-China Brasil compartilham bastidores de edição n’A Feira do Livro

Amauri Arrais, Iara Biderman e Sofia Mariutti conversaram sobre semelhanças, diferenças e desafios de se trabalhar com textos jornalísticos e livros

05jun2026

Os editores da Quatro Cinco Um e da Tinta-da-China Brasil compartilharam bastidores da edição de revistas e livros durante a mesa Sobre edição, na quinta (4), n’A Feira. A conversa, realizada no Espaço Motiva Tablado Literário, reuniu Iara Biderman e Amauri Arrais, da revista dos livros, e Sofia Mariutti, da editora, ambos projetos da Associação Quatro Cinco Um.

O bate-papo começou com o reconhecimento das semelhanças e diferenças nos processos editoriais: enquanto um volume da revista leva de um mês e meio a dois meses para ser fechado, o tempo do livro é um pouco mais longo. 

Segundo Mariutti, o ciclo ideal é de cerca de seis meses a partir do recebimento do manuscrito — o texto, então, passa por tradução, quando é o caso, edição, preparação, diagramação e revisões. “A antecedência é um ponto em comum. O material de divulgação precisa estar pronto um mês antes de o livro sair, período em que liberamos também a pré-venda”, explicou a editora da Tinta-da-China Brasil

Arrais e Biderman, com longa experiência no jornalismo diário, compartilharam que a revista Quatro Cinco Um funciona em um processo mais longo do que outros veículos tradicionais. 

“Cada texto passa por no mínimo quatro edições: as de três editores e a de um revisor”, disse Arrais. Biderman reforçou o cuidado que têm com o texto: “É jornalismo, mas tem um tratamento que vem do mundo dos livros. As matérias da revista passam por etapas que geralmente não acontecem nos jornais. É quase um trabalho artesanal.”

O editor da Quatro Cinco Um Amauri Arrais (Nilton Fukuda/Terebi/A Feira do Livro)

Arrais também ressaltou a troca entre editor e colaborador, e disse que os textos editados são sempre enviados para os colaboradores antes da publicação, para uma aprovação final. “A pessoa vai assinar aquele texto. Nada mais justo que ela possa ver como vai sair na página”, disse. “Considero um luxo ter essa troca em que todas as partes ficam satisfeitas. Isso não é possível na imprensa diária, em que os veículos publicam mais de um texto por dia.”

Buscas

O trabalho dos editores da revista começa bem antes do processo de edição de texto, com a apuração e o mapeamento de novos livros, em um trabalho constante de tentar antecipar, junto a centenas de editoras, o que está para ser lançado. 

Todo mês a revista traz o Listão em suas últimas páginas — uma seção com cerca de 110 lançamentos do mercado editorial, abarcando diferentes áreas. A cada semana, esse material é desdobrado e atualizado na newsletter Listão da Semana, enviada gratuitamente.

Biderman, responsável pela curadoria do Listão, explicou que esse é o primeiro filtro dos editores. A partir da longa lista, a equipe decide quais títulos virarão matérias. O passo seguinte é acionar os colaboradores da revista e encomendar a resenha.

A editora da Quatro Cinco Um Iara Biderman (Nilton Fukuda/Terebi/A Feira do Livro)

Além disso, há a produção diária para o site da Quatro Cinco Um. “Nem tudo que é publicado on-line vai estar na edição impressa, por uma questão de espaço. No site conseguimos dar conta de mais lançamentos e tornar a cobertura um pouco mais quente, com entrevistas e trechos de livros inéditos, por exemplo”, apontou o editor.

“Estamos sempre nos equilibrando entre o planejamento feito em cima dos principais lançamentos previstos e a atenção ao que está acontecendo no momento, aos debates que nos implicam.”

Segundo Biderman, a revista busca cobrir assuntos atuais a partir dos livros: “Nos perguntamos o que está em debate — meio-ambiente, guerra, eleições — e se há livros sobre isso sendo publicados, para então encomendar matérias”.

Buscas

Enquanto os jornalistas buscam matérias, o trabalho de um editor de livros contempla a busca por originais. Mariutti explicou como é variada essa etapa: a editora pode receber um livro pronto, de novos autores ou nomes já publicados pela casa; pode buscar títulos internacionais e adquirir os direitos autorais; ou pode contratar um livro “do zero” e pensar em quem escreveria bem sobre determinado tema.

Há também o trabalho de planejamento relacionado à tiragem de cada título, um cálculo complexo de quantos livros uma editora espera vender, com muitas variáveis. “Se um livro for selecionado para um clube de leitura, por exemplo, é esperado que as vendas aumentem, o que deve ser considerado no processo”, explicou Mariutti.

A editora da Tinta-da-China Brasil Sofia Mariutti (Nilton Fukuda/Terebi/A Feira do Livro)

Questionados sobre o uso de inteligência artificial na redação e na editora, os debatedores avaliaram de forma cética os papéis da ferramenta. Eles concordaram que, eventualmente, seria ótima a ajuda da IA em tarefas braçais e de organização e que, no entanto, o trabalho criativo, que perpassa a maior parte do processo editorial, e de curadoria sempre será humano. 

“É preciso ser editora da inteligência artificial”, brincou Mariutti. “Deixá-la fazer alguma coisa sozinha sem um olhar crítico é muito perigoso. O nosso trabalho de editor vem sempre em primeiro lugar; nunca vou confiar cegamente numa sugestão da IA”, ressaltou.


A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.

A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h

A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Quem escreveu esse texto

Gabriela Caputo