Listão da Semana,

Aoko Matsuda, Bernardo Esteves, José Eduardo Agualusa e mais 11 lançamentos

‘Onde vivem as monstras’, de Aoko Matsuda, reúne contos fantásticos inspirados no folclore japonês a partir de visões feministas e bem-humoradas

31out2023 - 14h59 | Edição #74

Uma versão feminista das histórias folclóricas japonesas chega esta semana às livrarias. Onde vivem as monstras, de Aoko Matsuda, coletânea de contos sobre fantasmas espirituosas, é o livro do Clube do Livro 451 e do Clube de Leitura Japan House São Paulo + Quatro Cinco Um de novembro.

A semana também traz a Trilogia de Copenhagen, da dinamarquesa Tove Ditlevsen; um ensaio sobre a descolonização de afetos, de Geni Nuñez, e outro sobre o impacto da tecnologia nas artes e na ciência, de Stephen Kern; um romance premiado de José Eduardo Agualusa; o livro de Bernado Esteves sobre a ocupação de homo sapiens nas Américas; uma autoficção do diretor do Festival de Cannes; um romance sobre o músico preferido de d. João VI; um infantojuvenil sobre imaginação e criação, de Clara Gavilan; e mais novidades quentinhas.

Viva o livro brasileiro!

Onde vivem as monstras. Aoko Matsuda.
Trad. Rita Kohl • Gutenberg • 224 pp • R$ 64,90

Coletânea de contos que revisitam as tradicionais histórias folclóricas japonesas de uma perspectiva feminista e muito bem-humorada. Ganhadora do World Fantasy Award em 2021, a escritora traz uma série de narrativas fantásticas, em que fantasmas espirituosas prestam diversos serviços úteis às pessoas, enquanto revelam a natureza profunda dessas figuras.

“Tecendo os contos como uma aranha, a premiada escritora Aoko Matsuda conecta os fios quase invisíveis entre uma história e outra neste Onde vivem as monstras, em que mortos convivem naturalmente com vivos, crânios são pescados, árvores produzem leite humano, incensos emulam uma chamada de vídeo com o além e a integridade de uma cadeira da Ikea é ameaçada”, escreve Natércia Pontes em resenha para Quatro Cinco Um. Leia na íntegra.

Leia tambémAutoras japonesas contemporâneas abordam a estranheza de viver em um mundo moderno que ainda é ditado pela tradição

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Trilogia de Copenhagen: infância, juventude e dependência. Tove Ditlevsen.
Trad. Heloisa Jahn e Kristin Lie Garrubo • Companhia das Letras • 392 pp • R$ 79,90

Reúne três volumes autobiográficos da grande escritora dinamarquesa. Com um denso sentimento de inconformidade com os papéis sociais que a sociedade europeia reservava às mulheres da classe operária logo após a Primeira Guerra Mundial, Ditlevsen descreve sua infância, suas primeiras experiências amorosas e profissionais, seus casamentos difíceis, o reconhecimento como escritora nos anos 50 e os problemas com álcool e drogas.

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Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar. Geni Núñez.
Paidós • 192 pp • R$ 51,90

A psicóloga e ativista indígena guarani discute a imposição do casamento monogâmico pelos missionários da era colonial, que procuravam reprimir as demais modalidades de relacionamento vigentes nas populações indígenas. Ela defende a necessidade de repensar o exclusivismo nos relacionamentos afetivos e o acolhimento das pessoas que desejam vivenciar outras formas de amar.

Ouça também: Em primeiro livro de sua trilogia sobre o amor, bell hooks defende que amar é um ato político revolucionário

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A cultura do tempo e espaço: 1880-1918. Stephen Kern.
Trad. Ana Carolina Mesquita • Quina • 488 pp • R$ 89,90

Professor titular da Ohio State University mostra que as transformações tecnológicas na virada do século 19 para o 20 (telégrafo, telefone, eletricidade, navegação a vapor, fotografia, cinema, avião) revolucionaram a experiência das pessoas com o tempo e o espaço, e tiveram impactos profundos na arte (poesia simultânea, cubismo, surrealismo), nas ciências humanas (sociologia, psicanálise, pragmatismo, fenomenologia) e na física (teoria da relatividade).

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Teoria geral do esquecimento. José Eduardo Agualusa.
Tusquets • 200 pp • R$ 56,90

Publicado em 2012 pelo escritor angolano, conquistou o prêmio Fernando Namora em 2013 e o International Dublin Literary Award em 2017. Narra a história de uma mulher portuguesa que, abandonada pela família em Luanda, tenta sobreviver isolada em seu apartamento, ao lado de seu cão Fantasma, em uma cidade sacudida pela guerra de independência. 

Leia também: Romance de Agualusa usa a reflexão histórica sobre a decadência moral da elite angolana como tear dos pesadelos de seus personagens

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Admirável novo mundo. Bernardo Esteves.
Companhia das Letras • 504 pp • R$ 104,90

Baseado em 116 entrevistas com especialistas de várias disciplinas e nas pesquisas em sítios arqueológicos brasileiros e latino-americanos, o jornalista discute o povoamento das Américas, apontando o colapso do modelo “Clovis First”, que atribuía a ocupação das Américas aos achados arqueológicos na cidade de Clovis, nos EUA, e que por muito tempo dificultou a aceitação de novas descobertas. Ele expõe a trajetória do Homo sapiens desde sua origem na África até a Sibéria, para em seguida analisar os principais achados arqueológicos e genéticos encontrados na Argentina, Estados Unidos, Chile, Brasil, Peru e México.

Ouça também: O jornalista Bernardo Esteves apresenta no 451 MHz seu livro Admirável novo mundo, sobre a ocupação do homo sapiens no continente americano e no mundo

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Judoca. Thierry Frémaux.
Trad. Eloísa Araújo Ribeiro • Fósforo • 272 pp • R$ 89,90

Diretor do Festival de Cannes e do Instituto Lumière descreve a sua experiência no judô – luta criada em 1882 pelo mestre Jigoro Kano, que embute uma maneira diferente de ver e se relacionar com o mundo – e sua trajetória no cinema, apontando a relação profunda entre o esporte e a arte.

Leia também: Um roteiro literário das obras que cultuaram os boxeurs e sua arte, de Jack London e Cortázar a uma nova biografia de Muhammad Ali

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Os primeiros. Ricardo Prado.
Editora da Ponte • 858 pp • R$ 149,90

Primeiro volume de uma trilogia romanesca na qual o maestro e compositor carioca pretende narrar a história dos artistas brasileiros. O protagonista deste romance é o padre José Maurício Nunes Garcia, compositor que viveu sua infância e juventude no período colonial, alcançou o auge de sua carreira profissional no reinado de d. João VI (de quem se tornou o músico preferido) e morreu no reinado de d. Pedro I. 

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Sua vez. Clara Gavilan.
Caixote • 64 pp • R$ 52

O novo livro da designer e artista niteroiense – que ilustrou o livro O galo gago, de Antonio Carlos Secchin, ganhador do selo 10 da Cátedra de Leitura da Unesco – mostra que desenhar em boa companhia é uma experiência muito divertida. 

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Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Cinema Orly. Luís Capucho.
Carambaia • 176 pp • R$ 86,90

Romance erótico do compositor capixaba, cuja ação transcorre numa sala de exibição de filmes pornográficos que se transformou num endereço de encontros homossexuais.

Como é ser autista. Charlotte Amelia Poe.
Trad. Tainara Duarte • Oficina Raquel • 160 pp • R$ 54,50

Livro de memórias da autora britânica, que desde pequena percebeu que era diferente das outras crianças, mas só foi diagnosticada com autismo aos 21 anos.

O leitor comum. Virginia Woolf.
Trad. Ana Carolina Mesquita • Tordesilhas • 288 pp • R$ 79,90

Publicado em 1925, reúne ensaios que partem da figura do “leitor comum” para analisar a produção de Chaucer, Montaigne, Jane Austen e George Eliot.

Freud e o casamento: o sexual no trabalho de cuidado. Maíra Marcondes Moreira.
Autêntica • 256 pp • R$ 64,90

A psicanalista mostra uma faceta mais conservadora de Freud em contraposição às leituras que defendem que ele era um feminista e faz uma articulação entre o cuidado e o trabalho, a divisão sexual, a reprodução social e o patriarcado.

O jardim onírico de Clarice Lispector. Daniela Tarazona e Nuria Meléndez.
Trad. Ayelén Medail • DarkSide • 176 pp • R$ 64,90

Especialista na obra de Lispector, a escritora e crítica literária mexicana (que em 2022 conquistou o prêmio Sor Juana Inés de la Cruz) descreve a vida e a obra da autora brasileira, num livro ilustrado com imagens simbólicas. 

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Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, , editora da Quatro Cinco Um, está lançando Tantra e a arte de cortar cebolas (34)

Mauricio Puls

É autor de Arquitetura e filosofia (Annablume) e O significado da pintura abstrata (Perspectiva), e editor-assistente da Quatro Cinco Um.

Matéria publicada na edição impressa #74 em setembro de 2023.