A FEIRA DO LIVRO 2026,
O legado de Pierre Verger e a cultura iorubá no Brasil
Tiganá Santana e Angela Fileno falam sobre Iorubahia, que traz textos raros do antropólogo francês morto há trinta anos
30maio2026 • Atualizado em: 07jun2026O legado de Pierre Verger (1902-96) para os estudos afro-brasileiros foi tema da mesa Estudos africanos a partir do Brasil e estudos brasileiros a partir das Áfricas, que inaugurou a programação do Tablado Mário de Andrade. O debate reuniu o professor e cantor Tiganá Santana e a coordenadora do Núcleo de Acervo do Instituto Çaré, Angela Fileno, com mediação de Teté Martinho.
A conversa teve como mote o lançamento de Iorubahia, coletânea de textos raros escritos pelo antropólogo Pierre Verger entre os anos 1960 e 80 sobre a cultura Iorubá e as relações históricas entre o golfo do Benim, na África, e o Brasil. O livro é publicado pela Letra da Cidade e tem a organização de Angela Lühning.
Iorubahia retrata o período em que Verger estava consolidando sua transição de fotógrafo para pesquisador. O francês, que morreu há trinta anos, já vivia em Salvador desde 1946 e passou a viajar com frequência para a África ocidental movido pela curiosidade que tinha pela cultura iorubá e pela religião dos orixás que conheceu na Bahia. Foi nesse período também que foi iniciado no Ifá, o sistema de divinação dos babalaôs, e ganhou o nome Fatumbi.
Angela Fileno destacou que o convite para que Tiganá Santana, que é também poeta e curador, escrevesse o posfácio do livro veio da ideia de trazer para a discussão as críticas pós-coloniais feitas à obra de Verger.
“Há críticas, inclusive de pessoas que são iniciadas no candomblé, com o fato de ele não ter respeitado os regimes de visibilidade”, disse Santana. “De ter devassado demais o que não deveria devassar. Talvez tenha exposto demais, num sentido mais descritivo, aquilo que poderia se resguardar como uma experiência de corpo”, explicou.
Santana comentou também a crítica incluída no posfácio do livro de que Verger, ao privilegiar a presença iorubá no Brasil, contribuiu para esconder outras práticas religiosas africanas.
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“O Verger, à revelia ou não da sua intenção, é um desses estudiosos, ao lado de outros estrangeiros e brasileiros, que elegeram as práticas iorubás como modelares quando a gente pensa em presenças africanas no Brasil”, disse. “No texto, eu digo que alguns desses estudiosos foram capazes de assumir elementos sincréticos entre práticas afro-brasileiras e africanas e práticas cristãs, por exemplo, mas não elementos sincréticos inter-africanos e que construíram manifestações afro-brasileiras, como é o caso do candomblé, que só existe a partir de cruzamentos inter-africanos em diáspora”, concluiu.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
Nota da Associação: essa mesa foi realizada com o apoio de Letra da Cidade e teve interpretação de libras da EducaLibras.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.