Capa,

A pele que habitamos

Os escritores James Baldwin e Toni Morrison se encontram na capa de novembro, ilustrada por Sophia Martineck

14dez2018 - 20h57 | Edição #18 nov.2018

Mais de cem ilustrações para uma releitura gráfica de Sherlock Holmes estão entre os trabalhos mais notáveis de Sophia Martineck (@sophiamartineck), artista situada em Berlim. Além de livros como The Adventures of Sherlock Holmes by Arthur Conan Doyle (Rockport, 2014), sua obra estampa páginas de veículos como The New York Times, The New Yorker, Le Monde e The Guardian

Na ilustração para a capa da edição #18 da Quatro Cinco Um, de novembro de 2018, ela imagina um encontro entre os escritores James Baldwin e Toni Morrison. Feitas à mão, com lápis preto, e coloridas digitalmente, suas imagens misturam uma precisão sofisticada a uma estética quase infantil, usando perspectivas distorcidas e ângulos inabituais para imprimir graça a cenas mundanas.

Grande parte do seu trabalho retrata situações mundanas. Como você elimina o tédio da vida cotidiana? Acho a vida cotidiana muito fascinante, as pequenas histórias e observações do nada que costumam passar despercebidas. Eu amo isso. Não acho entediante, acho tocante.

O que você procurou retratar nessa capa? Quando recebo uma comissão, fico animada com a pesquisa. É a parte do meu trabalho de que mais gosto. É como mergulhar em um novo mundo com todas as coisas interessantes. Então, para a capa com Toni Morrison e James Baldwin, li sobre suas vidas. Isso me ajudou a ter uma ideia de como retratá-los. E então, rapidamente, surgiu a ideia de colocá-los juntos como se estivessem falando sobre escrever. Gostei da ideia de que os dois autores se encontram e se sentam juntos. Eu não sei se eles já o fizeram, mas pensei que teria sido legal.

Como os artistas podem contribuir para diminuir a intolerância e a discriminação? Escolhendo assuntos mais diversos e representando mais pessoas de diferentes origens. Além disso, deveria haver mais artistas de diferentes etnias comissionados e expostos, isso ajudaria.

Como é seu ambiente de trabalho? Tenho muitos audiolivros que gosto de ouvir quando trabalho. Ao lado da minha mesa, tenho uma prateleira cheia de livros de áudio que ouço repetidas vezes. Gosto do clima em que eles me colocam. Geralmente é literatura de todo o mundo e de diferentes épocas, desde os clássicos até os livros publicados recentemente. Isso é o que me mantém indo.

O que a inspira? Artistas da Arte Brut/ Outsider Art me inspiram muito, e também gravuras e xilogravuras antigas, desde os tempos medievais até o século 19. Além disso, coisas que vejo nas ruas, pessoas, animais, casas, a vida cotidiana. Imagens que contam uma história também.

O que você mais aprecia no trabalho como ilustradora? Cada tarefa que tive me deu uma nova visão sobre um novo tópico, e é isso que eu amo ilustrar. Estou muito feliz com o fato de que as pessoas me pedem para desenhar algo de que precisam. É maravilhoso fazer algo útil e torná-lo bom. Então, nesse sentido, cada tarefa é memorável, à medida que aprendo algo novo. Torno-me uma especialista em inúmeros pequenos assuntos. Isso é muito divertido.

Quais são seus próximos projetos profissionais? No momento, trabalho em um livro com recortes de papel e contos de fadas.
 

Matéria publicada na edição impressa #18 nov.2018 em novembro de 2018.