Ministério da Cultura apresenta
O psicólogo Alexandre Coimbra (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

Alexandre Coimbra diz ter pavor de ‘papo de coach’

A jornalista Petria Chaves conversou com o psicólogo sobre a importância de criar relacionamentos baseados em escuta, receptividade e presença

30maio2026 • Atualizado em: 07jun2026

Neste sábado (30), primeiro dia d’A Feira do Livro, a mesa Entre o silêncio e o encontro, realizada no Espaço Motiva Tablado Literário, reuniu o psicólogo Alexandre Coimbra e a jornalista Petria Chaves em uma conversa mediada pelo comunicador Ricardo Nicolay. Com uma plateia cheia e engajada, eles discutiram os desafios para criar espaços de vínculo no pós-pandemia e a dificuldade de se manter presente e permanecer receptivo às relações interpessoais.

Petria Chaves comentou que a pandemia gerou esperanças de transformação do ser humano e que isso não se concretizou. “Estamos no meio de uma grande guerra no Oriente Médio, de outras guerras na Rússia e Ucrânia. A gente está numa crise mundial de governos extremistas, de pessoas também extremadas — e não é só a política que traz isso”, disse. “Eu percebo que estamos sempre muito à flor da pele.”

A jornalista Petria Chaves (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

Alexandre Coimbra complementou trazendo a metáfora da pandemia como um terremoto, que obrigou todos a entrar em isolamento, e do momento pós-pandemia como um tsunami, que gerou consequências na saúde mental e física das pessoas. “Todo mundo saiu da pandemia com um ‘sintominha’, um ‘sintomédio’ ou um ‘sintomão’. Eu fico abismado com as pessoas que falam que a pandemia foi ótima; eu fico gag. Em que planeta essa pessoa estava?,” disse. “Agora nós estamos entendendo o alcance do impacto da pandemia — isso que é um tsunami: depois que ele devasta a gente percebe as perdas.”

Individualismo

Coimbra, que se definiu como uma pessoa de “bateria social infinita”, falou sobre o vínculo como uma dimensão humana baseada em disponibilidade e receptividade. Para exemplificar, comentou sobre uma experiência que teve ao ser entrevistado por Chaves na Rádio CBN: “A primeira vez que eu fui à CBN, eu estava muito nervoso. Acho que a sua sensibilidade percebeu meu nervosismo e você me ofereceu um café — ‘um café feito por mim’, ela disse. Ela me olhou com esse sorriso lindo e me acalmou”. 

Chaves afirmou que tem interesse em se conectar com as pessoas porque precisa amar e ser amada. “Eu preciso estar sempre vigilante para servir melhor ao mundo, para me conectar melhor com o outro. Isso é puro interesse, porque sem amor eu padeço.”

Coimbra ainda criticou a cultura do individualismo praticada por coaches, que difundem narrativas de autossuperação, suprimindo a presença de outras pessoas nessas histórias. “Todas as vezes em que eu me desesperancei com o mundo, eu precisei de ajuda. Eu tenho pavor de ‘papo de coach’, que simula histórias feitas só por uma pessoa, quando essas narrativas são todas apagadoras, sobretudo, de mulheres. Eles estão agindo como se fossem a jornada do herói encarnada no século 21.”


A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.

A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21hA Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Nota da Associação: essa mesa foi realizada com o apoio de Autêntica e Planeta e teve interpretação de libras da EducaLibras.

Quem escreveu esse texto

Mariana Franco

É estudante de Audiovisual na ECA-USP e estagiária de produção no núcleo de podcasts da Quatro Cinco Um.

Feira do Livro 30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.