Listão da Semana,

Camila Sosa Villada, direitos LGBTI+, Cidinha da Silva e mais 12 lançamentos

A escritora argentina, autora de 'Parque das irmãs magníficas', terá toda sua obra lançada no Brasil nos próximos dias

21jun2024 - 13h31

A escritora argentina, autora de Parque das irmãs magníficas, terá toda sua obra lançada no Brasil nos próximos dias. Nesta semana, chegam às livrarias dois, Tese sobre uma domesticação e A viagem inútil: trans/escrita. Villada também estará no país em breve: ela é uma das convidadas d’A Feira do Livro 2024, que acontece de 29 de junho a 7 de julho na praça Charles Miller, em São Paulo. 

Também chegam às livrarias a coletânea de artigos sobre direitos LGBTI+ organizada por Renan Quinalha, Emerson Ramos e Alexandre Melo Franco Bahia; crônicas antirracistas de Cidinha da Silva; um romance de Elif Shafak; um estudo sobre a cosmologia dos Bantu-Kongo, de Bunseki Fu-Kiau; entrevistas com economistas brasileiros nos 30 anos do Plano Real; um diário inédito de Virginia Woolf; e mais novidades quentinhas.

Viva o livro brasileiro!

Veja os lançamentos de semanas anteriores.


Tese sobre uma domesticação. Camila Sosa Villada.
Trad. Silvia Massimini Felix • Companhia das Letras • 224 pp • R$ 69,90

Uma artista travesti de sucesso, um advogado gay e seu filho adotado compõem uma família em que convenções sociais e disposição de se adaptar são confrontadas pelas possibilidades diversas do amor e pelo desejo de libertação.

Em entrevista à Quatro Cinco Um, Villada diz que “Depois de O parque das irmãs magníficas, parecia que as pessoas esperavam mais miséria e tristeza travesti. Queriam que eu continuasse a escrever sobre isso para satisfazer um grupo de leitores cativos, que estava me mantendo nesse momento. Mas Tese sobre uma domesticação caga para tudo isso. Na minha opinião, é um dos melhores livros que escrevi. Ou o melhor, se preferir. Não escrevi sobre a dor das travestis no sentido político latino-americano, e sim sobre a dor de uma única travesti, capaz de compreender que sua vida é uma merda e é melhor cortar os pulsos num canal de TV”. Leia a entrevista de Adriana Ferreira Silva na íntegra.

Leia mais: Em Tese sobre uma domesticação, romance de Camila Sosa Villada adaptado ao cinema, artista travesti se submete às convenções sociais; leia trecho

Assinantes da Quatro Cinco Um têm 25% de desconto no site da Companhia das LetrasConheça o nosso clube de benefícios, que dá descontos em livros, eventos e mais.


A viagem inútil: trans/escrita. Camila Sosa Villada.
Trad. Silvia Massimini Felix • Fósforo • 72 pp • R$ 59,90

Ensaio autobiográfico em que a atriz e escritora argentina resgata memórias de infância, sua relação com os pais que a apresentaram à escrita e à leitura e reflete sobre como a literatura alcançou sua vida, como refúgio contra a pobreza, a tristeza e a violência. 

Trecho:
“A história do meu travestismo, da minha família, da minha tristeza na infância, de toda essa tristeza prematura que era minha família, o alcoolismo do meu pai, as carências da minha mãe. As mudanças que me afastavam para sempre dos amigos, da atmosfera do meu quarto, dos hábitos do pátio, da segurança de um esconderijo. Escrevo para poder contar as imagens que povoaram minha infância. As paisagens do campo onde compreendi que existia tristeza, o momento em que peguei a tristeza da minha mãe e a tornei minha, esse momento em que, muito criança, decidi me condoer pela tristeza da minha mãe.

Também para contar a luta da minha família contra a pobreza, uma luta que nos devastou e nos encheu de rancor, desgosto e indiferença, todos contra todos.” Leia o trecho na íntegra.
Leia tambémCamila Sosa Villada provoca novos usos das palavras para naturalizar encontros e identidades

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Direitos LGBTI+ no Brasil: novos rumos da proteção jurídica. Renan Quinalha, Emerson Ramos & Alexandre Melo Franco Bahia (orgs.).
Edições Sesc • 472 pp • R$ 78

Coletânea de artigos apresenta um panorama dos instrumentos legais e contextos jurídicos de proteção a pessoas LGBTQIA+ conquistados no Brasil. Dividido em cinco partes, traz ainda os principais debates sobre gênero e sexualidade, as políticas de direito e o sistema jurídico, sem perder de vista as demandas de grupos vulnerabilizados. 

Leia também: Ensaio de Renan Quinalha, escritor e professor de direito, mostra o papel dos espaços públicos e semipúblicos dos grandes centros na consolidação do movimento LGBTI+

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Vamos falar de relações raciais? Crônicas para debater o antirracismo. Cidinha da Silva.
Autêntica • 144 pp • R$ 59,80

A historiadora e escritora mineira, autora de Um Exu em Nova York (Pallas, 2020), reúne crônicas, atividades e exercícios que debatem desigualdades raciais, como o colorismo, a violência racial no Brasil e a potencialização desses desafios durante a pandemia de covid-19, enquanto convida os leitores a se tornarem agentes ativos da luta antirracista.

Ouça também: Ana Maria Gonçalves e Cidinha da Silva conversam sobre a importância histórica de Um defeito de cor e de Maria Firmina dos Reis, autora homenageada da Flip em 2022

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O manuscrito. Elif Shafak.
Trad. Julia Romeu • HarperCollins • 352 pp • R$ 69,90

A escritora turca é autora de 10 minutos e 38 segundos neste mundo estranho e A ilha das árvores perdidas, ambos finalistas de vários prêmios, como o Booker Prize e o British Book Awards. No novo romance, narra a jornada de uma mulher em busca de si após um divórcio turbulento. Trabalhando em um agência literária, ela se depara com um manuscrito misterioso inspirado nas ideias de Rumi, poeta e teólogo sufi persa do século 13, e sua relação com Shams de Tabriz, um sábio dervixe andarilho que o influenciou na formulação de suas célebres ideias sobre o amor.

Leia tambémElif Shafak questiona a utilidade do sofrimento em romance intimamente político sobre a divisão do Chipre


O livro africano sem título: cosmologia dos Bantu-Kongo. Bunseki Fu-Kiau.
Trad. Tiganá Santana • Cobogó • 208 pp • R$ 86

Um dos mais importantes pesquisadores da cultura africana, o professor congolês sintetiza as bases da cosmologia da comunidade Bantu-Kongo, focando em suas vidas e vivências a partir de ensinamentos, provérbios e suas visões sobre o mundo, muito apoiadas na ancestralidade e na coletividade. A edição traz ainda uma entrevista do tradutor com a educadora e ativista baiana Makota Valdina, primeira tradutora de Fu-Kiau para o português.

Leia também: Reconhecida pela Unesco como património imaterial da humanidade, a rumba congolesa sacudiu multidões na luta contra o domínio colonial europeu

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Conversas com economistas brasileiros. Ciro Biderman, Luis Felipe L. Cozac e José Márcio Rego.
Pref. Pedro Malan • Editora 34 • 528 pp • R$ 119

Nova edição revisada e ampliada da obra que reúne dezesseis entrevistas com importantes economistas do país, editada em comemoração aos trinta anos do Plano Real. Inclui textos inéditos de Pedro Malan, André Lara Resende e Persio Arida, todos envolvidos na elaboração do plano, além de uma entrevista com Maria da Conceição Tavares, economista nascida em Portugal e ex-deputada federal morta no último dia 8.

Leia também: Coautor do Plano Real, Gustavo Franco reconstitui a história monetária do país a partir da legislação e das instituições

Assinantes da Quatro Cinco Um têm 30% de desconto no site da Editora 34Conheça o nosso clube de benefícios, que dá descontos em livros, eventos e mais.


O diário de Asheham. Virginia Woolf.
Trad. Ana Carolina Mesquita • Editora Nós • 80 pp • R$ 60

Em comemoração ao Dalloway Day, 19 de junho, um diário inédito da escritora britânica escrito entre 1917 e 1918, durante as idas com o marido à casa Asheham, em Sussex, após um episódio de turbulência mental. Aconselhada por médicos, a autora de Mrs. Dalloway e Orlando retoma a escrita ao descrever sua fragilidade perante o fazer literário e a redescoberta de sua própria linguagem.

Leia também: O primeiro volume dos diários de Virginia Woolf mostra sua rotina, em que caminhava, cozinhava, recebia amigos e imprimia livros


Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Maldito invento dum baronete: uma breve história do jogo do bicho. Luiz Antônio Simas.
Ils. Pablo Meijueiro e Fernanda Varella • Mórula Editorial • 184 pp • R$ 80
O historiador investiga as origens e a formação do Jogo do Bicho como um elemento da cultura popular carioca.

Clearblue blues. Cristina Parga.
Urutau • 80 pp • R$ 48
Mesclando poesia e prosa poética, a escritora descreve a dor e o trauma de perdas gestacionais.

Retorno ao ventre: Mỹnh fi nugror to vẽsikã kãtĩ. Jr. Bellé.
Elefante • 168 pp • R$ 60
Vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte 2023 na categoria poesia, e em edição bilíngue português-kaingang, reúne memória, retrata a colonização do sudoeste paranaense, território indígena onde o autor nasceu. 

Legados: a coleção de arte africana Cerqueira Leite. Lisy-Marta Heloísa Leuba Salum e Renato Araújo da Silva.
Editora da Unicamp/Editora Splendet • 391 pp • R$ 280
A professora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e o pesquisador do Museu Afro Brasil elaboram um estudo sobre as noções de arte do continente africano em contraposição aos modelos europeus.

Mundurucu na Confederação do Equador. Paulo Santos, Libório Melo e Luciano Félix.
Cepe HQ • 160 pp • R$ 70
A partir de fatos e personagens históricos, a HQ narra histórias do Major Emiliano Mundurucu, um dos pioneiros da luta abolicionista e um dos líderes militares da Confederação do Equador de 1824.

Como asas e âncoras. Kátia Valevski.
Folhas de Relva • 241 pp • R$ 62,90
A cearense narra a fuga de uma adolescente do Rio Grande do Norte para São Paulo após um episódio de violência sexual e que, já adulta, retorna à cidade natal com outro nome.

Expansão marítima. Taís Bravo.
Edições Macondo • 108 pp • R$ 52
A fundadora da iniciativa literária Mulheres que Escrevem narra a própria busca pela genealogia do pai, um jovem de Feira de Santana que se mudou para o Rio de Janeiro na década de sessenta.

Kuján e os meninos sabidos. Ailton Krenak.
Ils. Rita Carelli • Companhia das Letrinhas • 40 pp • R$ 54,90
Depois de muito tempo, o criador do mundo resolve visitar suas criações na forma de um tamanduá, mas apenas dois meninos o reconhecem, param para ouvir suas histórias e decidem protegê-lo do resto da aldeia.

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