Listão da Semana,

Examinando o SUS e mais 7 lançamentos

‘SUS: uma reforma revolucionária’ apresenta os desafios de um sistema que visa assegurar o direito à saúde para mais de 212 milhões de pessoas

14abr2022 - 11h24 | Edição #56

Por que Fidel Castro e Barack Obama não se entenderiam se fossem convidados a opinar sobre o SUS? Eis uma das muitas perguntas a que o professor Paulo Capel Narvai tenta responder em SUS: uma reforma revolucionária, que chega nesta semana às livrarias. Ao longo de quase trezentas páginas, ele apresenta os desafios de se criar e manter um sistema que visa assegurar o direito à saúde para mais de 212 milhões de pessoas. Para o autor, a pandemia do coronavírus colocou o SUS sob os holofotes e fez com que desfrutasse de uma credibilidade inédita, mas não basta apenas comemorar sua existência: é preciso enfrentar suas deficiências e protegê-lo dos ataques antidemocráticos.

Completam a seleção da semana romances da carioca Clara Drummond e da somali-britânica Nadifa Mohamed, análises da crise na democracia brasileira e do racismo na formação do país, a história do comunismo e dois livros sobre a cultura grega . 

Viva o livro brasileiro!

SUS: uma reforma revolucionária. Paulo Capel Narvai.
Autêntica • 272 pp • R$ 59,80

Paulo Capel Narvai, professor da Universidade de São Paulo, expõe a origem e a história do Sistema Único de Saúde (SUS) e seus desafios na atualidade. O autor discute os conceitos de saúde e doença, o problema das epidemias e pandemias, a evolução da saúde pública no Brasil, a luta pela reforma sanitária na década de 80, a Constituinte e a criação do SUS, os problemas da saúde pública, a governança do SUS e a participação dos cidadãos. 

Trecho do livro: “Sem participação social e controle público das suas decisões e sem práticas democráticas de gestão participativa, sem publicização de seu orçamento, fundamentos da democracia SUSista, não seria mais o SUS, mas um simulacro de intervenção pública na saúde. Impotente como projeto civilizatório, prestar-se-ia unicamente à manipulação político-eleitoral da saúde. Por essa razão o SUS é democracia, pois sua vitalidade, sua razão de ser está umbilicalmente ligada ao destino da democracia entre nós”.

Leia também: Livro analisa como o SUS reduziu desigualdades desde 1988 e mostra os desafios para garantir o direito à saúde por meio do Judiciário.

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Os coadjuvantes. Clara Drummond.
Companhia das Letras • 112 pp • R$ 54,90

Considerado pela autora seu livro mais político, o terceiro romance da escritora carioca Clara Drummond foca a jovem elite no mundo das artes, seus privilégios e sua obsessão pela imagem.

Em entrevista à Quatro Cinco Um, a autora falou sobre o livro: “Já disseram que é muito difícil fazer um bom filme sobre a elite brasileira porque ela é muito caricata. Eu anoto coisas que vejo ou ouço e essas são provavelmente as partes mais caricatas do livro. São situações verídicas, mas parecem diálogo de vilão de novela mexicana. Em alguns momentos tive de diminuir o tom para deixar o texto verossímil. Mas os comportamentos e opiniões baseados em fatos são os que têm mais humor”.

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Linguagem da destruição: a democracia brasileira em crise. Heloisa Murgel Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto.
Companhia das Letras • 200 pp • R$ 69,90/39,90

O livro apresenta análises do projeto bolsonarista de destruição da democracia sob três perspectivas diferentes. Heloisa Starling investiga o reacionarismo do grupo político no poder, rastreando sua gênese histórica e seus antecedentes. Miguel Lago discute a resiliência do eleitorado bolsonarista e o impacto das redes sociais e da religião em suas decisões. Já Newton Bignotto reflete sobre os conceitos de teoria política empregados para definir o bolsonarismo e seus matizes ideológicos.
 
Leia também: O que é comprovável por razão, fatos ou ciência pode ser potencialmente falso quando se mostra inconveniente para líderes como Jair Bolsonaro.

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A sociedade desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil. Mário Theodoro.
Zahar/Companhia das Letras • 448 pp • R$ 79,90/39,90

O economista Mário Theodoro explica a centralidade do racismo na construção da sociedade nacional como principal motor e organizador das desigualdades sociais e o papel da violência como avalista da opressão. Essa violência se manifesta na atuação do aparelho policial e judicial, mas também provém das precárias condições de moradia, transporte público, saúde e educação, assim como da precarização do trabalho e dos baixos níveis de renda. Todas essas desigualdades asseguram a manutenção do status quo, e em cada uma delas o elemento racial é o principal fator explicativo.

Leia também: A filósofa Djamila Ribeiro aponta caminhos construtivos para uma sociedade menos racista.

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Menino mamba-negra. Nadifa Mohamed.
Trad. Marina Della Valle • Tordesilhas/Alaúde • 296 pp • R$ 49

A escritora somali-britânica Nadifa Mohamed narra em seu romance de estreia a jornada de um garoto que, após perder a mãe aos dez anos, pouco antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial, parte em uma jornada épica em busca de seu pai, ausente desde que ele era um bebê. Ele cruza o mar Vermelho para chegar à Somália, terra de seus ancestrais nômades, e dali atravessa Djibouti, Eritreia, Sudão e Egito até embarcar para o Reino Unido. O livro é inspirado na vida de seu pai, que foi marinheiro. No ano passado, a autora foi finalista do Booker Prize com The Fortune Men, seu romance mais recente.

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A questão comunista: história e futuro de uma ideia. Domenico Losurdo.
Trad. Rita Coitinho  • Intr. Giorgio Grimaldi • Boitempo • 216 pp • R$ 59

Nessa obra póstuma —  Domenico Losurdo trabalhava nela na época de seu falecimento, em junho de 2018 — sobre o comunismo, o filósofo italiano discute o problema da gestão concreta do poder, precisamente a questão que o marxismo ocidental se recusou a debater em profundidade, diferentemente do que ocorreu no Oriente (pense-se na evolução da China e do Vietnã). Losurdo retoma o diálogo com o liberalismo e compara o materialismo histórico ao pensamento de pensadores como Žižek, Badiou, Negri, Bobbio e Hobson. 
 
Leia também: Historiador italiano escreve sobre a tristeza vaga e profunda que sempre assolou a cultura de esquerda.

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Os gregos: a trajetória de um povo que moldou a cultura ocidental. Isaac Asimov.
Trad. Luis Reyes Gil • Planeta Minotauro • 368 pp  • R$ 69,90

Ganhador de muitos prêmios (Hugo, Nebula, Locus) por suas obras de ficção científica, o escritor russo-americano Isaac Asimov escreveu também mais de cem livros de não ficção, a grande maioria sobre química, física, biologia e astronomia. Mas produziu também catorze livros de história, como esta obra publicada em 1965, em que reconstitui a história da Grécia desde a era micênica, destacando seu legado cultural. 

Trecho do livro: "Nenhum povo deixou na história uma marca tão profunda quanto os gregos. Esse povo, que viveu há vinte e cinco séculos, escreveu relatos fascinantes sobre os próprios deuses e heróis, e relatos ainda mais incríveis sobre si mesmos. Construíram belos templos, esculpiram estátuas maravilhosas e escreveram peças de teatro magníficas. Produziram alguns dos maiores pensadores que o mundo já teve. As modernas ideias que temos de política, medicina, arte, teatro, história e ciência remontam a eles. Ainda lemos os escritos, estudamos a matemática, refletimos a respeito da filosofia e contemplamos, assombrados, ruínas e fragmentos dos belos edifícios e estátuas dos gregos. Toda a civilização ocidental descende diretamente da obra deles, e a história de seus triunfos e desastres nunca perdeu o fascínio”.

Leia também: Desde sua criação, pelo escritor tcheco Karel Čapek, até sua popularização por Isaac Asimov, como o ser robótico se tornou um fenômeno global.

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Mitos gregos: nas tramas das deusas. Charlotte Higgins.
Ils. Chris Ofili • Trad. Denise Bottmann • Zahar/Companhia das Letras • 424 pp • R$ 94,90

Seguindo o modelo adotado por Ovídio nas suas Metamorfoses, a redatora-chefe da seção de cultura do The Guardian faz uma releitura dos mitos gregos, recontando-os pela perspectiva de suas figuras femininas: Atena, Helena, Andrômaca, Circe, Penélope, Alcitoé, Filomela e Aracne. Entre as lendas reinterpretadas estão o surgimento do mundo e o nascimento dos Titãs, a Guerra de Troia, a tragédia de Édipo e o êxtase provocado por Dioniso.

Leia também: Livro investiga as diversas versões do mito do roubo do fogo, que teria dado origem à humanidade há pelo menos 160 mil anos.

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Quem escreveu esse texto

Marília Kodic

Jornalista e tradutora, é co-autora de Moda ilustrada (Luste).

Mauricio Puls

É autor de Arquitetura e filosofia (Annablume) e O significado da pintura abstrata (Perspectiva), e editor-assistente da Quatro Cinco Um.

Matéria publicada na edição impressa #56 em fevereiro de 2022.