Listão da Semana,

Erotismo na literatura, Barthes, Luciany Aparecida e mais 10 lançamentos

Nos primeiros volumes da coleção Ensaio Aberto, Eliane Robert Moraes aproxima filosofia e poesia para discutir o etorismo na literatura brasileira e Paloma Vidal reflete a obra de Roland Barthes

24out2023 - 16h29 | Edição #74

Lançada esta semana, a coleção Ensaio Aberto traz, em seus dois primeiros volumes, uma aproximação da filosofia e da poesia para discutir o lugar do erotismo no cânone literário brasileiro, nos ensaios de Eliane Robert Moraes, e a obra do crítico francês Roland Barthes, nos textos de Paloma Vidal. 

Também chegam às livrarias o primeiro romance da poeta baiana Luciany Aparecida; mais literatura erótica nos contos da uruguaia Marosa di Giorgio; a questão do racismo e antissemitismo em análises do historiador Leo Spitzer; um romance queer do início do século passado, de Jacques Fersen; um ensaio sobre o papel do Brasil nos debates raciais do século 19, por Luciana da Cruz Brito; uma antologia afro-indígena sobre a Terra; e mais novidades quentinhas. 

Viva o livro brasileiro!

A parte maldita brasileira: literatura, excesso, erotismo. Eliane Robert de Moraes.
Tinta-da-China e Tinta-da-China Brasil • 424 pp • R$ 120

Não escrever [com Roland Barthes]. Paloma Vidal.
Tinta-da-China e Tinta-da-China Brasil • 128 pp • R$ 59,90

Duas críticas literárias inauguram a Coleção Ensaio Aberto, idealizada e coordenada por Tatiana Salem Levy, professora da Universidade NOVA de Lisboa, e Pedro Duarte, da PUC-Rio. A coleção nasce de uma parceria entre essas duas instituições e as editoras Tinta-da-China, em Lisboa, e Tinta-da-China Brasil (selo editorial da Associação Quatro Cinco Um), em São Paulo.

Em A parte maldita brasileira, Eliane Robert Moraes apresenta ensaios sobre Machado de Assis, Hilda Hilst, Nelson Rodrigues, Roberto Piva e Reinaldo Moraes. Inspirada nas concepções de George Bataille, ela discute o lugar do erotismo no cânone literário brasileiro. Já em Não escrever [com Roland Barthes], Paloma Vidal reúne textos produzidos nos anos 2010 a partir de sua pesquisa em torno do crítico francês e, navegando entre a criação e a reflexão, investiga as razões que levaram o crítico francês a desistir de escrever seu planejado romance Vita Nova.

Leia também: Erotismo na literatura brasileira e teoria poética sobre Roland Barthes inauguram coleção Ensaio Aberto

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Mata doce. Luciany Aparecida.
Alfaguara • 304 pp • R$ 69,90

No primeiro romance da poeta e pesquisadora baiana, a protagonista busca tomar as rédeas de sua história. Às vésperas de se casar, a intervenção de um fazendeiro violento muda a sua vida para sempre e ela se torna uma matadora de bois que escreve cartas ditadas pelos habitantes do vilarejo de Mata Doce.

"Localiza-se no interior baiano o casarão habitado pela preta Maria Teresa da Vazante e de tantas outras parentas e antepassadas que se confundem com ela. Mapa nenhum, contudo, dá conta de fixar o que nesse endereço rodeado de rosas brancas foi alicerçado nas emboscadas de um calendário não linear, onde mais uma vez é maio, sempre domingo, dia de vestir-se de noiva para casar-se com Zezito. Espaço-tempo fundem-se, pois a festa de casamento é assaltada por uma tragédia que marca a vida da protagonista de Mata Doce. Ao recordar esses eventos, ela rejuvenesce e presentifica as histórias de outros tantos viventes (e mortos), humanos e não humanos, que estão de passagem pelo vilarejo rural homônimo do primeiro romance assinado pela autora baiana Luciany Aparecida." Leia a resenha completa de Luciana Araujo Marques.

Ouça também: A escritora Carla Madeira e a jornalista e poeta Stephanie Borges falam sobre relacionamentos abusivos e outras violências contra a mulher no mundo e na literatura

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Rosa mística: contos eróticos. Marosa di Giorgio.
Trad. Josely Vianna Baptista • Carambaia • 180 pp • R$ 86,90

Publicado originalmente em 2003 pela escritora surrealista uruguaia, o volume reúne quarenta breves contos oníricos sob o nome Lumínile (luminosidade) e uma narrativa mais extensa que dá título à coletânea. Contém cenas intrigantes, em que as mulheres são cobiçadas e às vezes violadas por seres de diversas ordens (animais, plantas, demônios). O livro traz um posfácio da crítica literária Eliane Robert Moraes e um ensaio de Gabriela Aguerre.

Ouça também: A crítica literária Eliane Robert Moraes e o editor Paulo Werneck discutem a presença do sexo na literatura brasileira do último século

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Racismo e antissemitismo: as trajetórias de Stefan Zweig, André Rebouças e Joseph May. Leo Spitzer.
Trad. Vera Ribeiro • Companhia das Letras • 408 pp • R$ 99,90

Professor emérito da Universidade de Dartmouth, o historiador nascido na Bolívia (filho de judeus austríacos que fugiram da perseguição nazista) estuda as trajetórias de três personagens oriundos de grupos sociais marginalizados que ascenderam socialmente no final do século 19: o engenheiro André Rebouças, um negro no Brasil escravista; Joseph May, na Serra Leoa dominada pelos ingleses; e Stefan Zweig, judeu numa Áustria enredada no antissemitismo. Ele explica as diversas vertentes desse processo de assimilação cultural desses segmentos estigmatizados.

Leia também: Artigo de Antônio Risério reforça estigmas não apenas em relação aos negros, como também em relação aos judeus

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O beijo de narciso. Jacques Fersen.
Trad. Régis Mikail • Pref. Rodrigo Lopez • Ercolano • 144 pp • R$ 79,10

Romance queer escrito em 1907 narrando as desventuras do belo Milès, filho de uma escrava com um rico comerciante de Biblos. Desde a infância o rapaz foi predestinado ao sacerdócio, mas foge do templo após uma experiência traumática e se torna um escravo à venda no mercado de Atenas. 

Leia também: Romance francês permite vislumbrar o que o clássico brasileiro O Ateneu teria virado nas mãos da parcela mais bicha da escola

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O avesso da raça: escravidão, abolicionismo e racismo entre os Estados Unidos e o Brasil. Luciana da Cruz Brito.
Bazar do Tempo • 320 pp • R$ 78

Ganhadora do prêmio Thomas Skidmore de 2018, a historiadora brasileira reconstitui o papel da sociedade brasileira nos debates raciais e políticos dos Estados Unidos no século 19. Enquanto os abolicionistas afro-americanos como Frederick Douglass viam na sociedade brasileira miscigenada – em que os libertos podiam acessar direitos – um modelo idealizado a ser seguido, os escravistas e os cientistas racialistas descreviam um exemplo a ser evitado, já que o país favorecia a existência de formas de vida “inferiores”.

Leia também: Leia a entrevista exclusiva com a criadora de projeto que revê o papel da escravidão nos EUA, Nikole Hannah-Jones, do NYTimes

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Terra: antologia afro-indígena. Antônio Bispo dos Santos, Davi Kopenawa e outros.
Ubu/Piseagrama • 368 pp • R$ 89,90

Antologia com 25 ensaios sobre as relações da terra com o clima, a cidade, a política e o corpo, escritos da perspectiva dos habitantes de quilombos, territórios indígenas, reservas extrativistas, assentamentos, ocupações, favelas, terreiros, reinados e periferias urbanas. 

Leia também: Flica abraça literatura além do livro e projeta Brasil afro-indígena

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Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Frantz Fanon. Frédéric Ciriez & Romain Lany.
Trad. Ana França e Maria Teresa Mhereb • Veneta • 248 pp • R$ 119,90

HQ que descreve a vida e as lutas de Fanon a partir de seu encontro em 1961 com os filósofos Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em Roma.

O palco tão temido. Renata Wolff.
Dublinense • 320 pp • R$ 69,90

A autora de Fim de festa (2015) narra uma trama envolvendo uma estrela da comédia, Graciela Jarcón, que decide representar Lady Macbeth para provar que também pode ser uma grande atriz dramática, mas enfrenta sérias dificuldades.

Não quero ter filhos: e ninguém tem nada com isso. Bruna Maia.
Companhia Editora Nacional • 280 pp • R$ 63,90

Baseada em vinte depoimentos de mulheres que não desejam ter filhos, a escritora e artista plástica gaúcha questiona alguns valores religiosos e culturais do Ocidente.

Vida ao vivo. Ivan Angelo.
Companhia das Letras • 296 pp • R$ 79,90

O autor dos premiados A festa (1976) e Amor? (1995) cria uma trama mirabolante sobre o dono de uma emissora de TV que acredita ter sido criminosamente infectado com o vírus da Covid e tenta encontrar uma mulher de seu passado.

Teatro reunido. Augusto Boal.
Intr. Iná Camargo Costa • Editora 34 • 752 pp • R$ 136

Volume com catorze peças (das quais oito inéditas) assinadas exclusivamente pelo criador do Teatro do Oprimido. Reúne textos da juventude e obras criadas para o Teatro Experimental do Negro e o Teatro de Arena.

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Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, , editora da Quatro Cinco Um, está lançando Tantra e a arte de cortar cebolas (34)

Mauricio Puls

É autor de Arquitetura e filosofia (Annablume) e O significado da pintura abstrata (Perspectiva), e editor-assistente da Quatro Cinco Um.

Matéria publicada na edição impressa #74 em setembro de 2023.