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O que quer um homem?

Ligia Gonçalves Diniz explora figurações do masculino na ficção em 'O homem não existe'; leia trecho

13maio2024

“‘O que quer uma mulher?’ é uma das perguntas mais batidas da psicanálise, uma pergunta que pautou uma imensidão de produções culturais, discussões acadêmicas e conversas de bar”, diz Ligia Gonçalves Diniz na apresentação de O homem não existe: masculinidade, desejo e ficção, coletânea de ensaios que está sendo lançada pela Zahar. “Penso que já passou da hora de nós, mulheres, revirarmos a situação e tomarmos para nós a tarefa de pensar o que querem os homens.”

Subvertendo a máxima de Lacan de que “a mulher não existe”, a crítica e professora de literatura explora as figurações do masculino na ficção de autores que vão de Homero a Paul Preciado, buscando compreender temas como a obsessão pelo pênis, a fantasia da guerra e o ímpeto ao movimento.

Passado meio século do provocativo aforismo lacaniano, diz a também crítica Eliane Robert Moraes na orelha da edição, Diniz “enfrenta a questão acrescentando ao debate uma reflexão original — e não menos controversa. Ao invés de refutar a constatação lacaniana, ela prefere ampliá-la para o hegemônico segmento masculino, conferindo-lhe inesperada instabilidade”. 

Leia trecho de O homem não existe, de Ligia Gonçalves Diniz

Apresentação

Posso ouvir minha voz feminina: estou cansada de ser homem.

Ana Cristina Cesar, “16 de junho”

No dia 17 de julho de 1944, o escritor francês Albert Camus enviou uma carta aflita à sua amante; nos últimos dias, dizia ele, vinha sentindo “uma tristeza repugnante”. A razão era a recusa da moça em se despencar de Paris para visitá-lo no interior, onde estava abrigado havia pouco mais de duas semanas¹. “Ah, minha pequena Maria, creio mesmo que você não entende que a amo profundamente, com toda a minha força, toda a minha inteligência e todo o meu coração”, lemos na mensagem chorosa.

Na página seguinte, a coisa degringola: “Ah, Maria, terrível e distraída Maria, ninguém jamais a amará como eu. Talvez você perceba isso no fim da sua vida, quando puder comparar, ver e entender e pensar: ‘Ninguém, ninguém nunca me amou daquele jeito’”.² Tóxico, alguém diria hoje, talvez com alguma razão.

Camus tinha conhecido a jovem atriz espanhola Maria Casarès no ano anterior, e os dois haviam se tornado amantes apenas seis semanas antes da carta apaixonada. O fato de ele ser casado com outra mulher, de quem a guerra o mantinha distante, não choca; tampouco o fato de a relação com a moça ser tão recente. A diferença de idade entre os dois — ele tinha quarenta, ela, 21 — não surpreende nadinha. O drama da carta, sim.

É desconcertante, afinal, ler uma mensagem que escapa totalmente do estilo que se costuma associar a Camus, o “filósofo do absurdo”,³ que dizia preferir não ter nenhum bem, e viver e morrer em hotéis, a perder a liberdade. Já celebrado por O estrangeiro e O mito de Sísifo, ambos de 1942, Camus nos assombra na carta por sua paixão desabrida, que contradiz a lucidez e a atitude de indiferença que marcam esses livros.

Não importa sabermos que é de bom tom distinguir autor, personagem, obra: nenhum discernimento impede a sensação ingênua de uma leve traição. O mesmo autor que havia feito seu anti-herói Meursault reagir com um “tanto faz” à proposta de casamento da namorada agora se descabelava por uma mulher que havia acabado de conhecer. Tudo bem, é preciso lembrar que O estrangeiro é um romance de ficção, e portanto não espelha a vida real. Mas a gente se pergunta então onde é que estava, em julho de 1944, aquela percepção da falta de sentido que o autor havia descrito com tanto esmero no ensaio O mito de Sísifo, quando afirmou que “não há amor generoso senão aquele que se sabe ao mesmo tempo passageiro e singular”.

Camus, é justo dizer, também estava surpreso. “Um dia você me falou do meu cinismo, e estava certa. Mas para onde foi tudo aquilo?”, se pergunta na carta. Ele também havia sido enganado pela própria obra — e pela literatura em geral? É possível: somos todos vítimas contentes da ficção. Como, afinal, nos desapegar dos ideais de beleza, das peripécias malucas, dos arrebatamentos, dos encontros extraordinários que ela nos faz experimentar? Como conceber uma vida sem os conflitos que põem em marcha as melhores narrativas? Camus havia escrito no Mito: “Todos os especialistas em paixão nos ensinam isso, não há amor eterno a não ser o contrariado. Não existe paixão sem luta”. Lá estava ele, enfim, pondo em prática a lição.

Mas deixemos Camus em paz, por ora. Quem nunca sofreu de forma desmesurada por um afago que não chegou e, no desespero, enviou a alguém um recado meio patético? No caso dele, tudo eventualmente deu certo, e sua história de amor com Maria Casarès acabou vingando, do jeito meio intelectual, meio francês do casal. Insistamos um pouco, porém, na discussão a respeito da difícil, quiçá impossível, arte de se equilibrar no fiozinho que separa a aventura intelectual de ler ficção e as ideias, intuições e desejos que tal aventura enfia nas nossas cabeças — não importando quão perspicazes estas são, ou quão profissionais.

Mais especificamente, nos questionemos acerca dos efeitos que a experiência de uma tradição literária longamente masculina produz nas consciências dos leitores — e das leitoras. Não é tão inofensivo assim, afinal, experimentar ficcionalmente a vida dos personagens. Se toparmos um leve exagero e aceitarmos que a leitura é uma experiência suavíssima de alucinação, nos perguntamos: quantas vezes nós, mulheres, alucinamos ser homens? E que espécies de aventura — muitas delas interditas a nós na vida real — vivenciamos na pele virtual deles? Por meio da nossa imaginação, homens ficcionais existem, e carregam efeitos dessa existência para nossas vidas concretas.

Trago então de volta Camus, que em sua obra, aliás, não construiu personagens femininas lá muito interessantes — com uma exceção notável, Martha. A personagem, interpretada justamente por Maria Casarès na primeira montagem de Le Malentendu (O mal-entendido, de 1944), cuida de um hotelzinho, numa cidade triste e escura no interior da Europa. Sozinha com a mãe idosa após a morte do pai e a partida do irmão, a moça é obcecada pela ideia de ir embora rumo a um lugar ensolarado, à beira do mar. Para isso, precisa de verba, e a estratégia que ela e a mãe concebem é matar os poucos hóspedes solitários para roubar seu dinheiro.

A peça é uma ode às tragédias do acaso: quando o irmão há muito afastado volta para resgatar a mãe e Martha, é confundido com um estranho e assassinado. A mãe, culpada, decide se suicidar, e Martha, prestes a ficar sozinha no mundo, grita sua revolta contra a dor da mãe pelo filho: “Tudo o que a vida pode dar a um homem lhe foi dado. Ele deixou este país. Conheceu outros lugares, o mar, seres livres. Já eu, eu fiquei aqui. Fiquei, pequena e triste, no tédio”. Ela lamenta que ninguém a tenha beijado ou desejado, e que agora a mãe queira também tirar-lhe o amor materno, se matando. “Para um homem que viveu”, conclui Martha, “a morte é algo sem importância.”

Martha e Maria são as musas dos ensaios que apresento ao longo deste livro. Ir embora, desejar desmedidamente, se entregar à raiva e à violência, transformar a melancolia em gesto sublime: Martha fez tudo, ou pelo menos quis tudo, o que os livros escritos por homens nos mostraram que é bonito fazer e querer. Já Maria, bem, Maria fez o charmoso, brilhante, indiferente Camus perder as estribeiras e lembrar que a vida não é ficção, nem filosofia. Já é bastante.

No momento em que a crítica literária feminista ganhou força, sobretudo nos Estados Unidos dos anos 1960, um de seus gestos obstinados era o de investigar as imagens de mulheres apresentadas pela literatura canônica — majoritariamente masculina — e apontar a discrepância entre o que os autores traziam em seus textos e a realidade social, afetiva e existencial delas. Em meados dos anos 1970, já estava claro, porém, que procurar estereótipos femininos nas obras dos homens não era a coisa mais instigante do mundo.

O movimento seguinte, então, foi o de voltar os olhos para a literatura escrita por mulheres. As célebres — Jane Austen ou Emily Brontë, por exemplo — ganharam novas leituras, enquanto se resgatavam, e ainda resgatam, aquelas que haviam sido deixadas para trás e excluídas do cânone por não serem da elite branca nem europeias, por não se afiliarem à heteronormatividade ou por quaisquer outros desvios do padrão.

Por bons motivos, as discussões de gênero na literatura escrita por homens foram atraindo cada vez menos os olhos da crítica feminista. Há, porém, ótimas exceções. Uma delas é Shoshana Felman, professora de literatura comparada na Universidade Emory, nos Estados Unidos, que me empolga, como crítica e como leitora, por não resistir aos livros escritos por eles. Ela não desconfia dos homens, não abre suas páginas à procura de como representam equivocadamente a mulher; enfim, não lê literatura já sabendo aonde quer chegar. A experiência de leitura não pode ser concebida como autodefesa, ela nos diz, mesmo quando há uma disposição de “exorcizar a mente masculina que foi implantada em nós”.

É esse o ponto que me interessa. Como feminista, naturalmente quero perceber com clareza o modo como a defesa de certos privilégios penetra insidiosamente os mais diversos discursos, inclusive o literário. Quero distinguir os valores masculinos hegemônicos daqueles universais, se é que estes existem. No entanto, como mulher formada por essa cultura, preciso admitir que sou parte dela, que não há modo objetivo de isolar minha consciência feminina de todo o resto. Em outras palavras, não só ler literatura escrita por homens mas também ler como um homem — já que tantos livros foram escritos para eles — são experiências constitutivas do modo como entendo a mim mesma e o mundo.

Para uma mulher, crescer em uma cultura predominantemente masculina significa ocupar um lugar esquisito, em que é preciso se tensionar entre sujeito e objeto. As narrativas a que somos expostas frequentemente nos esticam (ou nos dilaceram) entre duas práticas e atitudes: entre, de um lado, o gesto de calçar os sapatos de personagens e autores homens, vivendo — como leitoras, ouvintes e espectadoras — suas aventuras e desventuras, e, de outro, o movimento de nos colocarmos no nosso devido lugar, à parte desse mundo mágico ou, no caso heterossexual, na posição secundária de objetos de desejo dos sujeitos.

A diferença entre querer ser e querer ter é só aparentemente simples. Eu me lembro bem do dia em que percebi o que há no meio do caminho. Tinha uns dezessete anos e estava no corredor da Faculdade de Direito, conversando com alguns dos rapazes da turma. Um deles fez, então, alguma piada grosseira e logo me pediu desculpas por falar aquilo na frente de uma garota. Outro colega, porém, disse para ele relaxar: “A Ligia é como a gente, não tem problema”. Eu queria, sim, ser como a gente — poder fazer e ouvir piadas grosseiras etc. —, mas também queria, e muito, ser como as garotas diante de quem não se fazem piadas grosseiras. Eram elas, afinal, que eles queriam beijar.

No meu caso — uma menina nerd que gostava de submergir nos livros e no cinema, e que ouvia muito Bob Dylan e Chico Buarque —, romances, poemas, filmes e canções con- tribuíram bastante para eu viver esse lugar esquisito, de querer ser tanto o aventureiro que atravessa 2 mil quilômetros escondido em vagões de trem quanto a mulher fatal que faz com que ele finalmente se descuide e acabe morto. Queria ser o herói que tinha um cavalo que falava inglês e também a noiva do caubói. Ainda quero.

Duas décadas depois da conversa no corredor de faculdade, me vejo pensando se hoje entendo melhor os papéis reservados a cada um de nós e como eles aparecem nos discursos culturais. Acho que sim: tenho mais ferramentas teóricas, mais maturidade, mais autoconfiança e mais e melhores amigas, além de ter tido sorte no amor e a competência para aproveitá-la. Apesar disso tudo, a arte sempre pode nos dar uma rasteira. Ela não é um manual com respostas ao final, nem um espelho límpido da realidade concreta, muito menos algo a ser interpretado para se encontrar o sentido da vida. A experiência da arte é um negócio arriscado, para todos os envolvidos.

De alguma forma, leitores amadores conhecem esse caráter de risco melhor do que professores e críticos. Neste livro, tento ocupar uma posição intermediária entre estes e aqueles. Parto de experiências constitutivas da minha vida como leitora, com seus riscos e suas limitações existenciais, sociais e antropológicos, e considero os efeitos afetivos e intelectuais que elas produziram sobre minha vida. Tento então entender o que essas leituras dizem sobre os homens e sobre mim mesma, sobre o que quero, o que quero deles, e o que eles querem de si, do mundo, de mim.

“O que quer uma mulher?” é uma das perguntas mais batidas da psicanálise, uma pergunta que pautou uma imensidão de produções culturais, discussões acadêmicas e conversas de bar. Penso que já passou da hora de nós, mulheres, revirarmos a situação e tomarmos para nós a tarefa de pensar o que querem os homens.

É preciso, porém, reconhecer que as respostas — tal qual as cartas desesperadas de Albert Camus — podem ser mais desconcertantes do que esperávamos, sobretudo quando tratamos de temas que são da natureza dos desejos e das paixões. Nesse universo, não há conclusões definitivas, não há generalizações possíveis; para adentrá-lo, precisamos, como defendeu Susan Sontag, não de uma prática intensamente interpretativa da arte, mas de uma “erótica da arte”.

Aqui, essa abordagem se mistura a um feminismo que me faz observar a masculinidade com olhos generosos — simplesmente porque me parece mais divertido e produtivo. Por essas e outras, registro logo um credo importante: personagens machistas não tornam o autor ou o livro machistas, não necessariamente. E mais: livros machistas não são necessariamente ruins. Se o homem tem tantas vezes dificuldade de se abrir para o outro — essa exigência da ficção —, me esforço para não cair no mesmo erro. Também critico, porém, a falácia segundo a qual obra e autor são entidades separadas por milagre. Não são, e às vezes temos que decidir se vamos sustentar gostar de um autor babaca.

Eu banco meus amores proibidos, mas também me dou o direito de rir dos homens de vez em quando. Gosto de pensar, porém, que estou rindo com eles: qualquer um com quem valha a pena conversar há de ter a clareza de que o mundo masculino cria armadilhas ridículas para todos nós. A ensaísta francesa Virginie Despentes escreveu algo que carrego como lembrete: diferentemente dos homens, ela diz, “meu poder jamais se baseará na inferiorização da outra metade da humanidade”.

Evoquei, há pouco, a pergunta freudiana sobre o que quer uma mulher. Encerro esta apresentação lembrando uma afirmação do outro grande teórico da psicanálise, Jacques Lacan. Nos anos 1970, ele cravou que “não há A mulher” — ou, como se popularizou dizer, “a mulher não existe”. Como tantas de suas frases, essa é tão complexa quanto provocativa e polêmica, produzindo reflexões e desencadeando fúrias sem fim.

Resumindo demais a questão, o que Lacan propõe é que, diferentemente do homem, sujeito à regra do gozo fálico — obstáculo pelo qual “não chega […] a gozar do corpo da mulher” e que é “só falha, hiância” —, não haveria uma única forma de gozo por meio da qual a mulher pudesse ser definida. Por sua essência, escreve ele, a mulher “não é toda”. Talvez por isso, diz Lacan, sejamos capazes de uma forma diferente de gozo, um gozo suplementar que escape à linguagem e que nos permita uma relação real com o outro, experiência sobre a qual nada podemos dizer a não ser que a conhecemos. Um pouco de piração psicanalítica, um pouco de projeção, enfim.

No fundo da questão lacaniana penso encontrar a perplexidade do homem diante de uma outra forma de gozar. E, ainda mais no fundo, está a inabilidade dele de conceber um gozo que não seja representado a olhos nus. Na superfície, porém, está simplesmente a fascinação com o diferente. Como Simone de Beauvoir já nos ensinou há tempos, para o pensamento ocidental masculino, “a mulher determina-se e diferencia-se em relação ao homem, e não este em relação a ela; a fêmea é o inessencial perante o essencial. O homem é o Sujeito, o Absoluto; ela é o Outro”.

As consequências disso sempre foram nefastas para as mulheres, mas não precisam continuar a ser. A verdade é que dependemos do outro para definir quem somos para nós mesmas. “A categoria do Outro é tão original quanto a própria consciência”, escreve Beauvoir. Esse Outro sempre apresentará ausências, oferecerá riscos, se mostrará, em alguma medida, como imperscrutável e ameaçador. Ele afeta o desconhecido em nós. Em outras palavras, o Outro, como realidade que nos escapa, nunca se entregará ao nosso conhecimento. Nunca existirá. Faz todo sentido que, para Lacan — psicanalista, homem e grande sedutor de mulheres —, não exista a mulher. Compreendo bem a sensação. Para mim e para este livro, é o homem que não existe.

¹ Camus era diretor do jornal clandestino Combat, ligado à Resistência, durante a Ocupação nazista na França, que durou até dezembro de 1944. Paris foi libertada em agosto do mesmo ano.

² Albert Camus, Maria Casarès, Correspondance (1944-59). Paris: Galli- mard, 2017, p. 30. Salvo indicação em contrário, as traduções neste livro são minhas.

³ Como Jean-Paul Sartre famosamente o definiu.

Ver, por exemplo, Albert Camus, O avesso e o direito, prefácio de 1958.
Trad. de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: Record, 2018.

Albert Camus, O estrangeiro. Trad. de Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 46.

Aqui ele descreve um dos modelos de “homem absurdo”, Don Juan. Albert Camus, O mito de Sísifo. Trad. de Ari Roitman e Paulina Watch. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 87.

Ibid., p. 86.

⁸ Albert Camus, Le Malentendu. In: _____. Caligula suivi de Le Malentendu. Paris: Gallimard; Folio, 1958, pp. 228-9.

A expressão é de outra crítica, Judith Fetterly. In: Shoshana Felman, What Does a Woman Want? Reading and Sexual Difference. Baltimore: The Johns Hopkins Press, 1993, pp. 4-6. No livro, Felman discute o modo como as presenças femininas na literatura masculina por vezes resistem a seus próprios autores e faz uma leitura sofisticada de Freud e Balzac.

¹⁰ Susan Sontag, “Contra a interpretação”. In: _____. Contra a interpretação e outros ensaios. Trad. de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2020, p. 29.

¹¹ Virginie Despentes, Teoria King Kong. Trad. de Márcia Bechara. São Paulo: N-1, 2016, p. 114.

¹² Jacques Lacan, O Seminário, Livro 20: Mais, ainda. Trad. de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2008, p. 79.

¹³ Ibid., pp. 14-5, 79-80. Vale observar que, para Lacan, as categorias homem e mulher não são necessariamente fixadas pela anatomia.

¹⁴ Simone de Beauvoir, O segundo sexo. Trad. de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 17.